O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) enfrentou cenários simulados de extorsão com exigência de pagamento em criptomoedas durante o Exercício Guardião Cibernético 8.0. Coordenado pelo Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber) do Exército Brasileiro, o treinamento reuniu mais de 1.300 profissionais de cerca de 300 instituições públicas e privadas, além de representantes de 14 países.
Realizada entre os dias 21 e 25 de setembro com balanço divulgado pelo Ministério da Defesa na quinta-feira (29/10), a oitava edição do evento operou de forma simultânea em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Recife, Belém e Manaus.
Considerado o maior treinamento de proteção digital do Hemisfério Sul, o programa teve sede principal na Escola Superior de Defesa (ESD), localizada na capital federal.
A cobrança simulada de resgate em criptoativos ocorreu nas baterias aplicadas à equipe multidisciplinar de Manaus, que trabalhou nas instalações da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Ao longo de cinco dias, os especialistas lidaram ainda com alertas de invasão em larga escala, roubo de senhas de diretores, manipulação de sistemas financeiros, ordens falsas e exposição de arquivos em fóruns da internet.
Simulação em Manaus exigiu resposta técnica e análise da lei de dados
Em solo amazonense, o grupo de resposta rápida teve a coordenação do gerente-executivo Antônio Luiz Guimarães Silva Lucena ao lado dos especialistas técnicos Ailton Cortez e Leonardo Rodrigues Garcia de Sena.
Completaram a bancada de crise o controlador de tempo Shelton Furtado Salazar, o assessor jurídico Paulo Raimundo Costa Braga Júnior e a representante de comunicação social Heloysa Souza Bastos.
Enquanto o setor de tecnologia da informação buscava conter as brechas nas redes, o braço jurídico avaliou o impacto dos ataques diante das regras da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
Já a área de comunicação redigiu notas de esclarecimento à imprensa e avisos internos para conter danos à imagem da instituição responsável por monitorar a Amazônia Legal e a Amazônia Azul.
As tarefas do evento foram divididas entre a modalidade construtiva, voltada ao gerenciamento de riscos e prioridades, e a simulação virtual para caça de falhas em ambientes controlados.
Os problemas propostos pela organização militar atingiram seis eixos estratégicos formados por economia, energia, transportes, recursos hídricos, comunicações e biossegurança.
“É uma grande satisfação participar de um evento como este, de grande envergadura, que chega à sua oitava edição. Isso nos permite refletir sobre o pioneirismo de 2018, que hoje dá espaço à consolidação de uma iniciativa cada vez mais abrangente e participativa.” — Richard Fernandez Nunes, general de Exército e diretor-geral do Censipam.
Polos de Brasília e Belém testaram defesas contra inteligência artificial
Na abertura oficial dos trabalhos em Brasília, o diretor-geral do Censipam dividiu a mesa com o comandante de Defesa Cibernética, general de divisão Jacy Barbosa Júnior, que apresentou os números de expansão do treinamento internacional.
Servidores da sede central atuaram em conjunto com integrantes das Forças Armadas, universidades, centros de pesquisa e companhias privadas para testar o Plano de Resposta a Incidentes do órgão.
No polo instalado em Belém sob a coordenação local do Comando Militar do Norte, os agentes treinaram protocolos para proteger redes elétricas, telecomunicações e serviços financeiros.
O intercâmbio na capital paraense também debateu o avanço de ameaças digitais que utilizam ferramentas de inteligência artificial para comprometer sistemas interconectados na região amazônica.
“Para o Censipam, ter hubs em Belém e Manaus trouxe uma oportunidade ainda maior de participação. Agradeço à direção do exercício por permitir que o Centro se integrasse de maneira ainda mais efetiva, não somente em Brasília, mas também em Belém e Manaus.” — finalizou o general Nunes.
