O Departamento de Justiça dos EUA anunciou nesta terça-feira (13) a prisão de dois indivíduos acusados de facilitar a contratação fraudulenta de trabalhadores da Coreia do Norte em empresas americanas.
A denúncia aponta que eles hospedavam notebooks fornecidos pelas empresas em suas próprias casas para parecer que os norte-coreanos estavam trabalhando fisicamente nos EUA. Além disso, também ajudavam na obtenção de documentos de identidade falsos e também atuavam na parte financeira do esquema.
No mês passado, autoridades japonesas desmantelaram uma ‘fazenda de laptops’ operada por um cidadão local, também com o objetivo de ajudar hackers norte-coreanos.
Governo americano volta a pressionar a Coreia do Norte
As ações da Coreia do Norte estão preocupando tanto especialistas em segurança quanto governos. Como exemplo, o Google publicou em 2025 um estudo apontando que hackers norte-coreanos estão se espalhando pelo mundo, sendo os EUA o país mais afetado.
Já o governo americano aponta que o perigo ainda é maior, já que o objetivo desse esquema é fortalecer os programas armamentistas de seu país inimigo.
John A. Eisenberg, procurador-geral adjunto para Segurança Nacional, destaca que isso poderia ser usado contra os EUA em algum momento.
“O regime desonesto da Coreia do Norte utiliza seus esquemas generalizados de trabalhadores de TI para arrecadar recursos destinados a diversos fins ilícitos, incluindo o desenvolvimento de armas que poderiam, em última instância, atingir os EUA ou seus aliados. Esses esquemas ameaçam a segurança dos sistemas de TI e dos dados dos empregadores americanos enganados, além de deixar inúmeras vítimas de roubo de identidade. A Divisão de Segurança Nacional, juntamente com nossos parceiros de aplicação da lei, utilizará todas as ferramentas disponíveis para localizar qualquer pessoa que esteja ajudando a RPDC e proteger nossa segurança nacional.”
Os dois presos acusados de envolvimento no esquema são Michael James Bostelle, da Pensilvânia, e Juan Cecilio Pena Carrillo, do Texas.
A Justiça americana afirma que a fraude teve início ainda em 2019, gerando mais de US$ 3 milhões em receitas durante o período e afetando 70 empresas americanas.
Outros nomes citados nos processos são os de Sun Sheng Ming, Pei Li Guang, Weng Shou Cheng, Han Guo Bin, Wang Jian Jun, Sheng Zhang Kun, Zhang Wei Ping, Zhang Li Ping, Yu Yang e Jin Long, todos da China. Outros dois suspeitos não tiveram seus nomes revelados.
“Eles também contaram com facilitadores baseados nos EUA, que recebiam e hospedavam vários notebooks fornecidos pelas empresas americanas vítimas do esquema em suas próprias residências, formando as chamadas “fazendas de notebooks”. Esses facilitadores armazenavam e configuravam os dispositivos, instalavam softwares de acesso remoto e transferiam os ganhos para contas controladas pela Coreia do Norte.”
Outro risco seria invasões aos sistemas dessas empresas.
EUA desmantelaram diversas fazendas de notebooks no Texas no mês passado
No mesmo comunicado, o governo americano aponta que o FBI cumpriu em setembro mandados de busca e apreensão em mais de 40 residências no Texas que eram suspeitas de funcionar como fazendas de notebooks para hackers norte-coreanos.
A operação apreendeu cerca de 187 notebooks e outros dispositivos.
No passado, os EUA já haviam realizado outras quatro ações contra a Coreia do Norte.
Finalizando, o texto aponta para recompensas de até US$ 5 milhões por informações que levem à interrupção das atividades financeiras ilícitas da Coreia do Norte.
