Queda das criptomoedas se parece com crash dos bancos no Brasil em 1891, diz pesquisador da USP

Segundo pesquisador, há uma semelhança na queda dos bancos no Brasil do final do Século XIX e as criptomoedas em 2022.

Alfinete vermelho e bitcoin no mapa do Brasil
Alfinete vermelho e bitcoin no mapa do Brasil

Em um podcast promovido pelo LabHACKER, da Câmara dos Deputados, um pesquisador da USP revelou que a atual crise das criptomoedas se assemelha muito com o crash dos bancos no Brasil em 1891. O episódio chamado “os bitcoins de Ruy Barbosa” explora um pouco o cenário dos momentos de estresse em mercados tão distintos.

O convidado é Matheus Cangussu, advogado formado pela Universidade de São Paulo e que atualmente pesquisa sobre Direito nas relações monetárias pela Faculdade da Largo de São Francisco (USP).

Sobre Ruy Barbosa, esse foi Ministro da Fazenda no Brasil em 1891, época em que ainda não existia um banco central que controlava a emissão da moeda. Na ocasião, os bancos também não eram controlados, quando o país viu ocorrer uma queda generalizada dessas instituições, levando a um cenário de caos na economia do país.

No período de 1891, ocorreu um boom na criação de bancos especulativos

Em sua conversa pelo LabHACKER, Matheus Cangussu explicou que a emissão de moedas por bancos em 1891 era muito mais livre, visto que apesar de já existir um Tesouro Nacional na época, não havia um banco central para fiscalizar essa emissão.

Ainda hoje, os bancos podem emitir moedas, no sistema de reserva fracionária, mas no final do Século XIX no Brasil a situação era alarmante.

Isso porque, bancos eram criados de fachada por empresários, que emitiam moedas por essas instituições de forma fácil.

A base monetária brasileira registrou aumento de 300% em poucos anos nesse período, sendo que bancos que não tinham lastro para suas operações seguiam buscando seu espaço de mercado.

Contudo, em dado momento esses bancos que não eram lastreados começaram a quebrar, após a população começar a se preocupar com a “qualidade” dessas moedas.

Quando isso começou, todo o sistema financeiro sentiu os efeitos do crash e mesmo bancos sérios sentiram os efeitos da quebra das instituições especulativas.

“É possível traçar um paralelo da crise das criptomoedas com queda dos bancos em 1891 no Brasil”, diz pesquisador

Após comentar o caso da queda dos bancos no Brasil em 1891, Cangussu disse ser possível traçar um paralelo com a atual crise das criptomoedas, guardadas as ressalvas de que são mercados distintos em épocas diferentes.

Mesmo assim, o mercado de criptomoedas atual foi abalado pela queda de algumas criptomoedas, como a Terra (LUNA) e todo o seu ecossistema, que podem ter criado uma reação em cadeia entre empresas ruins deste setor.

Além disso, com a queda dessas, é possível que as empresas saudáveis do mercado de criptomoedas tenham se contaminado pela queda dos projetos ruins, abalados igualmente.

Ou seja, quando bancos ruins quebraram no Brasil e arrastaram instituições saudáveis para uma crise, o governo brasileiro na época viu graves consequências e correu para tomar medidas. Suas consequências foram citadas até na criação da Constituição de 1891, com participação importante de Ruy Barbosa, então Ministro da Fazenda de Deodoro da Fonseca.

Já no mercado de criptomoedas, a queda de uma stablecoin pode ter feito algo similar ao que ocorreu no Brasil há mais de cem anos, levando inclusive projetos saudáveis como o Bitcoin, por exemplo, para uma queda de mercado.

Segundo o pesquisador da USP, em ambas as situações, a desconfiança das pessoas com os mercados alastraram às duas crises, com certa relação. Com a atual crise das criptomoedas, vale lembrar, países já começam a movimentar para regular o setor.

O debate apresentado na última sexta-feira (8) pode ser visto pelo canal oficial da Câmara dos Deputados no YouTube.

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Gustavo Bertoluccihttps://github.com/gusbertol
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.

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