Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de...
Compartilhar
4 min de leitura
Capa do relatório do OCC sobre bancos restringirem acesso bancário a diversas indústria. Imagem: OCC/Reprodução.
Resumo
O OCC identificou restrições bancárias contra seis setores, incluindo criptomoedas, petróleo, carvão e armas, motivadas por razões políticas e reputacionais.
O relatório analisou cerca de 100 mil reclamações e apontou decisões bancárias inconsistentes, baseadas em critérios subjetivos de risco reputacional.
Nic Carter afirmou que o documento confirma a existência da Operação Choke Point 2.0, que teria dificultado o acesso de empresas cripto ao sistema bancário americano.
O Escritório do Controlador da Moeda (OCC), órgão regulador bancário dos EUA, publicou nesta quarta-feira (14) um documento de 47 páginas revelando que seis indústrias estavam sendo pressionadas por bancos por motivos políticos.
Isso inclui empresas de petróleo e gás, carvão, armas de fogo e munições, instalações de detenção, tabaco e cigarros eletrônicos e, obviamente, criptomoedas.
No caso das criptos, isso afetava diversos setores internos da indústria.
“ATIVIDADES RELACIONADAS A ATIVOS DIGITAIS. Muitas instituições também impunham restrições a atividades bancárias relacionadas a ativos digitais, incluindo emissores, corretoras ou administradores, frequentemente sob a justificativa de preocupações relacionadas a crimes financeiros.”
OCC reconhece que bancos estavam barrando atividades de diversas indústrias, incluindo de criptomoedas. Fonte: OCC/Reprodução.
Ainda em 2024, um executivo da Coinbase publicou um documento revelando que o governo americano proibiu diversos bancos de trabalhar com criptomoedas. Mais tarde, em 2025, o próprio governo americano reconheceu que empresas cripto foram algo da ‘Operação Choke Point 2.0’ durante o governo Biden.
“Não estávamos imaginando coisas, a Operação Choke Point 2.0 era real”, diz especialista
Em 2023, o especialista em Bitcoin Nic Carter afirmava que os EUA estavam “silenciosamente tentando banir as criptomoedas”. Na data, Carter chamava isso de “Operação Choke Point 2.0”, uma referência a outra operação de 2013, realizada durante o governo Obama, que listava diversas atividades como de alto risco, incluindo telemarketing, tabaco, dentre outras.
Após a publicação do documento pela OCC nesta semana, o especialista voltou a falar sobre o assunto em suas redes sociais.
“Relatório bombástico da OCC divulgado hoje confirma o que todos nós suspeitávamos. Entre 2020 e 2025, com base na análise de 100 mil reclamações, os maiores bancos dos EUA negaram sistematicamente serviços bancários a empresas legais por motivos políticos e reputacionais, em vez de se basearem em avaliações objetivas de risco financeiro. Na prática, colocaram-se na posição de decidir quais setores mereciam acesso ao sistema financeiro. Os ativos digitais foram citados especificamente como um dos seis setores mais afetados. Resumindo, não estávamos imaginando coisas. A Operação Choke Point 2.0 era real.”
bombshell report from the OCC out today confirming what we all suspected:
between 2020 and 2025, based on a review of 100,000 complaints, America’s largest banks systematically denied banking to lawful businesses based on political and reputational considerations rather than… pic.twitter.com/YN90ZmhJqv
Na sequência, Carter compartilha alguns trechos do documento que merecem atenção.
Dentre os destaques está um papel dos bancos como agentes de fiscalização, impondo condições baseadas em valores pessoais a empresas legais que desagradavam determinados ativistas e líderes políticos, bem como simples alegações, incluindo notícias negativas, que serviam como base para deixar de atender certos clientes.
“Inconsistência: a OCC constatou que, em resposta às políticas gerais de risco reputacional, funcionários dos bancos encaminhavam para análise adicional clientes ou potenciais clientes que defendiam opiniões controversas, consideradas fora do chamado mainstream (corrente predominante). Essas opiniões eram frequentemente associadas a um risco reputacional potencialmente maior. A OCC também constatou que as decisões tomadas nessas análises não seguiam um padrão uniforme nas transações examinadas, demonstrando o caráter subjetivo das políticas bancárias de risco reputacional, que eram ambíguas e permitiam interpretações amplas”, aponta um trecho do relatório do OCC.
Outro ponto observado foram mudanças conforme o clima político. O texto aponta que essa instabilidade pode continuar acontecendo com mudanças de governo, mesmo sem alterações na legislação.
Por fim, embora hoje a regulação do setor cripto esteja avançando sob o governo Trump, a indústria teme que essa pressão volte caso os Republicanos percam as próximas eleições.
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.