Governo americano derruba 241 domínios usados para aplicar golpes com criptomoedas

A prática é a mesma praticada em golpes de romance e/ou abate de porco, dentre outros

Henrique HK
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de...
4 min de leitura
Brooklyn. Imagem: Rodrigo Diaz/Pexels.
Resumo
  • Autoridades dos EUA derrubaram 241 domínios e 112 servidores usados em golpes de investimentos em criptomoedas que tinham falantes de russo como principais alvos.
  • Os criminosos atraíam vítimas com anúncios falsos no Facebook e, após roubar seus investimentos, aplicavam um segundo golpe prometendo recuperar o dinheiro perdido.
  • A Promotoria do Brooklyn informou ter confiscado cerca de US$ 300 mil em criptomoedas, mas ainda não divulgou o prejuízo total causado pelo esquema.

A Promotoria do Brooklyn anunciou nesta quarta-feira (14) o desmantelamento de uma infraestrutura de golpe com criptomoedas que tinha membros da comunidade russa nos EUA como alvos. A ação contou com a ajuda do FBI e, no total, 112 servidores e 241 domínios foram derrubados.

No texto, as autoridades chamam a operação de “uma das maiores operações cibernéticas já realizadas por uma promotoria local”.

Antes disso, a Unidade de Criptomoedas da Promotoria (VCU, na sigla inglesa) já havia desativado 400 domínios também ligados a golpes do tipo. No entanto, os golpistas retornavam suas operações através de novos sites.

Brooklyn possui uma grande comunidade russa, revela Promotoria

Conhecido por sua vasta população e diversidade cultural, o distrito do Brooklyn, em Nova York, abriga uma grande comunidade russa. Portanto, embora esses golpes estivessem atingindo outros locais, a Promotoria do Brooklyn aponta que seus moradores foram afetados desproporcionalmente em comparação com o restante do país.

Eric Gonzalez, promotor do Brooklyn, destaca que criminosos não estão fora do alcance das autoridades, mesmo que estejam do outro lado do mundo.

“Esses criminosos roubaram muitos milhões de dólares de vítimas que falam russo por meio de um elaborado esquema de investimentos e, depois, tentaram explorá-las novamente com falsas promessas de recuperar o dinheiro. Nossa inovadora Unidade de Criptomoedas identificou a fraude, rastreou as criptomoedas roubadas, avançou na investigação ao descobrir a infraestrutura por trás da operação e trabalhou com o FBI para desmantelá-la. Ao interromper o funcionamento de mais de 100 servidores e centenas de sites fraudulentos, atingimos o núcleo dessa organização criminosa e tornamos muito mais difícil que esses golpistas façam novas vítimas.”

Explicando como os golpistas operavam, as autoridades afirmam que eles utilizavam endereços de IP na Ucrânia e em outros países do Leste Europeu.

Embora outras operações já tivessem sido aplicadas contra o grupo, o comunicado aponta que, desta vez, 112 servidores em nuvem foram derrubados.

“Com isso, os golpistas perderam o acesso aos dados que alimentavam os domínios, às informações das vítimas e aos softwares utilizados na operação. […] A interrupção da infraestrutura que sustentava a operação impede os golpistas de criar rapidamente novos sites e entrar em contato com vítimas anteriores.”

Suspeitos aplicam um novo golpe após o primeiro

Em suma, os golpistas publicaram anúncios em russo no Facebook oferecendo oportunidades de investimento. Quando uma vítima em potencial entrava em contato, ela recebia uma ligação de um suposto consultor de investimentos que falava russo.

Na sequência, a vítima era orientada a criar uma conta em uma falsa plataforma de investimentos em criptomoedas, e os depósitos acabavam nas carteiras dos golpistas.

“Depois de ‘investirem’ por várias semanas ou meses, eles tentavam sacar o dinheiro, mas perdiam o acesso às contas ou eram informados de que precisavam pagar taxas e impostos adicionais.”

A prática é a mesma praticada em golpes de romance e/ou abate de porco, dentre outros. No total, as autoridades conseguiram confiscar cerca de US$ 300.000 até o momento, mas não há informações sobre as perdas totais.

Além disso, as autoridades também apontam que os criminosos mantinham um segundo esquema, no qual eles ofereciam uma falsa promessa de recuperação de criptomoedas, aproveitando-se da fragilidade das vítimas que já haviam perdido dinheiro.

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Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.
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