O Departamento de Justiça dos EUA (DoJ) anunciou nesta sexta-feira (6) uma ordem que impede a corretora de criptomoedas MEXC Global de acessar o sistema financeiro americano. A punição ocorre após denúncias de que a empresa moveu US$ 16 bilhões em transações ilícitas relacionadas a evasões de sanções ligadas ao Irã, à Coreia do Norte e à Rússia.
Dados do SimilarWeb mostram que a corretora teve 18 milhões de visitas no mês de setembro. A maior parte do tráfego vem do Uzbequistão, Paquistão, Índia, Filipinas e Singapura.
Já o CoinMarketCap coloca a MEXC entre as 10 maiores corretoras de criptomoedas do mundo, ficando entre KuCoin e HTX.
O que diz o Departamento de Justiça americano?
A Rede de Combate a Crimes Financeiros (FinCEN) nota que a MEXC Global foi fundada em 2018 e processou mais de US$ 1 bilhão em transações diárias no último mês de setembro, mantendo cerca de US$ 5 bilhões em suas reservas.
O texto afirma que a corretora possui políticas de combate à lavagem de dinheiro e de identificação de clientes, incluindo proibições contra o uso de seus serviços por investidores do Irã e Coreia do Norte. No entanto, também aponta que seus sistemas tinham graves deficiências, que permitiram o contorno dessas sanções.
“Entre maio de 2021 e maio de 2026, a MEXC Global facilitou a movimentação de pelo menos US$ 16 bilhões em recursos relacionados à evasão de sanções, crimes cibernéticos e outras atividades ilícitas. Isso inclui quase US$ 1,5 bilhão em transações relacionadas à evasão de sanções russas, entre elas US$ 232 milhões em operações diretas com entidades sancionadas pelos Estados Unidos, pela União Europeia e pelo Reino Unido. Por esse motivo, a MEXC Global foi classificada como uma das principais preocupações em matéria de lavagem de dinheiro relacionada a atividades financeiras ilícitas russas.”
As autoridades americanas notam que a MEXC processou transações com a Garantex, derrubada pelos EUA, mas reaberta logo em seguida com o nome de Grinex, bem como envolvimento com as entidades A7 e A7A5 da Rússia, também sancionadas pelos EUA.
Seguindo, também é mencionado que a corretora processou cerca de US$ 1 bilhão em transações de criptomoedas para mais de 40 corretoras iranianas, bem como para o próprio Banco Central do Irã e para o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), todos sancionados pelos EUA e seus aliados.
Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, comentou que instituições financeiras não podem ficar em cima do muro.
“Ou vocês apoiam o regime iraniano, ou têm acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos. O Tesouro continuará cortando as fontes de financiamento econômico do regime iraniano e impedindo suas tentativas desesperadas de contornar as sanções americanas por meio de ativos digitais.”
Finalizando, a decisão proíbe que instituições financeiras americanas realizem transferências de recursos de ou para a MEXC Global. Isso inclui, obviamente, corretoras de criptomoedas que trabalham no país.
MEXC afirma estar ciente das acusações
Em nota publicada em suas redes sociais, a MEXC disse estar ciente da ordem emitida pelo Departamento de Justiça e estará analisando cuidadosamente a medida em conjunto com suas equipes jurídicas e de compliance.
“A MEXC continua operando normalmente, e os ativos dos usuários permanecem seguros. Levamos a sério as preocupações levantadas e pretendemos manter um diálogo construtivo com a FinCEN, assim como com outros órgãos reguladores e autoridades competentes em todo o mundo. Também iniciamos uma revisão independente de nossos controles de prevenção à lavagem de dinheiro (AML) e de cumprimento de sanções. Continuaremos acompanhando a situação de perto e divulgaremos novas atualizações por meio de nossos canais oficiais.”
A MEXC está entre as empresas que entraram com um pedido de licença ao Banco Central do Brasil para operar no país.
