O prazo para que as empresas de criptomoedas que já operavam no Brasil pedissem autorização ao Banco Central do Brasil (BCB) para continuar funcionando terminou na última sexta-feira (30). O resultado é um mercado bem menor e mais concentrado.
Conforme o BCB não divulgou uma lista oficial até o momento, as informações sobre pedidos partem das próprias empresas interessadas por seus canais oficiais de comunicação.
Estimativas iniciais apontam para até 75 nomes com pedidos, contra ao menos 15 que estão deixando o mercado brasileiro. No entanto, ainda é preciso aguardar a análise do BCB sobre cada pedido, o que pode levar até cerca de três anos.
Muitas empresas deixaram seus pedidos para a última hora
Embora não exista uma lista pública com o nome de todas as empresas que realizaram um pedido para continuar operando no Brasil, muitas delas se posicionaram sobre o assunto somente nas últimas semanas.
O principal exemplo é a Binance, que protocolou seu pedido somente no dia 23 de outubro, há sete dias do fim do prazo.
Outras grandes corretoras internacionais seguiram os mesmo passos. Isso inclui OKX, Ripio, Bybit, Coinbase, Kraken e Bitget.
Entre as corretoras nacionais, os destaques ficam para Mercado Bitcoin, Foxbit, Brasil Bitcoin, Liqi e Transfero. Empresas de stablecoins e pagamentos, como Crown, Lumx, Bloquo, Nonco, Avenia e NoxPay, também teriam entrado com pedidos.
Já os bancos seguem um caminho diferente. Por já serem autorizados pelo BCB, eles fazem uma comunicação formal em vez de um pedido completo. Nomes como Itaú, Bradesco, Nubank, Inter, BTG Pactual e Banco BS2 estão nesse grupo. A B3 também divulgou a intenção de atuar no setor.
| Grupo | Principais nomes |
| Exchanges globais | Binance, Coinbase, OKX, Bybit, Kraken, Bitget, Ripio, Coins.xyz |
| Exchanges e fintechs brasileiras | Mercado Bitcoin, Foxbit, Brasil Bitcoin, Transfero, Liqi, Onda Finance |
| Stablecoins e pagamentos | Crown, Lumx, Bloquo, Nonco, Avenia, NoxPay, TCR |
| Bancos e instituições já autorizadas | Itaú, Bradesco, Nubank, Inter, BTG Pactual, Banco BS2 |
Mercado brasileiro está encolhendo
Do outro lado, uma série de empresas preferiu não enfrentar o processo de autorização. A mexicana Bitso encerrou o atendimento direto a pessoas físicas no Brasil e transferiu esses clientes para o Mercado Bitcoin, mantendo apenas a operação institucional.
A Bitypreço, que segundo a própria empresa tinha cerca de 850 mil usuários, decidiu não pedir licença e ofereceu migração para o Mercado Bitcoin e a Bipa. Já a Digitra.com e a NovaDAX indicaram a Foxbit aos seus clientes.
Enquanto a Coinext encerrou a exchange de varejo, e Lemon e Bitnuvem também deixaram o mercado.
Empresas estrangeiras com serviços pontuais no país também recuaram.
A Revolut encerrou apenas a parte de cripto e manteve os demais serviços. Nesta semana, a Uphold anunciou sua saída do Brasil e a Oobit enviou um e-mail para seus clientes brasileiro informando sobre o encerramento de suas contas.
Seguindo, a Crypto.com acabou com a conta em reais, mas segue oferecendo cripto.
| Empresa | O que fez | Prazo para o cliente |
| Revolut | Encerrou só o serviço de cripto | Venda manual até 24/11; em 25/11 o saldo é vendido e creditado em dólar |
| Bity | Não pediu licença; migração para Mercado Bitcoin e Bipa | Migração até 18/11; saque de cripto até 25/11; conversão em reais em 27/11 |
| Oobit | Saída para residentes no Brasil | Contas encerradas em 29 ou 30/11 (fontes divergem) |
| Uphold | Saída do Brasil | Saque até 30/11, depois conversão para USDC |
| Bitso | Varejo transferido ao Mercado Bitcoin | Contas fechadas a partir de 31/10 |
| NovaDAX | Saída; indicou a Foxbit | Saque de cripto até 30/10, depois conversão em reais |
| Coinext | Fim da exchange de varejo | Conversão em reais a partir de 26/10; histórico até 30/11 |
| Digitra.com | Não pediu licença; indicou a Foxbit | Saque de reais até 19/10 |
| Crypto.com | Fim da conta em reais | Sem depósitos e saques em reais desde 25/10 |
| Lemon | Saída do Brasil | Contas excluídas em 16/10 |
Algumas empresas conhecidas não confirmaram pedido nem saída
Clientes de gigantes como KuCoin, MEXC e BingX ainda não receberam uma nota oficial das empresas.
As emissoras de stablecoins Tether, Circle e Paxos também não têm pedido identificado, embora Circle e Paxos tenham estrutura no Brasil.
