Autoridades do Brasil na França debatem sobre rastreio e apreensão de criptomoedas

Encontros do Conselho da Europa reuniram especialistas de mais de cem países para discutir bloqueio de criptoativos e uso de inteligência artificial

Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
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(Foto/Reprodução)

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) representou o Brasil em debates internacionais na França sobre o rastreio e a apreensão de criptomoedas. A comitiva brasileira participou de encontros promovidos pelo Conselho da Europa na cidade de Estrasburgo até sexta-feira (16).

Especialistas de mais de cem países discutiram métodos para frear o crime cibernético e recuperar patrimônios ilícitos no exterior. Os painéis focaram na interlocução com corretoras para preservar provas digitais e viabilizar o bloqueio rápido de criptoativos.

Márcio Júlio da Silva Mattos liderou a representação nacional como diretor substituto do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI). A agenda oficial incluiu a Conferência Octopus 2026 e a plenária da Convenção de Budapeste sobre crimes na internet.

Cooperação internacional mira bloqueio de criptoativos e lavagem de dinheiro

Na frente de recuperação patrimonial, as autoridades avaliaram estratégias para rastrear transações suspeitas em plataformas globais. O trabalho conjunto com prestadores de serviços busca impedir a fuga de capitais gerados por fraudes e corrupção.

Durante a programação de quarta-feira (14), o conselho europeu abriu a assinatura de um protocolo adicional à Convenção de Varsóvia. Esse instrumento jurídico amplia os mecanismos entre nações para identificar, apreender e confiscar bens ligados a facções.

Para o diretor do departamento brasileiro, a atualização das regras acompanha a evolução das quadrilhas que operam além das fronteiras. O representante destacou a urgência de monitorar a rota do dinheiro em estruturas descentralizadas pelo mundo.

“A criminalidade utiliza novas tecnologias, ativos virtuais e estruturas distribuídas entre diferentes países. A cooperação jurídica internacional e a capacidade de seguir o fluxo dos recursos são fundamentais para que as autoridades consigam responder a esse cenário de forma efetiva.” — Márcio Mattos, diretor substituto do DRCI.

Fora das plenárias principais, a delegação trocou experiências sobre novas ferramentas de investigação com agências estrangeiras. As técnicas de rastreamento de criptomoedas e análise de dados reforçarão as rotinas do Laboratório Estratégico contra o Crime (LabCrim) no Brasil.

Inteligência artificial e centros de golpes entram no radar das polícias

O avanço da inteligência artificial em esquemas de aluguel de ferramentas para outros criminosos dominou parte das reuniões na Europa. Grupos organizados utilizam essa tecnologia para criar vídeos falsos, disparar campanhas automáticas de phishing e desenvolver códigos maliciosos.

Técnicos de segurança também alertaram sobre a expansão de complexos físicos dedicados à aplicação de golpes digitais em escala industrial. Essas bases operacionais costumam apresentar vínculos diretos com redes de tráfico de pessoas e exploração de mão de obra.

Com foco na agilidade processual, os delegados debateram meios para acelerar a coleta de provas eletrônicas armazenadas em servidores de outros países. A diretriz segue o Segundo Protocolo Adicional da Convenção de Budapeste para facilitar o contato direto com provedores de serviços digitais.

Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
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