JPMorgan afirma que Bitcoin pode apresentar retornos maiores que todos os outros ativos na próxima década

Mudança de visão do JPMorgan sobre o Bitcoin chamou a atenção da comunidade

Henrique HK
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de...
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Banco é conhecido por criticar o Bitcoin, mas agora aponta que criptomoeda pode superar todos os outros ativos analisados em seu relatório. Imagem: Adharsh Ve/Pexels.

O JPMorgan publicou nesta terça-feira (20) um relatório apontando que o Bitcoin pode superar todos os outros ativos analisados na próxima década. Dentre eles estão ações americanas e de mercados emergentes, títulos públicos e corporativos, ouro, fundos imobiliários e fundos de hedge.

Apesar disso, o banco aponta que a alta volatilidade da criptomoeda continua sendo um obstáculo para a sua inclusão em carteiras de investimento.

“Como resultado, acreditamos que ainda é prematuro considerar o BTC um diversificador em uma carteira equilibrada. No entanto, isso pode mudar no futuro caso a volatilidade continue diminuindo e as correlações com outros ativos se estabilizem, especialmente à medida que a regulamentação se torne mais clara e a liquidez e a formação de preços continuem melhorando.”

No passado, Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, já afirmou tanto que o Bitcoin não possui valor intrínseco quanto que a criptomoeda é um golpe.

Independentemente disso, o banco lançou a sua própria stablecoin lastreada no dólar americano e, nesta semana, passou a oferecê-la na rede Ethereum.

Tudo isso mostra como o banco está mudando sua postura em relação ao Bitcoin e outras criptomoedas do mercado. O motivo pode ser o amadurecimento do setor, bem como a visão de outros gigantes do mercado, incluindo gestoras e bancos rivais.

JPMorgan diz que Bitcoin é a âncora do ecossistema cripto

Explicando que o banco ainda não defende o Bitcoin como um diversificador de carteiras, Dr. Sheena Shah, gestora de portfólio, Renda Fixa Global, Moedas e Commodities do JPMorgan, reconhece que investidores estão cada vez mais interessados nas criptomoedas.

Um dos motivos citados é o crescimento da infraestrutura em torno desse mercado, incluindo ETFs, contratos futuros, ações, empresas cripto listadas em bolsa, serviços de custódia de nível bancário e mercados de financiamento. Nesta segunda-feira (19), por exemplo, a NCA publicou um relatório apontando que 42% dos americanos preferem abrir contas em bancos que ofereçam criptomoedas.

Além disso, o banco também aponta que o Bitcoin nasceu como uma forma de pagamento, mas evoluiu para um ativo de reserva por conta de sua escassez.

“Com mais de 60 milhões de moedas e tokens, o bitcoin é a âncora do ecossistema cripto, oferecendo segurança nas transações, longevidade, maior clareza regulatória e liquidez.”

Como comparação, o banco nota que as criptomoedas estão avaliadas em US$ 2,5 trilhões, aproximadamente o mesmo tamanho do mercado de ações da Suíça.

Maior banco do mundo afirma que Bitcoin pode superar todos os ativos na próxima década

Seguindo, o JPMorgan analisa três pontos para avaliar os ganhos potenciais do Bitcoin nos próximos 10 anos.

Isso inclui o crescimento de sua oferta em comparação com o dólar e a oferta monetária global, a visão do mercado de que a criptomoeda será um complemento ao ouro para investidores e, por fim, a adoção da rede.

O resultado são três cenários. Enquanto o pessimista projeta uma queda anual de 11,2%, o otimista aponta para uma alta de 16,6% ao ano e o cenário base para um crescimento de 10%.

“Devido à correlação histórica instável do BTC com outros ativos, além de sua volatilidade muito elevada, não incluímos o BTC em nossas principais matrizes de covariância. Em vez disso, apresentamos uma versão resumida e independente para fins ilustrativos.”

Bitcoin aponta que Bitcoin pode superar outras classes de ativos, incluindo ações, ouro e fundos imobiliários. Fonte: JPMorgan/Reprodução.

Mesmo assim, o banco volta a dizer que o Bitcoin é muito volátil, mas uma maior clareza regulatória e melhorias contínuas na profundidade do mercado, na liquidez e na formação de preços podem mudar a sua opinião.

Comunidade reage nas redes sociais

Conforme o JPMorgan sempre foi um dos maiores críticos do Bitcoin, especialmente seu CEO Jamie Dimon, a comunidade se mostrou surpresa com o relatório e reagiu nas redes sociais.

Como exemplo, Matt Hougan, CIO da Bitwise, apontou que, cedo ou tarde, todos se renderão ao Bitcoin.

“Primeiro eles te ignoram, depois riem de você, depois lutam contra você, e então te incluem no relatório de premissas de longo prazo dos mercados de capitais e preveem que você será o ativo com melhor desempenho da próxima década.”

“Eu sei, eu sei. Eles fazem várias ressalvas e dizem que o ativo ainda está amadurecendo. Mesmo assim, é incrível ver isso”, completou o executivo.

Por fim, vale lembrar que até mesmo Michael Saylor, fundador da Strategy, já afirmou em 2013 que os dias do Bitcoin estavam contados. Atualmente, sua empresa mantém cerca de US$ 70 bilhões na criptomoeda.

Tais mudanças de opinião refletem tanto o amadurecimento do setor quanto a própria humildade desses gigantes.

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Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.
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