Coreia do Norte recruta crianças prodígio para transformá-las em hackers, diz SCMP

Após recrutamento de jovens com 11 e 12 anos, eles passam por uma nova seleção aos 17 para entrar nas melhores universidades do país e, por fim, alguns poucos são selecionados para receber treinamentos especializados

Henrique HK
Henrique acompanha o mercado de criptomoedas desde 2016 e já publicou mais de 5 mil matérias no Livecoins. É coautor da lista de palavras em português...
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Governo norte-coreano também promete apartamentos de luxo em Pyongyang, capital do país. Imagem: Peter Anta/Pixabay.

Embora o acesso à internet na Coreia do Norte seja famoso por ser cheio de restrições pelo governo, o país é acusado de ser o responsável por alguns dos maiores ataques hackers contra empresas nos últimos anos.

Esse contraste pode ser explicado pela forma com que o governo lida com isso. Segundo matéria publicada pelo South China Morning Post (SCMP) neste sábado (7), o país possui um programa anual que recruta os 200 dos alunos mais inteligentes do ensino fundamental para estudar engenharia da computação.

Após isso, uma pequena parcela é treinada para virar hacker, sob a promessa de apartamentos luxuosos na capital, dentre outros benefícios, que não podem ser obtidos pela população geral.

Desertor afirma que hackers norte-coreanos são “uma arma secreta”

As informações do SCMP sobre o treinamento dos hackers norte-coreanos foram reveladas por Kim Heung-kwang, um desertor que treinava hackers antes de fugir para a Coreia do Sul em 2004, e outros dois desertores que trabalhavam na área de TI (Tecnologia da Informação).

“Eles são, na verdade, uma das armas secretas de Kim Jong-un. Não existe outro país que prepare hackers dessa maneira, procurando sistematicamente as crianças mais inteligentes com o único objetivo de transformá-las em agentes operacionais. Não importa se elas querem ou não ser hackers.”

O recrutamento começaria a partir dos 11 anos. Na sequência, o governo faz uma nova seleção quando eles atingem os 17 anos, enviando aqueles com o melhor desempenho para as melhores universidades do país.

Por fim, alguns poucos são incorporados à unidade cibernética das Forças Armadas da Coreia do Norte como hackers, onde recebem treinamentos em áreas como protocolos de criptomoedas, engenharia reversa de dispositivos de hardware, dentre outras disciplinas tradicionais.

Em outras palavras, são os melhores dos melhores, com um treinamento especializado.

Além do ataque de US$ 6,3 bilhões contra a Binance, os hackers norte-coreanos foram são acusados de roubar US$ 1,5 bilhão da Bybit, US$ 620 milhões da Roning, US$ 305 milhões da DMM Bitcoin, US$ 235 milhões da WazirX, dentre tantos outros milhões de outros projetos.

Os EUA acusam a Coreia do Norte de usar esses fundos para financiar seu programa armamentista nuclear.

Como recompensa, o governo promete apartamentos de luxo em Pyongyang, capital da Coreia do Norte, viagens a países aliados, como a China, até 30% dos lucros do roubos para a unidade militar os hackers, e a oportunidade de se casarem com famílias da elite. Além disso, eles ficam conhecidos como cientisticas ou pesquisadores dentro do país.

Apesar disso, a rotina desses hackers é exaustiva, já que eles precisam cumprir metas rigorosas, horários rígidos e um grande senso de organização.

Segundo o jornal, a Coreia do Norte emprega cerca de 8.400 pessoas neste departamento.

Ataques devem continuar

Ao contrário do que acontece com outros hackers, que muitas vezes são presos ou então se aposentam, os norte-coreanos são praticamente imparáveis.

O primeiro motivo seria essa própria barreira da Coreia do Norte, impossibilitando prisões. Por outro lado, mesmo após um ataque de bilhões, como no caso da Binance, o governo continuará dependendo de mais roubos para se financiar.

Além dos próprios roubos, o jornal também destaca que aqueles que não se tornam hackers são treinados para desenvolver softwares e aplicativos para empresas ocidentais por meio de trabalhos remotos. Recentemente, até mesmo o Google publicou um relatório alertando que os norte-coreanos estão se espalhando pelo mundo.

Por fim, a situação preocupa tanto autoridades quanto empresas de todo o mundo, principalmente por não existir uma resposta sobre como parar esses hackers.

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Henrique acompanha o mercado de criptomoedas desde 2016 e já publicou mais de 5 mil matérias no Livecoins. É coautor da lista de palavras em português do BIP-39 do Bitcoin, soma mais de 15 mil postagens no Bitcointalk e já teve uma fazenda de mineração com 50 placas de vídeo. Seu trabalho conecta os aspectos técnicos do Bitcoin e de outras criptomoedas aos fatores econômicos, regulatórios e institucionais que moldam o setor.
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