Brasileiros vítimas de tráfico de pessoas são obrigados a aplicar golpes com criptomoedas

Oferta de emprego no setor financeiro se mostrou, na verdade, um esquema ilegal de tráfico de pessoas, que já é apurado por autoridades brasileiras.

Brasileiros vítimas de tráfico de pessoas estão sendo levados ao Camboja, na Ásia, e sendo obrigados trabalhar com golpes de criptomoedas. Segundo informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, denúncias chegaram pelo Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Paraná e estão sendo investigadas pelas autoridades.

Após denúncias sobre a prática, uma investigação começou a acompanhar o caso de pessoas que saíram do país em busca de um suposto emprego dos sonhos.

Com o desemprego no Brasil em alta, assim como a inflação do país que disparou nos últimos anos, tentar buscar melhores condições de vida em outros países foi uma realidade para muitos.

Contudo, ao buscar melhorar o padrão de vida, muitos podem ter se deparado com criminosos no meio do caminho.

Brasileiros são forçados a dar golpe com criptomoedas

O Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes é uma prática criminal tipificada pelo artigo n.º 149 – A, do Código Penal brasileiro.

E novas informações levaram o Ministério da Justiça e Segurança Pública a criarem uma campanha contra o crime no país, que está passando por uma investigação internacional.

MJSP alerta para crimes de tráfico de pessoas envolvendo brasileiros e golpes de criptomoedas
MJSP alerta para crimes de tráfico de pessoas. Reprodução.

De acordo com informações reveladas pelas autoridades, há em curso uma investigação do caso de brasileiros que estariam vivendo em cárcere privado no Camboja, na Ásia.

As denúncias foram levantadas, sendo parte delas recebidas pelo Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Paraná, que apuraram a existência de propostas de emprego em redes sociais.

Tais vagas seriam para empresas do setor de crédito e financiamento, que pagariam um salário de US$ 900,00 aos interessados, cerca de R$ 4,6 mil.

Aqueles que aceitaram a proposta são surpreendidos quando chegam ao Camboja, não conseguindo mais sair do país. Eles sofrem ameaças e são obrigados a trabalhar em atividades ilícitas, como crimes cibernéticos e golpes virtuais relacionados com a venda de criptomoedas e bitcoin.

De acordo com o MJSP, “trata-se de esquema no qual empresa, supostamente do setor financeiro, oferece vagas de emprego temporário, com salários competitivos, comissões por ativos vendidos e passagens aéreas incluídas. Ao chegarem lá, os brasileiros têm seus passaportes retidos, são induzidos a assinarem cláusula de confidencialidade e são submetidos a longas jornadas de trabalho, privação parcial de liberdade e até abusos físicos.”

Investigação emitiu alerta para pessoas que estão aceitando vagas de trabalho em outros países, principalmente Camboja

Para evitar que mais brasileiros saiam do país e caiam nessas situações, a campanha do MJSP tem alertado contra vagas de trabalho em redes sociais de empresas de fachada. Entre as orientações, saber se há embaixada do Brasil no país e se algum amigo já foi e como anda sua situação, são sempre informações vitais para quem planeja migrar.

Sobre o perfil das vítimas, os criminosos não escolhem muito, ou seja, “qualquer pessoa corre o risco de ser traficada, independentemente da idade, gênero e raça“. Mesmo assim, as investigações detectaram que pessoas entre 20 e 35 anos estão entre os maiores casos, principalmente aqueles que procuram oportunidades em outros países e que vivem no Brasil em situação de vulnerabilidade.

O tráfico de pessoas é considerado uma das mais graves violações de direitos humanos, devendo a prática criminosa ser sempre denunciada para autoridades competentes.

Caso algum brasileiro tenha mais informações sobre casos de tráfico humano, o Disque Direitos Humanos, conhecido serviço do “Disque 100“, é um canal oficial para denúncias sobre casos do tipo.

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Gustavo Bertolucci
Gustavo Bertoluccihttps://github.com/gusbertol
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.

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