Méliuz vende 78 bitcoins para recomprar ações e registra lucro recorde de R$ 113,7 milhões no 3º trimestre

Companhia vendeu 78 bitcoins por R$ 29,4 milhões para financiar recompra de ações, mas garantiu direito de readquirir moedas a US$ 75 mil por unidade

Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
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(Foto/Reprodução)

O Méliuz (CASH3) registrou um lucro líquido recorde de R$ 113,7 milhões no terceiro trimestre de 2026, valor quase oito vezes superior aos R$ 14,2 milhões apurados no mesmo intervalo de 2025. Divulgado na quarta-feira (4), o balanço financeiro contou com um resultado positivo de R$ 78,5 milhões (efeito não caixa) gerado pela valorização das reservas de Bitcoin da companhia no período.

Além do salto na última linha do demonstrativo, o indicador operacional EBITDA alcançou a marca histórica de R$ 85,3 milhões frente aos R$ 26,1 milhões do terceiro trimestre de 2025.

No acumulado de doze meses, apenas a divisão de negócios fora do comércio eletrônico tradicional (Beyond E-commerce) faturou R$ 85,1 milhões e superou toda a receita consolidada de R$ 81,5 milhões que a empresa tinha em 2019 antes da estreia na bolsa.

Em relação à estratégia de tesouraria em Bitcoin iniciada em março de 2025, a companhia encerrou o mês de setembro com 526,7 bitcoins sob custódia ao preço médio de compra acumulado de US$ 103.321,60 por unidade.

Pela primeira vez desde a flexibilização da política financeira em agosto, a administração vendeu 78 bitcoins por R$ 29,4 milhões (US$ 5,65 milhões) para financiar o segundo programa de recompra das próprias ações sem contrair dívidas.

Contrato de opções garante recompra dos 78 bitcoins a US$ 75 mil em 2027

Com o objetivo de manter a exposição à alta da moeda digital após a venda de parte das reservas à vista, a empresa firmou contratos de opções de compra (calls) que asseguram o direito de readquirir os mesmos 78 bitcoins em 2027. O custo máximo estipulado para recomprar todo o lote ficou travado em US$ 5,85 milhões, cifra equivalente a cerca de US$ 75 mil por cada moeda digital.

Graças a essa operação estruturada sem alavancagem, o grupo capturou o ganho acima do preço de exercício já no fechamento de 30 de setembro, data em que a cotação marcou US$ 83.554.

Todavia, como a manobra com derivativos ainda segue em curso, o retrato contábil do terceiro trimestre refletiu apenas a primeira etapa e reduziu a reserva de moedas em 12,9% frente ao corte de 7,5% no total de ações em circulação.

Diante desse intervalo técnico entre as duas pontas da transação, o indicador Bitcoin por Mil Ações passou de 0,00581 no segundo trimestre para 0,00547 no terceiro, o que gerou uma variação trimestral negativa de 5,8% no indicador Bitcoin Yield.

Resultado do Méliuz no terceiro trimestre de 2026
Resultado do Méliuz no terceiro trimestre de 2026 (Fonte/RI Méliuz).

Assim que a recompra dos 78 bitcoins for concluída sobre a base reduzida de 96,3 milhões de papéis, o estoque retornará a 604,7 unidades e elevará a proporção para 0,00628 bitcoin por mil ações (rendimento positivo de 8,1% sobre o segundo trimestre e avanço de 17,4% ante setembro de 2025). Vale lembrar que o Méliuz foi a primeira companhia de capital aberto da América Latina a anunciar um modelo de negócios Bitcoin Treasuries.

Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
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