A procura por orientação migratória para os Estados Unidos disparou após a divulgação do resultado das eleições no Brasil. A Bicalho Consultoria Legal afirma ter registrado um volume de buscas por informações e avaliações migratórias equivalente a 3.000% do habitual.
O movimento reúne profissionais com carreira consolidada, executivos, empresários e famílias que querem entender quais alternativas legais correspondem a seus planos. A busca também reacende o debate sobre a saída de profissionais qualificados e de capital humano do Brasil, fenômeno frequentemente chamado de “fuga de cérebros”.
“Em momentos de instabilidade, como o que vivemos agora, marcado por incertezas políticas e econômicas que afetam as decisões de famílias e empresas, muita gente começa a avaliar o que pode construir fora do país. Um exemplo foi a reação do mercado no primeiro pregão após o resultado das eleições: o dólar subiu 8,21% e o Ibovespa caiu 13,88%. Esse cenário assusta as pessoas e leva muitas delas a perguntar: ‘Meu perfil se encaixa em qual categoria?’. A análise depende da trajetória profissional, dos planos e, em muitos casos, da estrutura da empresa”, afirma o advogado Vinícius Bicalho, licenciado no Brasil, em Portugal e nos Estados Unidos, CEO da Bicalho Consultoria Legal e professor de pós-graduação em Direito Migratório.
Vistos de trabalho e imigração: os caminhos variam conforme o perfil
O sistema americano reúne cerca de 185 modalidades de vistos, entre temporários e de imigração permanente. Os caminhos variam conforme o perfil: algumas categorias consideram a formação acadêmica e a trajetória profissional; outras são voltadas a talentos reconhecidos, transferências dentro de empresas ou investimentos.
- EB-1: inclui profissionais com habilidade extraordinária em áreas como ciência, artes, educação, negócios e esportes; professores e pesquisadores reconhecidos internacionalmente; e executivos e gerentes de multinacionais. Cientistas, artistas, atletas, professores, pesquisadores e lideranças empresariais com trajetória de destaque são exemplos de perfis que podem avaliar a categoria.
- EB-2: contempla profissionais com pós-graduação ou graduação acompanhada de pelo menos cinco anos de experiência progressiva, além de pessoas com habilidade excepcional em ciências, artes ou negócios. Engenheiros, médicos, pesquisadores, profissionais de tecnologia e especialistas em negócios podem avaliar a categoria conforme sua formação e experiência. No NIW, empreendedores e profissionais também podem apresentar projetos que atendam aos critérios de interesse nacional dos Estados Unidos.
- EB-3: exige uma oferta de trabalho para uma vaga nos Estados Unidos, com um empregador americano patrocinando o processo. Inclui profissionais cuja vaga exige graduação, trabalhadores qualificados cujas funções requerem pelo menos dois anos de experiência ou treinamento e outras funções que exigem menos de dois anos. Engenheiros, contadores, professores, enfermeiros e técnicos especializados são exemplos de profissões que podem aparecer nessa categoria, conforme a vaga e os requisitos do empregador.
- L-1: permite que empresas com operações relacionadas no Brasil e nos Estados Unidos transfiram executivos, gerentes ou profissionais com conhecimento especializado. Pode envolver, por exemplo, diretores, gestores de operações e especialistas técnicos que já atuem na empresa. Também pode ser usado por uma companhia estrangeira que envie um executivo ou gerente para estabelecer uma operação nos Estados Unidos.
- EB-5: é voltado a investidores e não depende de uma profissão específica. O investimento mínimo vigente é de US$ 1,05 milhão, ou US$ 800 mil em área de emprego direcionada ou projeto de infraestrutura. A categoria exige a criação de pelo menos dez empregos permanentes em tempo integral. Empresários e investidores são perfis que podem avaliar essa opção.
- Gold Card: programa que prevê contribuição de US$ 1 milhão para candidatura individual ou US$ 2 milhões quando uma empresa faz a contribuição em favor de um funcionário, além de taxa de processamento de US$ 15 mil. A residência permanente pode ser enquadrada como EB-1 ou EB-2, conforme análise e disponibilidade de visto. A modalidade não depende de uma profissão específica e pode interessar a pessoas com recursos próprios ou a empresas que patrocinem funcionários.
“Para uma empresa que já tem operação no Brasil, por exemplo, a transferência de um executivo para uma unidade nos Estados Unidos pode ser um caminho migratório. Para um profissional, o histórico de carreira, a formação e o projeto que pretende desenvolver nos Estados Unidos ajudam a identificar as categorias possíveis”, explica Bicalho.
Emissões mostram procura por categorias profissionais
No último relatório anual divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos (DOS), referente ao ano fiscal de 2024, foram emitidos para brasileiros 2.089 vistos EB-2, 465 EB-1 e 284 EB-3. Na categoria EB-5, ligada a investimento, foram 47 vistos. Entre essas modalidades, o EB-2 teve o maior número de emissões para brasileiros no período.
Para Bicalho, esses caminhos ajudam a explicar por que a procura inclui perfis diversos. “Há pessoas que querem avaliar a própria experiência profissional, executivos que estudam a transferência para uma unidade nos Estados Unidos e empresários que analisam a expansão de seus negócios. A estratégia migratória começa pela compatibilidade entre o perfil e a categoria.”
Visa Bulletin indica disponibilidade atual para EB-1 e EB-5
O Visa Bulletin do Departamento de Estado, publicado mensalmente, informa a disponibilidade de números de vistos nas categorias sujeitas a limites. No boletim de outubro de 2026, EB-1 e EB-5 aparecem como Current para brasileiros.
No vocabulário do boletim, Current indica que há números de visto disponíveis naquele mês para todos os candidatos qualificados da categoria.
“Esse acompanhamento permite avaliar o momento de cada categoria e organizar o planejamento migratório de acordo com o perfil do candidato e de sua família”, afirma Dr. Vinícius Bicalho.
