Bancos Centrais vendem ouro pela primeira vez em 18 meses

Quer saber quais os países que proporcionalmente possuem menos reservas proporcionais às suas economias? Reino Unido, Brasil, Canadá, Austrália, México, Indonésia, e Colômbia.

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Barras de ouro
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Os Bancos Centrais venderam ouro pela primeira vez em dezoito meses, reduzindo suas posições em 12,3 toneladas em agosto. Essa quantia equivale a US $ 750 milhões. À primeira vista, pode parecer que houve uma mudança de estratégia.

Entretanto, os números enganam pois os Bancos Centrais compraram 393 toneladas nos 7 primeiros meses do ano. Deste modo, seguem majoritariamente compradores ao longo de 2019 e 2020. 

Em seguida, os números de agosto foram distorcidos por um único vendedor, o Uzbequistão. Talvez você não saiba o que é o Uzbequistão, mas o país possui uma reserva de ouro similar a do Reino Unido, uma das maiores e mais tradicionais economias do mundo. 

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Curiosamente, algumas posições acima no ranking está o Cazaquistão, seu vizinho. Ambas as regiões pertenceram à antiga União Soviética, e figuram dentre os 10 países com maior extração anual de ouro.

Quem foi rei não quer perder a majestade

Outro dado interessante é que os países com maiores reservas de ouro, proporcional à suas economias, são justamente os que tiveram moedas próprias fortes no passado e perderam esta posição. Encabeçam esta lista Alemanha, Itália, França, Holanda e Portugal.

Nesse sentido, essas economias que pertenciam à União Soviética passam por uma situação semelhante. Ou seja, quem sentiu na pele os efeitos de ver sua moeda local saindo de uma posição de dominância global, busca proteção no ouro.

Quer saber quais os países que proporcionalmente possuem menos reservas proporcionais às suas economias? Reino Unido, Brasil, Canadá, Austrália, México, Indonésia, e Colômbia.

Pois é, o Brasil possui apenas 67,4 toneladas de ouro, equivalente a cerca de 4% de nossas reservas. Os últimos governos optaram por manter quase tudo em títulos do tesouro

Dólar (era) bom, agora não mais

Ao longo das últimas 4 décadas o dólar era colocado em circulação de maneira mais ou menos previsível. Dessa forma, se analisarmos os dados do Federal Reserve desde 1981, vamos encontrar uma média de 6,2% ao ano de dólares no mercado.

Este dado engloba desde os Títulos do Tesouro, até depósitos bancários, CDBs, além do dinheiro em espécie. Embora exista uma certa relação entre dinheiro em circulação e inflação, isto não é necessariamente verdade.

Desta maneira, de nada adianta o governo estimular os mercados, se não há demanda. O resultado? As pessoas e empresas refinanciam suas dívidas, ou simplesmente investem em ouro, imóveis e ações.

Um dos motivos para o novo ciclo de alta do Bitcoin é justamente esse, um ativo escasso que ainda está longe de sua máxima histórica. Aos poucos, mais investidores vão perceber isso, e sua oferta reduzida resultará em níveis de preço nunca antes atingidos. É esperar pra ver!

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Marcel Pechman
Marcel Pechman
Atuou como trader por 18 anos nos bancos UBS, Deutsche e Safra. Desde Mai/2017 faz arbitragem e trading de criptos, além de ser co-fundador do site de análise de criptos RadarBTC. Palestrante do Bitcoin Summit Florianópolis 2019

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