Empresa rastreia criptomoedas roubadas da Binance e diz: “alto grau de confiança que hackers da Coreia do Norte estão envolvidos”

Empresa rastreou operações e encontrou padrão inédito de transferências de dinheiro e vínculo com endereços de hackers da Bitget feito em setembro de 2026

Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
5 min de leitura
(Foto/Reprodução)

Uma das maiores empresas de rastreamento de bitcoin e criptomoedas do mundo a Chainalysis colabora com a Binance para encontrar o caminho do dinheiro após o ataque hacker que levou US$ 6,4 bilhões da maior corretora do mundo na quinta-feira (29).

De acordo com o primeiro relatório da Chainalysis, fica claro que hackers patrocinados pelo Governo da Coreia do Norte que invadiram a plataforma, com um “alto grau de confiança” e padrões de transferências em blockchain nunca antes vistos na história do mercado cripto.

“Nossos investigadores observaram que fundos roubados pela Coreia do Norte no ataque à Bitget no mês passado estavam misturados com fundos roubados da Binance. Temos um alto grau de certeza de que a Coreia do Norte é responsável pelo ataque de US$ 6,4 bilhões à Binance.” – disse no X (ex-Twitter), nesta sexta-deira (30).

Chainalysis diz que encontrou padrões compatíveis com hackers norte-coreanos no ataque contra a Binance
Chainalysis diz que encontrou padrões compatíveis com hackers norte-coreanos no ataque contra a Binance (Foto/X).

O grupo hacker suspeito de operar a mando do líder-supremo Kim Jong-un é o TraderTraitor, que pode ter relação com os maiores roubos de criptomoedas nos últimos anos. No mês de setembro de 2026, a Bitget foi um dos alvos e perdeu quase US$ 400 milhões.

“Mercado de criptomoedas mostrou união e força ao congelar fundos de forma rápida”, pontua empresa

Após o roubo dos bilhões de dólares em várias criptomoedas, os hackers começaram uma corrida contra o tempo para trocar stablecoins por moedas digitais que não podem ser confiscadas ou bloqueadas, como o Bitcoin e Ethereum.

Com o roubo começando por volta de 16h20 do horário dos EUA, os hackers em posse de USDT e USDC tentaram trocar o máximo possível suas stablecoins por Ethereum, apontou a empresa de rastreio.

“O congelamento de fundos leva tempo. O hacker tentou se antecipar a esse processo transferindo rapidamente US$ 500 milhões em stablecoins para uma carteira cuja função era trocar esses ativos congeláveis ​​por ativos não congeláveis. Em quase 20 minutos, ele trocou US$ 325 milhões em stablecoins por US$ 285 milhões em ETH”, destacou.

“Dez minutos depois, o explorador enviou os US$ 175 milhões restantes em stablecoins para carteiras intermediárias, provavelmente tentando agir mais rápido do que uma lista negra ou um congelamento. Mas o setor o alcançou mais rapidamente do que ele esperava: às 17h14 (horário do leste dos EUA), os congelamentos começaram.” – comentou a apuração inicial da Chainalysis que parabenizou o mercado pela rápida reação.

De acordo com a empresa, o caso não diminui o tamanho do ataque, mas o bloqueio de US$ 2,8 bilhões de forma rápida e conjunta demonstrou o poder de resposta que deverá melhorar ainda mais.

“Embora isso não diminua a magnitude do roubo, a resposta demonstra um setor cada vez mais capaz de agir rapidamente, tanto de forma independente quanto conjunta.”

Padrões de movimentação do dinheiro nunca antes vistos pela indústria cripto

A Chainalysis informou que seguirá monitorando todos os valores roubados em busca de ajudar com a recuperação de valores.

Contudo, mesmo a empresa sendo uma especialista em rastreio, ela indicou que os padrões utilizados pelos hackers fogem do comum.

“À medida que os investigadores da Chainalysis continuam a rastrear os fundos roubados da Binance, estamos a observar padrões de lavagem de dinheiro nunca antes vistos. Milhares de transações num curto período de tempo sugerem que os atacantes estão a usar automação para ocultar o rasto dos fundos. Em vez de simplesmente transferirem os fundos, fazem-nos circular repetidamente entre endereços, muitas vezes enviando fundos de volta para endereços envolvidos anteriormente na sequência”, disse a empresa.

Por fim, as principais corretoras estão monitorando depósitos em busca de ajudar a bloquear mais valores e todas as transações em blockchain são vigiadas. Nesta sexta, a Binance informou que já separou US$ 6,4 bilhões para cobrir as possíveis perdas do incidente e mantém sua comunicação de forma ativa com clientes e parceiros.

Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
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