Bancos centrais da União Europeia propõem retirar limite de 60% para reservas de stablecoins mantidas em bancos

Henrique HK
Henrique HK
Henrique acompanha o mercado de criptomoedas desde 2016 e já publicou mais de 5 mil matérias no Livecoins. É coautor da lista de palavras em português...
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O Sistema Europeu de Bancos Centrais (ESCB, na sigla inglesa) publicou nesta terça-feira (22) um extenso documento em que, dentre outras coisas, recomenda a remoção do limite das reservas de stablecoins mantidas em banco.

Atualmente, emissoras de stablecoins precisam manter um mínimo de 60% do lastro de suas moedas em bancos.

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No entanto, os especialistas alertam que isso poderia gerar um problema de liquidez para bancos no caso de uma corrida de saques de uma determinada stablecoin, mas também o contrário, com a quebra de um banco afetando uma stablecoin.

“A exigência de manter uma parcela específica dos ativos de reserva na forma de depósitos bancários cria uma ligação direta entre os emissores e as instituições de crédito. Isso pode expor o financiamento dos bancos a mudanças no mercado de stablecoins em condições normais e criar desafios específicos de liquidez caso ocorra uma corrida contra uma determinada stablecoin. Nesse caso, o emissor precisaria retirar rapidamente seus depósitos do banco. Se esses depósitos representarem uma parcela significativa da base de financiamento do banco, isso poderia gerar problemas de liquidez para a instituição. O canal de transmissão também pode funcionar no sentido contrário, como demonstrado pelos eventos ocorridos em março de 2023, quando as dificuldades enfrentadas pelo Silicon Valley Bank (SVB) levaram a uma corrida contra a stablecoin USDC.”

Durante o episódio citado no exemplo, a USDC chegou a ser negociada por US$ 0,80, perdendo sua paridade com o dólar por cerca de quatro dias até que a Circle conseguisse resolver o problema.

USDC perdeu sua paridade com o dólar em março de 2023 por alguns dias após a quebra do banco SVB, onde estavam parte dos ativos que davam lastro à stablecoin. Fonte: TradingView/Reprodução.

O relatório volta a mencionar essa questão posteriormente no mesmo documento, notando que um problema no mercado cripto poderia se expandir para o setor financeiro tradicional devido a essa regra de 60%.

“Como os emissores de stablecoins atualmente precisam manter uma parcela significativa de seus ativos de reserva como depósitos em bancos da UE, o estresse no setor de criptomoedas pode ser transmitido ao sistema bancário por meio das stablecoins.”

ESCB recomenda revisão da regra de 60%, diminuindo valor diário mínimo para 40%

Em outros trechos, o documento também aponta outros problemas ligados à regulação atual, incluindo a redução da rentabilidade das emissoras de stablecoins, já que depósitos à vista possuem rendimento limitado.

Como conclusão, o ESCB recomenda que o nível diário mínimo passe para somente 40%.

Além de stablecoins atreladas ao dólar, o texto também cita tokens atrelados a outros ativos, que possuem limites diferentes.

“Alterar a exigência mínima de depósitos, eliminando os percentuais mínimos predefinidos que devem ser mantidos como depósitos bancários. Revisar o Artigo 36(4) da MiCAR para introduzir pisos mínimos para os níveis diário e semanal de liquidez já estabelecidos nesse artigo. A calibração desses níveis de liquidez exigiria uma análise adicional e poderia tomar, como ponto de partida mínimo, os percentuais de ativos com vencimento em até um e cinco dias úteis, conforme estabelecido no projeto de RTS da EBA elaborado com base no Artigo 36(4) do MiCAR. O RTS exige que o nível de liquidez diária seja de pelo menos 40% para stablecoins significativas e 20% para tokens não significativos, enquanto o nível de liquidez semanal (que inclui a parcela diária) deve ser de pelo menos 60% para tokens significativos e 30% para tokens não significativos.”

ESCB recomenda diminuição de depósito mínimo exigido para emissoras de stablecoins. Fonte: BCE/Reprodução.

Nas redes sociais, Paolo Ardoino, CEO da Tether, afirmou que a USDT deixou o mercado da União Europeia justamente por essa questão.

“Os bancos centrais da Europa querem que Bruxelas elimine uma regra do MiCA sobre as reservas de stablecoins. Ela obriga grandes emissores a manter 60% desses recursos em bancos comerciais. A Tether recusou uma licença da UE por causa dessa mesma cláusula”, escreveu o executivo, citando um trecho de uma matéria sobre o assunto.

Também nesta semana, o BCE lançou a solução “Pontes” para liquidação de ativos tokenizados, mostrando estar caminhando para a digitalização do sistema financeiro do bloco econômico.

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