O BCB já recusou um pedido. A Higherway Tech Soluções, que opera como Higher Global Payments, teve a autorização negada em decisão publicada no Diário Oficial da União em 28 de setembro, mas o regulador não divulgou o motivo.
Um mercado menor e mais concentrado
As Resoluções 519, 520 e 521 do BCB, publicadas em novembro de 2025 e em vigor desde fevereiro, criaram a figura da Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV). Para obter a licença, as empresas precisam cumprir exigências de capital mínimo, governança, controles internos, prevenção à lavagem de dinheiro e segurança cibernética.
O custo dessas exigências pesou na decisão de muitas empresas. A Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto) estima que o mercado reunia cerca de 200 empresas antes da regulação. Se o número final de pedidos ficar perto de 50, como projetam pessoas que acompanham o setor, a redução seria de aproximadamente 75%.
A consolidação já aparece no destino dos clientes. O Mercado Bitcoin recebeu as bases da Bitso e da Bitypreço e foi indicado pela Coinext. A Foxbit foi indicada por NovaDAX e Digitra.com.
Na prática, o varejo cripto brasileiro tende a ficar concentrado em poucas plataformas que solicitaram uma licença. Essas barreiras também devem dificultar a entrada de novos players no setor.
O que vem agora
Quem já operava e não protocolou o pedido tem até 30 dias após o fim do prazo para encerrar as atividades, ou seja, até o fim de novembro. Quem protocolou pode continuar operando enquanto o processo é analisado.
Há uma dúvida importante sobre a data de 6 de novembro. Isso porque a Resolução 589 do BC proíbe bancos e instituições de pagamento de manter negócios com prestadoras de ativos virtuais não autorizadas a partir desse dia.
Conforme a análise dos pedidos deve ser longa, isso pode fazer com que essas empresas tenham dificuldade com seus bancos, caso não exista uma exceção à regra.
Para empresas que já estavam em atividade, o BC tem até 360 dias na primeira fase e até 720 dias na segunda, o que soma cerca de três anos. Especialistas lembram que esse é o prazo máximo, não o prazo médio, e as decisões podem sair rapidamente.
O que o investidor deve fazer
As novas regras se aplicam às empresas que prestam serviços com criptomoedas, não para quem compra e guarda os próprios ativos. Mesmo assim, quem tem saldo em plataformas que estão saindo precisa agir antes dos prazos.
- Confira a situação da sua plataforma. As empresas são obrigadas a informar no site ou no aplicativo se já têm autorização ou se o pedido está em análise.
- Saque ou migre antes dos prazos. Na Revolut, na Bitypreço e na Oobit, os saldos são convertidos automaticamente depois das datas-limite, o que pode gerar imposto.
- Guarde os comprovantes. Extratos e histórico de operações serão necessários para a declaração do Imposto de Renda de 2027.
- Fique de olho nas indefinidas. Se a sua plataforma não confirmou pedido nem saída, peça um posicionamento por escrito, via suporte nos canais oficiais, e considere manter os ativos em carteira própria.
Tabela de empresas

| Nº | Empresa | Tipo de licença pedida | Situação em 3/11/2026 |
|---|---|---|---|
| Corretoras cripto (15) | |||
| 1 | Binance | Intermediária | Anunciado pela empresa |
| 2 | Bitget | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 3 | Bloxtrade | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 4 | Brasil Bitcoin | Corretora | Anunciado pela empresa |
| 5 | Bybit | Modalidade não divulgada | Em análise no BC |
| 6 | Coinbase | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 7 | Coins.xyz | Corretora | Anunciado pela empresa |
| 8 | Foxbit | Corretora | Anunciado pela empresa |
| 9 | Kraken | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 10 | MadarBit | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 11 | Mercado Bitcoin | Corretora | Anunciado pela empresa |
| 12 | OKX | Corretora, com câmbio | Anunciado pela empresa |
| 13 | OSL Brasil | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 14 | Ripio | Corretora, com câmbio | Anunciado pela empresa |
| 15 | Wynx Exchange | Modalidade não divulgada | Em análise no BC |
| Bancos e instituições financeiras (10) | |||
| 16 | B3 | Modalidade não divulgada | Intenção divulgada |
| 17 | Banco BS2 | Registro como prestadora de ativos virtuais | Comunicação ao BC |
| 18 | Banco Rendimento | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 19 | Bradesco | Modalidade não divulgada | Comunicação ao BC |
| 20 | Braza Bank | Modalidade não divulgada | Relatado pela imprensa |
| 21 | BTG Pactual (Mynt) | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 22 | Inter | Modalidade não divulgada | Relatado pela imprensa |
| 23 | Itaú Unibanco | Intermediação e custódia | Comunicação ao BC |
| 24 | Nubank | Corretora | Pedido ou comunicação (informações divergentes) |
| 25 | Stark Bank | Modalidade não divulgada | Relatado pela imprensa |
| Stablecoins, tokenização e infraestrutura (9) | |||
| 26 | Avenia (BRLA) | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 27 | Bloquo | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 28 | Crown | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 29 | Liqi | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 30 | Lumx | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 31 | Nonco | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 32 | Parfin | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 33 | Ripple | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 34 | Transfero | Modalidade não divulgada | Em análise no BC |
