Mercado cripto brasileiro encolhe: veja quais corretoras ficam e quais deixam o país

Binance, Coinbase, OKX, Mercado Bitcoin e Foxbit estão entre as empresas que protocolaram pedido de autorização. Bitso, Bity, NovaDAX, Revolut e Uphold estão entre as que deixaram o varejo ou o país. O Banco Central ainda não divulgou a lista oficial.

Henrique HK
Henrique HK
Henrique acompanha o mercado de criptomoedas desde 2016 e já publicou mais de 5 mil matérias no Livecoins. É coautor da lista de palavras em português...
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O prazo para que as empresas de criptomoedas que já operavam no Brasil pedissem autorização ao Banco Central do Brasil (BCB) para continuar funcionando terminou na última sexta-feira (30). O resultado é um mercado bem menor e mais concentrado.

Conforme o BCB não divulgou uma lista oficial até o momento, as informações sobre pedidos partem das próprias empresas interessadas por seus canais oficiais de comunicação.

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Estimativas iniciais apontam para até 75 nomes com pedidos, contra ao menos 15 que estão deixando o mercado brasileiro. No entanto, ainda é preciso aguardar a análise do BCB sobre cada pedido, o que pode levar até cerca de três anos.

Muitas empresas deixaram seus pedidos para a última hora

Embora não exista uma lista pública com o nome de todas as empresas que realizaram um pedido para continuar operando no Brasil, muitas delas se posicionaram sobre o assunto somente nas últimas semanas.

O principal exemplo é a Binance, que protocolou seu pedido somente no dia 23 de outubro, há sete dias do fim do prazo.

Outras grandes corretoras internacionais seguiram os mesmo passos. Isso inclui OKX, Ripio, Bybit, Coinbase, Kraken e Bitget.

Entre as corretoras nacionais, os destaques ficam para Mercado Bitcoin, Foxbit, Brasil Bitcoin, Liqi e Transfero. Empresas de stablecoins e pagamentos, como Crown, Lumx, Bloquo, Nonco, Avenia e NoxPay, também teriam entrado com pedidos.

Já os bancos seguem um caminho diferente. Por já serem autorizados pelo BCB, eles fazem uma comunicação formal em vez de um pedido completo. Nomes como Itaú, Bradesco, Nubank, Inter, BTG Pactual e Banco BS2 estão nesse grupo. A B3 também divulgou a intenção de atuar no setor.

GrupoPrincipais nomes
Exchanges globaisBinance, Coinbase, OKX, Bybit, Kraken, Bitget, Ripio, Coins.xyz
Exchanges e fintechs brasileirasMercado Bitcoin, Foxbit, Brasil Bitcoin, Transfero, Liqi, Onda Finance
Stablecoins e pagamentosCrown, Lumx, Bloquo, Nonco, Avenia, NoxPay, TCR
Bancos e instituições já autorizadasItaú, Bradesco, Nubank, Inter, BTG Pactual, Banco BS2

Mercado brasileiro está encolhendo

Do outro lado, uma série de empresas preferiu não enfrentar o processo de autorização. A mexicana Bitso encerrou o atendimento direto a pessoas físicas no Brasil e transferiu esses clientes para o Mercado Bitcoin, mantendo apenas a operação institucional.

A Bitypreço, que segundo a própria empresa tinha cerca de 850 mil usuários, decidiu não pedir licença e ofereceu migração para o Mercado Bitcoin e a Bipa. Já a Digitra.com e a NovaDAX indicaram a Foxbit aos seus clientes.

Enquanto a Coinext encerrou a exchange de varejo, e Lemon e Bitnuvem também deixaram o mercado.

Empresas estrangeiras com serviços pontuais no país também recuaram.

A Revolut encerrou apenas a parte de cripto e manteve os demais serviços. Nesta semana, a Uphold anunciou sua saída do Brasil e a Oobit enviou um e-mail para seus clientes brasileiro informando sobre o encerramento de suas contas.

Seguindo, a Crypto.com acabou com a conta em reais, mas segue oferecendo cripto.

EmpresaO que fezPrazo para o cliente
RevolutEncerrou só o serviço de criptoVenda manual até 24/11; em 25/11 o saldo é vendido e creditado em dólar
BityNão pediu licença; migração para Mercado Bitcoin e BipaMigração até 18/11; saque de cripto até 25/11; conversão em reais em 27/11
OobitSaída para residentes no BrasilContas encerradas em 29 ou 30/11 (fontes divergem)
UpholdSaída do BrasilSaque até 30/11, depois conversão para USDC
BitsoVarejo transferido ao Mercado BitcoinContas fechadas a partir de 31/10
NovaDAXSaída; indicou a FoxbitSaque de cripto até 30/10, depois conversão em reais
CoinextFim da exchange de varejoConversão em reais a partir de 26/10; histórico até 30/11
Digitra.comNão pediu licença; indicou a FoxbitSaque de reais até 19/10
Crypto.comFim da conta em reaisSem depósitos e saques em reais desde 25/10
LemonSaída do BrasilContas excluídas em 16/10

Algumas empresas conhecidas não confirmaram pedido nem saída

Clientes de gigantes como KuCoin, MEXC e BingX ainda não receberam uma nota oficial das empresas.

