A Mastercard (NYSE: MA) apresentou na segunda-feira (19) uma nova ferramenta de inteligência para monitorar riscos em pagamentos com stablecoins. O lançamento do sistema chamado Stablecoin Security ocorreu durante a conferência Money20/20 USA em Las Vegas.
Essa tecnologia combina dados do setor de pagamentos com análises de blockchain para proteger instituições financeiras. Bancos conseguem identificar fraudes, golpes e sanções internacionais antes mesmo da movimentação dos valores na rede.
As empresas Borderless.xyz e Keyrails participam da estreia do projeto como parceiras comerciais iniciais. O cronograma oficial prevê o início das atividades na América do Norte e a expansão global em 2027.
Estudo sobre Ethereum motiva criação de barreira contra crimes financeiros
Um levantamento técnico de 2025 analisou 593 milhões de transferências de stablecoins dentro de 141 milhões de transações na Ethereum. Os dados revelaram que quase 60% das movimentações envolviam múltiplas etapas complexas em vez de envios diretos entre duas partes.
Tal complexidade dificulta o rastreio de riscos pelos bancos no pagamento de fornecedores e na liquidação de comércio exterior. Para fechar essa lacuna, a gigante dos cartões uniu seu histórico de prevenção a fraudes ao monitoramento de criptoativos.
A vice-presidente executiva de soluções de segurança da companhia, Ann Johnson, destacou a urgência de controles rigorosos para o setor bancário. Segundo a executiva, a convergência de informações garante maior confiança para as instituições operarem com moedas estáveis.
“As stablecoins criam novas possibilidades para a troca de valor, mas as instituições financeiras precisam da inteligência e dos controles certos para participar com confiança. Ao unir percepções de pagamentos e de blockchain, o Stablecoin Security estende as capacidades de fraude e risco da Mastercard para os pagamentos com criptoativos e oferece às instituições uma visão mais clara do risco para tomar decisões mais informadas e construir maior confiança.” — Ann Johnson, vice-presidente executiva de Soluções de Segurança da Mastercard.
Exportação de café do Brasil ilustra funcionamento prático do sistema
O software opera por meio de uma interface de programação de aplicações (API) compatível com diferentes plataformas do mercado. A ferramenta avalia a origem do dinheiro, o contexto da transação e a exposição a listas de restrições internacionais.
Pouco antes da conclusão do envio, o mecanismo gera uma nota de risco integrada aos fluxos de conformidade já existentes no banco. Dessa maneira, as instituições financeiras processam remessas em stablecoins sem a necessidade de criar um setor de risco separado.
Como exemplo prático de uso, a empresa citou a compra de grãos de um fornecedor no Brasil por uma cafeteria de Boston. Na simulação, o banco norte-americano utiliza stablecoins para acelerar a transferência internacional de fundos ao exportador brasileiro.
Antes da saída do capital, o sistema analisa os sinais da operação na blockchain e autoriza o prosseguimento seguro da remessa. Por fim, o produtor no Brasil recebe os tokens e converte o saldo para a moeda local com total segurança.
O novo produto soma forças às ferramentas Mastercard Crypto Credential e Crypto Secure no portfólio de segurança da marca.
