BlackRock protocola pedido de novo ETF de bitcoin com proteção contra quedas

Fundo batizado com o código PBIT utiliza contratos de opções e títulos de renda fixa para amortecer desvalorizações

Gustavo Bertoluci
Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
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A BlackRock protocolou na segunda-feira (19) o pedido de criação de um novo fundo negociado em bolsa (ETF) de bitcoin junto à CVM dos EUA, a SEC. O produto batizado de iShares Bitcoin Managed Protection ETF operará sob o código PBIT com foco na proteção contra quedas bruscas do mercado.

Diferente dos veículos tradicionais à vista, a nova estrutura busca capturar a valorização do iShares Bitcoin Trust ETF (IBIT) até um teto predefinido. Em contrapartida, a engenharia financeira alivia eventuais prejuízos dos cotistas durante ciclos de baixa da moeda digital.

De acordo com o formulário N-1A enviado ao órgão regulador, a carteira não comprará bitcoin de forma direta no mercado. O portfólio alocará ao menos 80% do patrimônio líquido em derivativos e instrumentos financeiros atrelados ao desempenho do ativo principal.

Estratégia combina opções em três faixas e títulos públicos

Para entregar essa blindagem, os gestores utilizarão contratos de opções flexíveis (FLEX Options) divididos em três lotes. Cada fatia terá início escalonado a cada mês ao longo de um trimestre civil, de modo que um lote vence enquanto outro entra na carteira.

Na ponta compradora de cada lote, o fundo adquire opções de compra dentro do dinheiro com preço de exercício estipulado perto de 90% do valor de referência. Assim, a trava estabelece uma exposição inicial de perda máxima em torno de 10% para aquela fatia específica antes da cobrança de taxas.

Já na outra ponta da operação, a equipe vende opções de compra fora do dinheiro com preços de exercício superiores ao patamar do dia. O prêmio recebido nessa venda ajuda a custear a proteção comprada, mas impõe um limite máximo de ganho caso o bitcoin dispare.

Caixa em renda fixa ajuda a pagar custos de proteção

Além dos contratos listados em bolsa e garantidos pela Options Clearing Corporation (OCC), o PBIT manterá uma estratégia ativa de gestão de caixa. Os recursos ficarão aplicados em títulos do Tesouro norte-americano de curto prazo, fundos de liquidez e papéis corporativos de alto grau de investimento.

Toda a receita de juros gerada por esses títulos servirá para abater os custos das posições em opções e reforçar a defesa contra perdas.

Apesar dessa estrutura defensiva, o prospecto alerta que a sobreposição de três lotes mensais impede a fixação de um piso único para todos os investidores.

Caso o valor do IBIT suba após a abertura de um lote e recue em seguida, a queda acumulada a partir do topo poderá superar a margem de 10%. Períodos de volatilidade extrema no mercado cripto também podem reduzir tanto a participação nos lucros quanto o nível de amortecimento nas baixas.

Gestão reúne veteranos da BlackRock e custódia do BNY Mellon

A administração diária do novo produto ficará sob a responsabilidade da subsidiária BlackRock Fund Advisors (BFA), com sede em São Francisco. Três executivos veteranos da casa comandarão a carteira, composta pela diretora Erin Armstrong e pelos diretores-gerentes Kyle McClements e Richard Mejzak.

O banco The Bank of New York Mellon (BNY Mellon) atuará como administrador, agente de transferência e custodiante principal do fundo. Por sua vez, o JPMorgan Chase Bank assumirá a guarda de ativos vinculados às operações de empréstimo de valores mobiliários.

No documento preliminar enviado à SEC, a gestora ainda deixou em branco o percentual da taxa de administração anual e a bolsa de listagem do PBIT. O cronograma regulatório prevê que o registro entre em vigor setenta e cinco dias após o protocolo, o que projeta a estreia para o início de janeiro de 2027.

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