As emissoras de stablecoins Tether, Circle e Paxos também não têm pedido identificado, embora Circle e Paxos tenham estrutura no Brasil.

O BCB já recusou um pedido. A Higherway Tech Soluções, que opera como Higher Global Payments, teve a autorização negada em decisão publicada no Diário Oficial da União em 28 de setembro, mas o regulador não divulgou o motivo.

Um mercado menor e mais concentrado

As Resoluções 519, 520 e 521 do BCB, publicadas em novembro de 2025 e em vigor desde fevereiro, criaram a figura da Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV). Para obter a licença, as empresas precisam cumprir exigências de capital mínimo, governança, controles internos, prevenção à lavagem de dinheiro e segurança cibernética.

O custo dessas exigências pesou na decisão de muitas empresas. A Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto) estima que o mercado reunia cerca de 200 empresas antes da regulação. Se o número final de pedidos ficar perto de 50, como projetam pessoas que acompanham o setor, a redução seria de aproximadamente 75%.

A consolidação já aparece no destino dos clientes. O Mercado Bitcoin recebeu as bases da Bitso e da Bitypreço e foi indicado pela Coinext. A Foxbit foi indicada por NovaDAX e Digitra.com.

Na prática, o varejo cripto brasileiro tende a ficar concentrado em poucas plataformas que solicitaram uma licença. Essas barreiras também devem dificultar a entrada de novos players no setor.

O que vem agora

Quem já operava e não protocolou o pedido tem até 30 dias após o fim do prazo para encerrar as atividades, ou seja, até o fim de novembro. Quem protocolou pode continuar operando enquanto o processo é analisado.

Há uma dúvida importante sobre a data de 6 de novembro. Isso porque a Resolução 589 do BC proíbe bancos e instituições de pagamento de manter negócios com prestadoras de ativos virtuais não autorizadas a partir desse dia.

Conforme a análise dos pedidos deve ser longa, isso pode fazer com que essas empresas tenham dificuldade com seus bancos, caso não exista uma exceção à regra.

Para empresas que já estavam em atividade, o BC tem até 360 dias na primeira fase e até 720 dias na segunda, o que soma cerca de três anos. Especialistas lembram que esse é o prazo máximo, não o prazo médio, e as decisões podem sair rapidamente.

O que o investidor deve fazer

As novas regras se aplicam às empresas que prestam serviços com criptomoedas, não para quem compra e guarda os próprios ativos. Mesmo assim, quem tem saldo em plataformas que estão saindo precisa agir antes dos prazos.

  • Confira a situação da sua plataforma. As empresas são obrigadas a informar no site ou no aplicativo se já têm autorização ou se o pedido está em análise.
  • Saque ou migre antes dos prazos. Na Revolut, na Bitypreço e na Oobit, os saldos são convertidos automaticamente depois das datas-limite, o que pode gerar imposto.
  • Guarde os comprovantes. Extratos e histórico de operações serão necessários para a declaração do Imposto de Renda de 2027.
  • Fique de olho nas indefinidas. Se a sua plataforma não confirmou pedido nem saída, peça um posicionamento por escrito, via suporte nos canais oficiais, e considere manter os ativos em carteira própria.