| Fintechs de pagamento e outras (18) | |||
| 35 | ARQ Finance | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 36 | IACrypto | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 37 | Manteca | Intermediária | Anunciado pela empresa |
| 38 | Masterpay | Modalidade não divulgada | Em análise no BC |
| 39 | Mazzera | Modalidade não divulgada | Em análise no BC |
| 40 | NBS | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 41 | Neo Ativos Virtuais | Modalidade não divulgada | Em análise no BC |
| 42 | Nexus | Modalidade não divulgada | Relatado pela imprensa |
| 43 | NoxPay | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 44 | Onda Finance | Modalidade não divulgada | Em análise no BC |
| 45 | PFPay | Modalidade não divulgada | Em análise no BC |
| 46 | RedotPay Brasil | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 47 | SuitCoin | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 48 | TCR Finance | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 49 | UnblockPay | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 50 | Urban | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 51 | Velaro | Modalidade não divulgada | Anunciado pela empresa |
| 52 | W Brasil Comércio | Modalidade não divulgada | Em análise no BC |
| Empresas citadas em protocolos no site do BC (22) | |||
| 53 | 4Pay | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 54 | Axioma | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 55 | B&T Câmbio | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 56 | BCX | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 57 | BDM Digital | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 58 | Belo | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 59 | Cademartori Z | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 60 | EFIX/Haus | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 61 | Ether | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 62 | Ettica Pagamentos | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 63 | Frontrade | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 64 | GGPay | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 65 | O3 Trade | Não informado | Anunciado pela empresa |
| 66 | Obsidiam | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 67 | Orbit | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 68 | OZAV | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 69 | Pixus | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 70 | Prata Digital | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 71 | S3 CACEIS | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 72 | TRKBIT | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 73 | Unlimit | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
| 74 | Webull | Não informado | Consta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado |
Total: 74 empresas. As 52 primeiras anunciaram pedido, comunicaram o Banco Central ou têm processo localizado no site do BC. As 22 últimas aparecem em protocolos públicos do BC, mas ainda sem confirmação de pedido próprio. A classificação por tipo é desta reportagem. A lista oficial do BC ainda não foi divulgada. Fontes: comunicados das empresas, Banco Central e levantamentos do BitNotícias e da Cainvest.
Fonte: Anúncio da empresa / consulta ao BC. Data: 03/11/2026
Corretoras que anúnciaram saída do Brasil
| Empresa | Anúncio | O que decidiu | Prazos para o cliente |
|---|---|---|---|
| Bitso | 01/09/2026 | Encerrou o atendimento direto a pessoas físicas no Brasil; mantém só o institucional | Contas fechadas a partir de 31/10/2026; clientes migrados para o Mercado Bitcoin |
| Bity (Bitybank e BityPreço) | 02/10/2026 | Não pediu licença; encerrou a corretora | Migração para Mercado Bitcoin ou Bipa até 18/11; negociação e saque de cripto até 25/11; conversão para reais em 27/11; saque em reais até 02/04/2027 |
| Coinext | 03/09/2026 | Encerrou a exchange de varejo; a Coinext Asset continua | Negociação até 15/10; saque de cripto até 20/10; conversão para reais a partir de 26/10; histórico até 30/11; indicou Mercado Bitcoin e OKX |
| Digitra.com | 20/08/2026 | Decidiu não pedir autorização | Saque de cripto até 21/09; saque de reais até 19/10; indicou a Foxbit |
| NovaDAX | 08/06/2026 | Saída do Brasil por decisão do controlador | Saque de cripto até 30/10, depois conversão para reais; indicou a Foxbit |
| Revolut | 21/10/2026 | Encerrou só o serviço de cripto no Brasil; demais serviços continuam | Compras bloqueadas desde 21/10; venda manual até 24/11; em 25/11 o saldo é vendido e creditado em dólar |
| Uphold | 30/10/2026 | Saída do Brasil, citando as Resoluções BCB 520 e 589 | Staking até 06/11; saque até 30/11, depois conversão para USDC |
| Oobit | 29/10/2026 | Saída para residentes no Brasil | Pix e cartão até 06/11, depois só saques em cripto; contas encerradas em 29 ou 30/11 (fontes divergem) |
| Lemon | 16/09/2026 | Saída do Brasil | Contas excluídas em 16/10/2026 |
| Crypto.com | Outubro/2026 | Encerrou a conta em reais; serviço de cripto continua | Sem depósitos e saques em reais desde 25/10 |
| Bitnuvem | Abril/2026 | Encerramento gradual, citando custos e regulação | Desativação gradual |
| Crypto Use | Antes de outubro/2026 | Encerramento ligado à regulação | Não informado |
| Méliuz | 2026 | Encerrou a negociação de bitcoin no app; mantém BTC em tesouraria | Não informado |
| CoinEx | 2026 | Encerramento global, não exclusivo do Brasil | Saques até 22/12 |
