Bitcoin Core corrige três vulnerabilidades encontradas por IA em sua atualização mais recente

Essa é a maior atualização do Bitcoin Core desde o lançamento da versão 31.0 em abril

Henrique HK
Henrique acompanha o mercado de criptomoedas desde 2016 e já publicou mais de 5 mil matérias no Livecoins. É coautor da lista de palavras em português...
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Bitcoin. Imagem: Jievani/Pexels.

Desenvolvedores lançaram na terça-feira (27) o Bitcoin Core 32.1. A atualização contém correções contra três vulnerabilidades encontradas no software, duas de gravidade média e outra de baixa.

Para os que não desejam manter a última versão, a equipe também disponibilizou as correções para as versões 29, 30 e 31.

Atualmente, a versão 31.1 aparece como a maior popular da rede dentre nós públicos.

Desenvolvedores pularam o lançamento da versão 32.0 do Bitcoin Core

Em nota publicada na terça-feira (27), desenvolvedores do Bitcoin Core deram detalhes sobre a nova versão disponível para download, que inclui novos recursos, correções de bugs e melhorias de desempenho.

“Devido a problemas de última hora, a versão 32.0, embora tenha recebido uma tag, nunca foi totalmente anunciada nem lançada.”

O principal destaque fica para a correção de três vulnerabilidades encontradas no projeto.

Iniciando pela de baixa gravidade, os desenvolvedores explicam que a falha permite que um minerador corrompa dados de reversão de outros nós, fazendo com que eles sejam encerrados caso ocorra uma reorganização da cadeia envolvendo exatamente os blocos necessários.

Já a primeira vulnerabilidade de média gravidade causa um crescimento ilimitado do uso de memória caso o atacante envie dados urgentes TCP, travando o nó da vítima.

“O mecanismo de monitoramento de sockets baseado em select() observava os sockets em busca de condições excepcionais, independentemente de as leituras estarem pausadas. Ao tratar esse evento, uma leitura do socket era acionada, o que permitia colocar mais dados na fila de processamento daquele par, sem qualquer limite. Esse evento pode ser acionado pelo envio de dados urgentes TCP. Isso permite que um par cuja leitura está pausada contorne o mecanismo de controle de fluxo e coloque uma quantidade ilimitada de dados na fila de processamento. Na prática, isso significa que um par malicioso pode derrubar facilmente qualquer nó Windows, macOS ou BSD ao qual esteja conectado.”

A segunda vulnerabilidade de média gravidade seria um crescimento lento e limitado do uso de memória em pares anteriores ao BIP31 com envio pausado.

Explicando o problema, os desenvolvedores notam que o Bitcoin Core possui um mecanismo de controle de fluxo para pares que leem dados lentamente.

Embora exista um mecanismo de desconexão após um par não responder a uma mensagem de ping após 20 minutos, isso não está habilitado para pares que não oferecem suporte a essas mensagens.

“Um par malicioso poderia fingir não oferecer esse suporte e atrasar estrategicamente a leitura das mensagens, fazendo com que a fila crescesse lentamente, sem limite. O consumo de memória poderia crescer a uma taxa de até 2 MB por hora para cada par de entrada e 5 MB por hora para cada par de saída.”

O texto aponta que as três vulnerabilidades foram encontradas através de uma análise automatizada feita por uma ferramenta de inteligência artificial (IA/LLM) por parte do Project Loupe, de Elias Rohrer, da Spiral.

As correções para essas falhas também estão disponíveis nas versões 29.5, 30.4 e 31.2.

Bitcoin Core também teve melhorias em diversos outros pontos

Conforme o Bitcoin Core 31.0 foi lançado em abril, a versão 32.1 é a maior atualização do projeto neste ano. No anúncio, os desenvolvedores destacaram diversas outras melhorias do software.

Isso inclui mais conexões P2P por padrão, proteção contra ataques a serviços Tor, menor consumo de memória e CPU na retransmissão de transações, correção de possível vazamento de IP e limites para transmissão privada.

Quanto à carteira, o projeto recebeu novas ferramentas para chaves HD, exportação de carteiras somente para consulta, migração de carteiras mais flexível, mais clareza sobre taxas, restrições de segurança para nomes de carteiras, dentre outros.

Outras mudanças estão ligadas à remoção de parâmetros obsoletos da mempool, incluindo fullrbf, melhor controle de saldos, validação em segundo plano, exportação de dados UTXO por pipe, índices de transações e saídas menores, validação de blocos mais rápidas e novos dados de endereços.

A lista completa com todos os detalhes da nova versão pode ser encontrada no anúncio oficial do Bitcoin Core.

Segundo dados do Coin Dance, hoje a versão 31.1 é a mais utilizada dentre nós públicos. Apesar disso, a 32.1 aparenta estar ganhando adoção após os primeiros dias de seu lançamento.

Bitcoin Core v31.1 é a mais usada por nós públicos, mas v32.1 já começa a ser utilizada pela rede. Imagem: Coin Dance/Reprodução.
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Henrique acompanha o mercado de criptomoedas desde 2016 e já publicou mais de 5 mil matérias no Livecoins. É coautor da lista de palavras em português do BIP-39 do Bitcoin, soma mais de 15 mil postagens no Bitcointalk e já teve uma fazenda de mineração com 50 placas de vídeo. Seu trabalho conecta os aspectos técnicos do Bitcoin e de outras criptomoedas aos fatores econômicos, regulatórios e institucionais que moldam o setor.
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