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Polícia Civil apreende US$ 1,7 milhão em criptomoedas no maior confisco de autocustódia do Brasil

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A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) executou a apreensão histórica de cerca de US$ 1,7 milhão em criptomoedas guardadas em carteiras de autocustódia. O marco ocorreu no âmbito da Operação ClickFix para frear uma rede especializada em fraudes financeiras de alta tecnologia.

A ação foi deflagrada pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI/DEIC) e recebeu a divulgação oficial da PCSC na quarta-feira (7). O fato consolida um avanço técnico nas apurações envolvendo a custódia privada de ativos digitais pelas autoridades policiais estaduais.

O montante apreendido em criptomoedas ultrapassa a marca de R$ 8,7 milhões de acordo com a taxa de conversão adotada pelas equipes. A corporação catarinense apontou este caso como o maior confisco do tipo já executado por polícias estaduais em território nacional.

Pelo LinkedIn, o agente Eduardo Graebin compartilhou mais detalhes da operação envolvendo o bloqueio de Bitcoin, Tron e outras criptomoedas.

“Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão foram localizadas 4 seed phrases e, em tempo real, foi necessário importar e analisar as carteiras, identificar ativos em diferentes endereços e blockchains e executar 13 transações de transferência e apreensão, conduzindo os fundos para a conta institucional da Polícia Civil de Santa Catarina na Foxbit, onde passaram à custódia estatal“, explicou o agente.

“Ao todo, foram apreendidos criptoativos em BTC, ETH, TRX e USDT que, somados, totalizaram aproximadamente US$ 1.708.534,00 — equivalentes a cerca de R$ 8.781.864,00, considerando a cotação dos ativos digitais no dia da apreensão“, destacou Graebin.

Ele ainda comentou que o rastreio revelou mais de R$ 1 milhão escondidos que poderiam ter passado batido se não houvesse a devida conferência com software especializado.

“O trabalho técnico revelou ainda um resultado particularmente importante: por meio do Wallet Scan, da Chainalysis, foi possível localizar aproximadamente US$ 218 mil adicionais em criptoativos — cerca de R$ 1,12 milhão — que poderiam não ter sido identificados caso a análise tivesse se limitado às informações apresentadas pelos softwares convencionais de carteira“, disse o agente que atuou na operação.

Ação também bloqueou contas bancárias, veículos de luxo e imóveis milionários: R$ 93 milhões em bancos

A operação cumpriu dezessete mandados de busca e apreensão e executou ordens de prisão contra dois dos líderes da organização criminosa. A ação ocorreu ainda no dia 10 de setembro com o apoio das polícias civis de São Paulo e Rio Grande do Sul.

O confisco total alcançou o bloqueio judicial de até R$ 93 milhões em contas bancárias operadas pelos suspeitos investigados na ação policial. A Justiça bloqueou o patrimônio de R$ 5 milhões em imóveis urbanos e apreendeu veículos esportivos, incluindo um modelo Corvette.

“Durante as invasões conduzidas pelo grupo, foram acessadas credenciais de diversos órgãos públicos brasileiros, incluindo sistemas de forças policiais e do Poder Judiciário, além de dados sensíveis de empresas que compõem a cadeia de suprimentos do mercado financeiro“, disse a PCSC em nota.

Os investigadores transferiram os criptoativos da organização criminosa diretamente para as contas institucionais operadas pela polícia de Santa Catarina, sob a custódia da corretora Foxbit. O rastreio técnico dos fundos recebeu suporte operacional de consultores especializados e analistas de blockchain da empresa Chainalysis.

Gustavo Bertolucci

Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.

Autor:
Gustavo Bertolucci