Ledger confirma que suas carteiras foram fisicamente alteradas e afirma que a ameaça afeta todo o setor

Fotos e vídeos mostrando dispositivos afetados podem ser encontrados nas redes sociais

Henrique HK
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de...
5 min de leitura
Ledger confirmou um caso na Europa, reconhecendo que problema vai além do Sudeste Asiático. Imagem: Ledger/Redes sociais.
Resumo
  • Ledger confirmou que carteiras foram adulteradas fisicamente antes de chegar aos clientes, incluindo casos na Europa.
  • Implantes instalados nos dispositivos podem capturar frases de recuperação e transmiti-las por LTE, segundo a investigação.
  • - Ledger Nano X e Ledger Flex estão entre os modelos apontados como afetados, enquanto as perdas estimadas pela comunidade superam US$ 87 milhões.

A Ledger, uma das maiores fabricantes de carteiras de hardware de criptomoedas do mercado, confirmou que seus dispositivos sofreram alterações físicas antes de chegarem aos endereços de seus clientes.

Na última sexta-feira (9), a empresa disse estar investigando relatos de perdas de milhões de dólares em criptomoedas por usuários que compraram suas carteiras de um revendedor do Sudeste Asiático. No entanto, hoje reconhecem que o problema também pode ter afetado clientes da Europa.

Nas redes sociais é possível ver diversas pessoas abrindo suas carteiras da Ledger para mostrar como o ataque era realizado.

Fabricante de carteiras de criptomoedas pede que usuários não configurem seus dispositivos

Em uma primeira nota, publicada no domingo (11), a Ledger afirmou que todos os casos confirmados estavam ligados a dispositivos vendidos pela CryptoBilis, uma revendedora oficial do Sudeste Asiático. A empresa também afirmou que seus sistemas e canais de vendas diretas permanecem intactos.

“Estamos intensificando esses esforços, e incidentes como este reforçam nosso compromisso de revisar os controles sobre revendedores autorizados, avançar nas proteções de hardware e cooperar com as autoridades. Agradecemos à @SEAL_911 pelo apoio e por todos os esforços conjuntos. Essa ameaça contínua não afeta apenas a Ledger, mas todo o ecossistema. Por isso, estamos convocando outras empresas do setor a trabalhar conosco para implementar melhorias em benefício dos usuários.”

Finalizando o tuíte, a companhia recomenda que usuários que compraram seus dispositivos da CryptoBilis não configurem suas carteiras e, caso já tenham feito isso, movam seus fundos para uma nova carteira.

Já nesta terça-feira (13), a empresa publicou duas novas atualizações sobre o incidente, reconhecendo que dispositivos vendidos por outro revendedor também podem ter sido afetados.

“Em 13 de outubro, a MediaMarkt Saturn suspendeu, em acordo com a Ledger, a venda de dispositivos da marca em suas lojas físicas e online enquanto a investigação continua, após um cliente na Alemanha relatar a presença de um implante. Nenhuma perda de fundos foi relatada.”

Assim como no caso da CryptoBilis, a MediaMarkt aparece entre os revendedores oficiais no site da Ledger.

MediaMarkt vende carteiras da Ledger na Alemanha, Áustria, Itália e Espanha.

Como o ataque da Ledger foi realizado

A própria Ledger confirmou que os atacantes colocaram peças dentro de suas carteiras com o objetivo de ler as informações que apareciam na tela do dispositivo, incluindo frases sementes que davam controle aos fundos dos usuários.

“Durante a configuração, o dispositivo exibe a frase de recuperação de 24 palavras. Quando o implante detecta essas telas, seu microcontrolador decodifica as palavras e as transmite por LTE, usando um eSIM previamente configurado. O implante é um componente separado. Ele não modifica o Secure Element nem o sistema operacional da Ledger, e não altera transações ou assinaturas.”

A empresa afirma não ter confirmado o número total de usuários afetados, tampouco valores perdidos.

A comunidade estima que as perdas ultrapassem a faixa dos US$ 87 milhões. Como comparação, cerca de US$ 112,7 milhões foram perdidos no recente incidente com as carteiras Coldcard, que possuíam uma falha crítica na geração das chaves privadas.

Também no X, antigo Twitter, diversos usuários compartilharam fotos dos dispositivos afetados abertos, mostrando fios e módulos inseridos pelos criminosos.

Mark Karpelès, ex-CEO da falida corretora Mt. Gox, afirma que os modelos Ledger Nano X e Ledger Flex estão entre os afetados.

“Está claro que os implantes da Ledger evoluíram bastante nos últimos meses, com o objetivo de melhorar a discrição, a confiabilidade e a facilidade de instalação. Os implantes mais antigos exigiam muito mais trabalho para serem instalados, e alguns pontos de solda serviam apenas para facilitar o posicionamento. Já o implante mais recente tem furos para os capacitores de montagem em superfície.”

Por fim, não há informações sobre outras fabricantes de carteiras passando pelo mesmo problema. No entanto, o caso da Ledger é mais uma preocupação para investidores que fazem a autocustódia de suas criptomoedas.

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Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.
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