Mineração volta a ter nova demanda com aumento do preço do Bitcoin

Henrique HK
Henrique acompanha o mercado de criptomoedas desde 2016 e já publicou mais de 5 mil matérias no Livecoins. É coautor da lista de palavras em português...
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Placas de mineração de criptomoedas

A alta do Bitcoin mantém o mercado de altcoins animado e placas de vídeo voltam a ter procura no mundo inteiro.

Os mineradores de Bitcoin tiveram mais de 7 bilhões de reais de lucro em agosto deste ano, ultrapassando lucros de dezembro de 2017 e ficando atrás apenas do mês de março deste ano, onde lucraram cerca de R$ 9 bilhões.

Renda mineração Bitcoin
Renda mineração Bitcoin. Fonte: TheBlock

A mineração da segunda maior criptomoeda, o Ethereum, também apresentou bons lucros aos mineradores em 2021.

Por ser uma moeda minerada através de placas de vídeo (GPU) ao invés de ASICs, países como o Brasil acabam adotando esta forma de mineração, uma vez que é mais fácil encontrar GPUs à venda do que ASICs, além de outras questões técnicas.

Nova demanda por equipamentos de mineração com GPUs causa corrida a lojas

O retorno do investimento na mineração depende do preço da criptomoeda minerada, da dificuldade, da recompensa e do preço da energia, além do investimento inicial.

Dificuldade é um termo usado para determinar a probabilidade de minerar um bloco. Este cálculo considera o hashrate total da rede. Atualmente, estamos no maior pico histórico e não há gráfico melhor para demonstrar a força deste setor.

Em entrevista ao VnExpress, Quang Thuan, dono de uma rede de lojas no Vietnã, revelou que a venda por ASICs e GPUs triplicou neste mês, quando comparado ao mês anterior.

Embora a queima de ETH, por conta do EIP-1559, esteja fazendo a recompensa de ETH por bloco cair, tal mudança ajudou o preço da moeda a passar os R$ 20.000,00 pela segunda vez na história.

Além disso, outro setor de atratividade é que o uso da Blockchain do Ethereum, nos setores de DeFi e NFT, distribui taxas generosas aos mineradores.

Dificuldade de mineração do Ethereum
Dificuldade de mineração do Ethereum. Fonte: Etherscan

Os riscos

Todo investimento tem um risco, e este não é uma exceção.

As oscilações no preço do Ethereum e alto custo da energia no Brasil, por exemplo, são os maiores perigos. Porém, não são os únicos.

Sem levar as taxas em conta, caso o preço do Ethereum caia 50%, teoricamente, a receita do minerador também vai cair 50%.

Como o criptomercado é extremamente volátil, este é um cenário de risco a ser considerado antes de investir em mineração — mas, caso seja otimista e pense que o preço do Ethereum irá dobrar, talvez seja melhor comprar ETH do que minerar.

A atual crise no setor de energia em países como o Brasil também é preocupante

Quando falamos em mineração de criptomoedas no Brasil, o custo energético é o principal vilão, deixando outros países em vantagem.

Reservatórios das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste estão sofrendo com a falta de chuvas. Atualmente, estas regiões representam 70% da geração de energia no país.

Com isso, uma taxa extra de 14,20 reais por cada 100 kWh foi implementada pelo governo para reduzir o consumo e tem vigência até abril de 2022.

Além destes dois pontos, também há a migração do Ethereum de Proof-of-Work (PoW) para Proof-of-Stake (PoS), o chamado Ethereum 2.0, que acabará com a mineração da moeda através de placas de vídeo.

Apesar de todos os poréns citados e também de existirem outras moedas que possam ser mineradas, nenhuma delas chega perto dos retornos oferecidos pelo Ethereum, quando a mineração é feita via GPUs.

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Henrique acompanha o mercado de criptomoedas desde 2016 e já publicou mais de 5 mil matérias no Livecoins. É coautor da lista de palavras em português do BIP-39 do Bitcoin, soma mais de 15 mil postagens no Bitcointalk e já teve uma fazenda de mineração com 50 placas de vídeo. Seu trabalho conecta os aspectos técnicos do Bitcoin e de outras criptomoedas aos fatores econômicos, regulatórios e institucionais que moldam o setor.
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