A desvalorização do dólar em tempos de crise

Bitcoin agradece e busca novas máximas

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Sabemos que o dólar é  a principal moeda que compõem as reservas internacionais, além de principal meio de troca no comércio de ouro, petróleo, dívida de empresas, e até mesmo, do Bitcoin.

Poder de compra do dólar

Esta é uma questão que segue sem resposta desde 1971, quando o Presidente Nixon anunciou o fim do padrão-ouro. Até aquela data, 10 dólares eram “substituíveis” por 8,1 gramas de ouro, assegurado pelo Tesouro.

Hoje, quase 50 anos mais tarde, os mesmos 10 dólares compram míseras 0,155 gramas de ouro. A dúvida é quanto disso foi causado pela valorização do ouro, e quanto foi a própria desvalorização do Dólar.

O impacto da inflação

O índice oficial de inflação nos EUA acumulou 536% de alta nestas 5 décadas, enquanto o valor do grama de ouro aumentou mais de 5.400%. Isso mesmo, saiu de 1,15 dólares o grama para atuais 64.

Não parece justo comparar o valor de algo que pode ser criado com um simples apertar de botão com um metal precioso escasso, cuja extração depende de um dispêndio enorme de energia.

O dólar versus demais moedas

Uma forma mais justa é comparar o Dólar com outras moedas fiduciárias, e é justamente isto que o índice DXY busca. O índice foi criado em 1973, composto por uma cesta que inclui Euro, Iene, Libra Esterlina, Dólar Canadense, Coroa Sueca e Franco Suíço.

Por incrível que pareça, o dólar sempre foi o refúgio predileto dos investidores em períodos de crise. A única exceção foi 2007/8, que teve seu epicentro no financiamento imobiliário norte-americano.

Perceba que no auge da crise de 2007/8 o índice atingiu seu menor nível na história, na casa dos 72 pontos. A situação atual ainda está confortável, porém certamente pior que o início do ano.

A volta da inflação?

Outro indicador muito importante na economia norte-americana é o TIPS, os Títulos do Tesouro com Proteção para Inflação. Quando há risco de deflação, ou seja, queda generalizada nos preços, o ETF contendo uma cesta de títulos TIPS desaba.

Repare que isto ocorreu no início de março, uma semana antes do fatídico crash do Bitcoin abaixo dos 5.000 dólares. Nas últimas semanas a tendência se inverteu, e agora os investidores temem a volta da inflação, levando o TIPS (azul) para 126.

Representantes do Federal Reserve (FED) disseram no início do mês que devem buscar uma inflação superior a meta de 2% ao ano. Ou seja, não bastasse a valorização dos ativos mais sólidos como ouro, imóveis e ações, agora o próprio FED vai lutar pela alta de preços.

Bitcoin agradece e busca novas máximas

O resultado? Bitcoin ultrapassou os 12.000 dólares, e parece estar bem preparado pra surfar esta onda de inflação e desvalorização da moeda norte-americana. Agora é torcer pro FED continuar nos ajudando.

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Marcel Pechman
Marcel Pechman é trader e analista de criptomoedas desde 2017. Atuou como trader por 18 anos nos bancos UBS, Deutsche e Safra. Além de YouTuber em seu canal RadarBTC, foi reconhecido em diversas premiações como um dos maiores interlocutores do Bitcoin do país. Maximalista convicto, acredita na falência da moeda fiduciária, aquela emitida por governos.
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