Vendedores de Bitcoin no Brasil são investigados por esquema de R$ 172 milhões

Dois P2Ps da comunidade foram citados em inquérito que apura lavagem de dinheiro com uso de empresas e Bitcoin.

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Apreensão de Bitcoin
Apreensão de Bitcoin

Dois vendedores de Bitcoin do Brasil, muito conhecidos pela comunidade nacional, estão sendo investigados pela Polícia Civil de São Paulo no inquérito que culminou na “Operação Exchange“.

No final de julho, a Operação mobilizou agentes de segurança pública em algumas cidades de São Paulo, inclusive na capital, contra 17 corretoras de Bitcoin.

Segundo as apurações preliminares da PC-SP, várias empresas foram utilizadas como fachada de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. Foram bloqueados R$ 172 milhões de duas pessoas e 17 empresas naquela data, atendendo a ordem judicial.

A delegada que cuida do caso, Isa Abramavicus, informou ao Livecoins que o prejuízo causado pela organização criminosa pode ainda ser maior que o inicialmente estimado.

“O prejuízo é muito maior do que os valores já bloqueados e que a atuação do grupo envolve um número maior de cidades.”

Dois vendedores de Bitcoin do Brasil tiveram contas bloqueadas e bens congelados

Na capital paulista e na cidade de Diadema, no dia 23 de julho, a Operação Exchange percorreu as ruas para cumprir seis mandados de busca. Na ocasião, os bens de duas pessoas foram congelados pela justiça brasileira.

Mas na edição do Diário da Justiça de São Paulo desta quinta-feira (12), da segunda instância, o caso que corre em sigilo de justiça acabou tendo alguns detalhes divulgados publicamente.

A juíza responsável pelo inquérito policial é Isadora Botti Beraldo Montezano, da 2.ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital. A investigação apura os Crimes de “Lavagem” ou Ocultação de Bens, Direitos ou Valores.

Os vendedores P2P Dante Felipini (CEO da Makes Exchange Servicos Digitais Ltda) e Jhonny Rich (fundador da Brasil Digital EIRELI), são os dois negociantes investigados pela Operação Exchange, que ainda segue em sigilo de justiça.

“Dessa forma, a Autoridade Policial aduziu que assim como a BRASIL DIGITAL a MAKES EXCHANGE e demais empresas do grupo operam, conscientemente, em favor de uma organização criminosa destinada à lavagem de capitais por meio de criptomoedas”.

A empresa “Matutu Comercio Eletronico de Produtos de Informatica Ltda” recorreu na segunda instância do tribunal com um mandado de Segurança para obter o acesso aos autos do processo, vez que até então supostamente teve acesso a apenas partes do processo. Contudo, o desembargador não atendeu ao pedido e deu vista para Procuradoria Geral de Justiça.

Bitcoins foram apreendidos na operação?

O juiz deferiu pedidos de busca e apreensão, quebra do sigilo telemático e apreensão de equipamentos eletrônicos dos investigados. Isso demonstra que o juiz permitiu que a polícia levasse equipamentos eletrônicos dos investigados.

Como os investigados exploram o ramo de criptomoedas, não será nenhum espanto se a polícia aprendeu celulares, computadores ou hard wallet utilizados na custódia de criptomoedas.

Operação Exchange
Operação Exchange – Crédito: PCSP

Contudo, caso os investigados tenham um bom backup, os fundos poderão ser recuperados tranquilamente. Isso é possível graças a tecnologia do Bitcoin que permite que cada um “seja seu próprio banco”. Mas como o caso está em sigilo, ainda não é possível saber se houve apreensão de criptomoedas.

Em contas bancárias, foram bloqueados R$ 172 milhões dos investigados na operação Exchange.

O despacho pode ser lido na íntegra no Diário de Justiça de São Paulo em 12 de agosto de 2021.

Ex-candidato a prefeito de Diadema

Um dos investigados, Jhonny Rich, foi candidato a prefeito em Diadema na última eleição municipal de 2020, pelo Partido Social Liberal (PSL). Como despesa da campanha ele declarou R$ 2.314.690,48, mas só obteve 1.532 votos no pleito. (Após a veiculação desta matéria, Jhonny entrou em contato e disse que não gastou R$ 2 milhões como previamente informado, mas sim R$ 67.030,00, como pode ser visto no TSE. Pelo equívoco anterior, fica aqui a retificação).

Jhonny Rich
Jhonny Rich

A defesa de Jhonny Rich disse que esse inquérito policial questiona informações de 2018.

“Trata-se de um inquérito policial instaurado para apurar operações de intermediação na compra e venda de criptoativos, realizadas no ano de 2018, com duas empresas suspeitas de praticarem atos ilícitos.

A Brasil Digital já se manifestou no referido inquérito policial, apresentando todas as documentações requisitadas pelas autoridades policiais, tais como análises de compliance, notas fiscais e demais documentos que demonstram a higidez em suas operações e que a Brasil Digital não compactua com qualquer tipo de ato ilícito.

Vale ressaltar que a Brasil Digital não foi indiciada em nenhum inquérito policial, tampouco denunciada pelo Ministério Público e, portanto, não é Réu em nenhum processo penal.

Por fim, a Brasil Digital se encontra à disposição de todas as autoridades brasileiras, uma vez que está em dia com todas as suas obrigações legais, fiscais, assim como segue voluntariamente todas as boas práticas de Compliance aplicadas no mercado tradicional, seguindo o código de auto regulação desenvolvido pelo mercado de criptoativos, inclusive.”

O Livecoins procurou contatar também a defesa de Dante Felipini, que enviou uma nota para a reportagem sobre o caso.

“A Makes Exchange não é conivente com qualquer tipo de atividade criminosa.
Estamos à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e nos manifestaremos no procedimento investigatório.

Atenciosamente, DAnte Felipini – Makes Exchange”.

O que diz a delegada responsável pela Operação Exchange

Também em nota ao Livecoins, a delegada Isa Abramavicus responsável pelo inquérito policial informou que mais empresas são investigadas, além das citadas no despacho do Diário de Justiça de São Paulo desta quinta.

“A publicação se refere a mandado de segurança que foi impetrado, no curso das medidas cautelares, em que as partes envolvidas solicitam acesso aos Autos (a cautelar tramita em segredo de justiça, razão pela qual somente advogado, com procuração de parte investigada, pode se habilitar)

Não são todas as exchanges e empresas investigadas que estão mencionadas na publicação. Várias outras são alvo de investigação, as quais serão posteriormente divulgadas.

Estamos na fase de análise e extração de dados do material que foi apreendido (celulares, notebooks e etc). Com base nos dados analisados objetivamos estabelecer o fluxo da lavagem de dinheiro.”

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Gustavo Bertoluccihttps://github.com/gusbertol
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
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