A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, com apoio da Polícia Civil de São Paulo, desarticulou nesta quarta-feira (28) uma quadrilha acusada de lavar dinheiro de um golpe de R$ 300 mil por meio de criptomoedas. Equipes da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas e agentes paulistas cumpriram três ordens de prisão temporária e seis mandados de busca e apreensão na capital paulista.
Durante a fase de ocultação do patrimônio roubado, o grupo converteu cerca de R$ 46 mil na compra de Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH).
Parte do valor seguiu depois para carteiras privadas de custódia e contas no exterior para escapar do sistema de bloqueio judicial do Banco Central.
Segundo os investigadores, o crime começou no final de abril após os golpistas abordarem a vítima sob o disfarce de agentes de segurança e operadores de grandes bancos. Mediante forte pressão psicológica ao longo de catorze dias, os criminosos simularam um cenário de risco e induziram o titular a autorizar diversas transferências bancárias.
Estrutura empresarial dividia chamadas de extorsão e pulverização de valores
O inquérito policial apontou que a abordagem começou como uma fraude eletrônica corporativa e logo evoluiu para uma extorsão velada até esvaziar os saldos da vítima. Toda a engrenagem criminosa funcionava como uma empresa dividida em dois setores com tarefas rígidas para garantir o sucesso das investidas.
No núcleo operacional, integrantes conduziam as ligações telefônicas com narrativas falsas para manter o alvo sob manipulação contínua durante duas semanas. Já o braço financeiro utilizava uma rede de contas de laranjas, tanto de pessoas físicas quanto jurídicas, para fracionar e pulverizar o dinheiro em poucos segundos.
Essa manobra conhecida no mercado financeiro pelo termo em inglês smurfing impedia o rastreamento imediato das transações pelos mecanismos de segurança bancária.
Logo na sequência, a transferência dos criptoativos para carteiras próprias cortava o vínculo dos recursos com os cadastros obrigatórios de identificação de clientes (KYC) de corretoras e bancos.
“Golpe digital hoje é crime organizado com estrutura empresarial e blindagem em criptoativos. A Polícia Civil está atenta a essas novas modalidades e responde com rastreamento de ativos, cooperação interestadual e asfixia financeira.” — Cristiano Reschke, delegado e diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana.

Com a identificação dos envolvidos pela equipe gaúcha, o Poder Judiciário autorizou o bloqueio de contas bancárias dos suspeitos ao lado das prisões em São Paulo.
Por fim, os investigados detidos na operação responderão pelos crimes de estelionato qualificado, extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
