Uma contadora de 43 anos foi indiciada nos Estados Unidos sob a acusação de inventar prejuízos com criptomoedas e ações em declarações de imposto de renda. O Departamento de Justiça norte-americano anunciou na quinta-feira (22) que Yuridia Trujillo responderá por dezenas de fraudes fiscais cometidas no estado de Connecticut.
De acordo com a denúncia, a profissional atuava no município de Meriden como preparadora de impostos por meio da empresa Yuri’s LLC. Entre os anos fiscais de 2017 e 2024, a mulher preencheu ao menos 4.335 declarações tributárias para clientes da região.
Em grande parte desses documentos enviados ao fisco, a investigada inseriu dados falsos para inflar o valor das deduções legais. As manobras ilegais incluíam o relato de perdas fictícias na compra e venda de criptoativos e papéis da bolsa que os contribuintes jamais possuíram.
Esquema forjava empresas e desviava restituições para conta própria
Além dos supostos rombos no mercado financeiro, a acusada criava registros de negócios inexistentes e despesas comerciais inventadas nos formulários.
Ela também declarava imóveis de aluguel fictícios com baixa receita e altos custos dedutíveis, bem como falsos gastos com creches e planos de aposentadoria (IRA).
Para lucrar com as adulterações nos formulários principais (Forms 1040), a titular do escritório anexava pedidos de divisão de restituição (Forms 8888). Esse documento oficial permite que o cidadão divida o depósito direto do imposto devolvido pelo governo em até três contas bancárias diferentes.
Conforme os promotores federais, a contadora preenchia esses anexos com os dados bancários pessoais dela e de um associado próximo. Dessa maneira, uma fatia das restituições tributárias dos clientes caía direto nas contas particulares da dupla sem levantar suspeitas imediatas.
Júri federal aprova 19 acusações e estipula fiança de US$ 50 mil
O caso avançou na Justiça no dia 7 de outubro, data em que um grande júri na cidade de New Haven aprovou o indiciamento formal da suspeita. Assim, Trujillo foi enquadrada em 19 acusações de auxílio e assistência no preparo e na apresentação de declarações falsas de imposto de renda.
Cada uma dessas infrações previstas na legislação tributária dos Estados Unidos acarreta uma pena máxima de três anos de prisão. Agentes federais prenderam a mulher no dia 9 de outubro, mas a Justiça autorizou a resposta ao processo em liberdade mediante uma fiança de US$ 50 mil.
David Sullivan, procurador dos Estados Unidos para o Distrito de Connecticut, ressaltou no comunicado que uma denúncia formal não configura prova de culpa. A divisão de investigação criminal da Receita Federal norte-americana (IRS) conduz o inquérito sob a acusação do procurador assistente Paul Riley.