Corretora Uphold sai do Brasil, define data para saques e pressiona usuários do navegador Brave a obter recompensas

Comunicado enviado aos clientes aponta novas exigências de autorização para prestadores de serviços de criptoativos como motivo do encerramento

Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
3 min de leitura
(Foto/Reprodução)

A plataforma financeira Uphold anunciou que deixará de prestar serviços a clientes residentes no Brasil e estabeleceu o dia 30 de novembro como prazo final para a retirada normal de saldos.

Em comunicado enviado aos usuários por e-mail e que chegou até a reportagem do Livecoins, a empresa justificou a saída pela introdução das novas exigências de autorização para prestadores de serviços de criptoativos no país.

O encerramento das atividades pressiona os brasileiros que utilizam o navegador Brave a resgatarem suas recompensas acumuladas na criptomoeda Basic Attention Token (BAT).

Além de interromper o suporte local, a corretora informou que desativou as ferramentas de renda passiva e devolverá todos os valores travados em staking com os respectivos rendimentos até o dia 6 de novembro.

Após a data limite de 30 de novembro, a companhia converterá qualquer saldo remanescente na stablecoin USDC pela cotação vigente de mercado. A partir desse momento, as contas ficarão restritas ao saque de criptoativos para carteiras externas, sem permissão para novos depósitos, negociações ou transferências para meios de pagamento vinculados antes do fechamento definitivo do perfil.

“O Brasil está introduzindo novas exigências de autorização para prestadores de serviços de criptoativos. Diante dessas mudanças, decidimos deixar de prestar os serviços da Uphold a clientes no Brasil.” — Equipe Uphold, em comunicado oficial enviado aos clientes brasileiros.

Parceria com navegador Brave permitia converter recompensas de anúncios

A decisão da Uphold atinge em cheio a comunidade brasileira do Brave, navegador voltado à privacidade que mantém uma integração direta com a plataforma desde outubro de 2019.

Lançada na versão 0.69 para computadores, a parceria transformou uma carteira antes limitada a doações anônimas em uma ponte para sacar os tokens BAT recebidos pela visualização de propagandas.

Pelo modelo do programa Brave Rewards, os internautas que aceitam ver anúncios privados recebem 70% da receita publicitária mensal em criptomoedas para doar a criadores de conteúdo ou guardar no bolso.

Ao concluir a verificação de identidade na Uphold, o usuário ganhava um cartão virtual da parceria para transferir os tokens para fora do navegador e trocá-los por moedas fiduciárias ou outros criptoativos.

Vale lembrar que a parceria segue pelo mundo, mas brasileiros não vão conseguir acesso devido a saída da Uphold do país.

O cronograma adotado pela Uphold acompanha os prazos das Resoluções 520 e 589 do Banco Central do Brasil para o enquadramento regulatório das empresas de criptomoedas.

Enquanto o dia 6 de novembro escolhido para liquidar os contratos de staking coincide com o início da proibição para bancos operarem com corretoras não autorizadas, o limite de 30 de novembro reflete a janela de trinta dias para a saída de quem não protocolou pedido de licença até o fim de outubro.

Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
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