Tabela de empresas

Empresas que solicitaram operar cripto no Brasil.
NºEmpresaTipo de licença pedidaSituação em 3/11/2026
Corretoras cripto (15)
1BinanceIntermediáriaAnunciado pela empresa
2BitgetModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
3BloxtradeModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
4Brasil BitcoinCorretoraAnunciado pela empresa
5BybitModalidade não divulgadaEm análise no BC
6CoinbaseModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
7Coins.xyzCorretoraAnunciado pela empresa
8FoxbitCorretoraAnunciado pela empresa
9KrakenModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
10MadarBitModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
11Mercado BitcoinCorretoraAnunciado pela empresa
12OKXCorretora, com câmbioAnunciado pela empresa
13OSL BrasilModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
14RipioCorretora, com câmbioAnunciado pela empresa
15Wynx ExchangeModalidade não divulgadaEm análise no BC
Bancos e instituições financeiras (10)
16B3Modalidade não divulgadaIntenção divulgada
17Banco BS2Registro como prestadora de ativos virtuaisComunicação ao BC
18Banco RendimentoModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
19BradescoModalidade não divulgadaComunicação ao BC
20Braza BankModalidade não divulgadaRelatado pela imprensa
21BTG Pactual (Mynt)Modalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
22InterModalidade não divulgadaRelatado pela imprensa
23Itaú UnibancoIntermediação e custódiaComunicação ao BC
24NubankCorretoraPedido ou comunicação (informações divergentes)
25Stark BankModalidade não divulgadaRelatado pela imprensa
Stablecoins, tokenização e infraestrutura (9)
26Avenia (BRLA)Modalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
27BloquoModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
28CrownModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
29LiqiModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
30LumxModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
31NoncoModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
32ParfinModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
33RippleModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
34TransferoModalidade não divulgadaEm análise no BC
Fintechs de pagamento e outras (18)
35ARQ FinanceModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
36IACryptoModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
37MantecaIntermediáriaAnunciado pela empresa
38MasterpayModalidade não divulgadaEm análise no BC
39MazzeraModalidade não divulgadaEm análise no BC
40NBSModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
41Neo Ativos VirtuaisModalidade não divulgadaEm análise no BC
42NexusModalidade não divulgadaRelatado pela imprensa
43NoxPayModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
44Onda FinanceModalidade não divulgadaEm análise no BC
45PFPayModalidade não divulgadaEm análise no BC
46RedotPay BrasilModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
47SuitCoinModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
48TCR FinanceModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
49UnblockPayModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
50UrbanModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
51VelaroModalidade não divulgadaAnunciado pela empresa
52W Brasil ComércioModalidade não divulgadaEm análise no BC
Empresas citadas em protocolos no site do BC (22)
534PayNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
54AxiomaNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
55B&T CâmbioNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
56BCXNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
57BDM DigitalNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
58BeloNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
59Cademartori ZNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
60EFIX/HausNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
61EtherNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
62Ettica PagamentosNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
63FrontradeNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
64GGPayNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
65O3 TradeNão informadoAnunciado pela empresa
66ObsidiamNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
67OrbitNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
68OZAVNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
69PixusNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
70Prata DigitalNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
71S3 CACEISNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
72TRKBITNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
73UnlimitNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado
74WebullNão informadoConsta em protocolo no site do BC; pedido não confirmado

Total: 74 empresas. As 52 primeiras anunciaram pedido, comunicaram o Banco Central ou têm processo localizado no site do BC. As 22 últimas aparecem em protocolos públicos do BC, mas ainda sem confirmação de pedido próprio. A classificação por tipo é desta reportagem. A lista oficial do BC ainda não foi divulgada. Fontes: comunicados das empresas, Banco Central e levantamentos do BitNotícias e da Cainvest.

Fonte: Anúncio da empresa / consulta ao BC. Data: 03/11/2026

Corretoras que anúnciaram saída do Brasil

EmpresaAnúncioO que decidiuPrazos para o cliente
Bitso01/09/2026Encerrou o atendimento direto a pessoas físicas no Brasil; mantém só o institucionalContas fechadas a partir de 31/10/2026; clientes migrados para o Mercado Bitcoin
Bity (Bitybank e BityPreço)02/10/2026Não pediu licença; encerrou a corretoraMigração para Mercado Bitcoin ou Bipa até 18/11; negociação e saque de cripto até 25/11; conversão para reais em 27/11; saque em reais até 02/04/2027
Coinext03/09/2026Encerrou a exchange de varejo; a Coinext Asset continuaNegociação até 15/10; saque de cripto até 20/10; conversão para reais a partir de 26/10; histórico até 30/11; indicou Mercado Bitcoin e OKX
Digitra.com20/08/2026Decidiu não pedir autorizaçãoSaque de cripto até 21/09; saque de reais até 19/10; indicou a Foxbit
NovaDAX08/06/2026Saída do Brasil por decisão do controladorSaque de cripto até 30/10, depois conversão para reais; indicou a Foxbit
Revolut21/10/2026Encerrou só o serviço de cripto no Brasil; demais serviços continuamCompras bloqueadas desde 21/10; venda manual até 24/11; em 25/11 o saldo é vendido e creditado em dólar
Uphold30/10/2026Saída do Brasil, citando as Resoluções BCB 520 e 589Staking até 06/11; saque até 30/11, depois conversão para USDC
Oobit29/10/2026Saída para residentes no BrasilPix e cartão até 06/11, depois só saques em cripto; contas encerradas em 29 ou 30/11 (fontes divergem)
Lemon16/09/2026Saída do BrasilContas excluídas em 16/10/2026
Crypto.comOutubro/2026Encerrou a conta em reais; serviço de cripto continuaSem depósitos e saques em reais desde 25/10
BitnuvemAbril/2026Encerramento gradual, citando custos e regulaçãoDesativação gradual
Crypto UseAntes de outubro/2026Encerramento ligado à regulaçãoNão informado
Méliuz2026Encerrou a negociação de bitcoin no app; mantém BTC em tesourariaNão informado
CoinEx2026Encerramento global, não exclusivo do BrasilSaques até 22/12
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