A tensão envolvendo a alta cúpula da Brasil Bitcoin ganha mais um episódio com Erick Crus (sócio com 40% das cotas da corretora que teve pedido de expulsão protocolado) indicando que a plataforma tem se envolvido com Danilo Dubaiano, foragido do Brasil por ter criado a pirâmide financeira D9 Club, uma das primeiras a lesar brasileiros com promessas de rendimentos atreladas ao Bitcoin.
De acordo com Crus, os administradores Jorge de Almeida Alves e Marco Vinicius Castellari conheceram Danilo Vunjão Santana Gouveia, o “Danilo Dubaiano”, em um evento em Dubai, voltado ao mercado de criptomoedas.
Na rede social Instagram, os administradores chegaram a publicar fotos e vídeos de sua participação no evento Token 2049 Dubai, em 2025. Durante a estadia no país, ele tiraram uma foto a bordo de um barco com Danilo Dubaiano, que segundo sócio, estreitou laços que Crus não concordava.

De qualquer forma, o empresário que enfrenta uma possível expulsão ainda revelou que Dubaiano comprou parte da empresa ShielID como sócio majoritário, outro negócio que os sócios criaram e não vinculado com a Brasil Bitcoin e que Erick diz não ter participado até a venda, visto que antes se chamava B8Safe.
Contudo, quando Crus descobriu que pessoas ligadas a Dubaiano operavam na Brasil Bitcoin, pediu a exclusão dos investidores devido ao risco.
“Em novembro de 2025, operações de pessoas ligadas a Danilo na corretora foram levadas por escrito aos três sócios, com a recomendação de apuração interna e de comunicação às autoridades. Erick concordou na hora e pediu, por escrito, que qualquer pessoa ligada a Danilo fosse banida da operação. Os administradores não concordaram, e a comunicação não foi feita“, relata.
Com uma base de clientes estimada em 700 mil investidores, a corretora ainda conta com apoio de marketing do influencer Renato Cariani, com mais de 11 milhões de seguidores só no Instagram.

Bastidores: o acordo de fevereiro de 2026 envolveu troca de administrador e proibição de vínculo com empresa de apostas de Dubaiano
Em relato exclusivo ao Livecoins, o sócio Erick se manifestou via assessoria e revelou a existência de um acordo entre os empresários, firmado em fevereiro de 2026, quando eles prometeram não ter vínculos com Dubaiano. Este último é um dos donos da bet Gorillas Group, em um setor que entrou na mira do Governo Lula que mandou proibir todas as casas de apostas no Brasil.
“Em 9 de fevereiro de 2026, os três sócios assinaram um acordo de sócios. Erick deixou a administração, que passou a ser exercida com exclusividade por Jorge e Marco.
Em troca, os administradores assumiram regras escritas: proibição de qualquer negócio entre a Brasil Bitcoin e o grupo de apostas ligado a Danilo, segregação total entre a corretora e a empresa de validação de identidade dos administradores, prevalência das políticas de compliance e de prevenção à lavagem de dinheiro sobre qualquer interesse comercial, segregação do patrimônio dos clientes, unanimidade para dispor de bens da empresa e proibição de os administradores exercerem atividade concorrente. O acordo prevê que todas essas obrigações são irrevogáveis e sujeitas a execução específica“, diz release enviado para o Livecoins, que não obteve acesso ao acordo na íntegra.
Além disso, o comunicado enviado ao Livecoins cita que Crus informou aos administradores que o dono de uma empresa alvo da PF durante a Operação Narco Fluxo seguiu operando na corretora sem uma reavaliação de vínculo, mesmo após ele ser preso. Em abril de 2026, a polícia prendeu nesta operação os então suspeitos MCs Ryan SP, Poze do Rodo e o dono da página de fofocas Choquei, Raphael Sousa.
“Entre os fatos que Erick comunicou à Polícia Federal, em notícia-crime de 7 de outubro, está a continuidade, depois da operação, das operações na corretora de um cliente cujo apontado dono foi preso nela, sem que o relacionamento fosse reavaliado. Por dever de sigilo, o sócio não divulga dados de clientes: os detalhes estão com as autoridades“, diz a informação compartilhada com a reportagem.
O que diz Erick Crus?
“Nunca concordei com esses negócios. Quando o nome do Danilo apareceu, em novembro do ano passado, pedi por escrito que qualquer pessoa ligada a ele fosse banida da corretora. Em fevereiro, assinamos um acordo para separar a Brasil Bitcoin dessas conexões.
Oito meses depois, pedi apuração, e a resposta foi demitir o compliance, pautar a minha exclusão e passar o domínio da empresa para outra corretora dos administradores. Levei tudo às autoridades. A Brasil Bitcoin e os seus clientes não se confundem com os atos de quem a administra”, diz Erick Crus, sócio de 40% da Brasil Bitcoin, via assessoria.
O que diz a assessoria da Brasil Bitcoin?
A reportagem do Livecoins procurou a assessoria da Brasil Bitcoin para entender as acusações contra os outros sócios do negócio. Em nota, eles indicaram que não compactuam com atividades ilícitas e rejeita associações que coloquem em dúvida a integridade do negócio.
“A Brasil Bitcoin não compactua com atividades ilícitas e rejeita tentativas de associação que busquem colocar em dúvida a integridade da instituição e de seus administradores.
A instituição reafirma seu compromisso com o cumprimento da legislação e com as exigências regulatórias aplicáveis ao setor, no contexto da implementação da regulação pelo Banco Central.
Eventuais questionamentos sobre acusações de irregularidades serão tratados com seriedade, e os esclarecimentos cabíveis serão prestados às autoridades competentes, pelos canais apropriados e respeitando o sigilo legal das informações“, finalizou a nota completa enviada para a reportagem.
