Como será o mundo após o coronavírus, segundo o escritor Yuval Noah Harari

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Yuval Noah Harari, autor do best-seller “Sapiens - Uma Breve História da Humanidade". Reprodução/Facebook
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Por causa do coronavírus, a humanidade está enfrentando uma das maiores crises da história, segundo o israelense Yuval Noah Harari, autor do best-seller “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade”.

Diante desse cenário, disse o historiador em um texto publicado no Financial Times, as pessoas precisam fazer duas importantes escolhas.

A primeira é entre a vigilância totalitária de governos e o empoderamento do cidadão. A segunda é entre o isolamento nacionalista e a solidariedade global.

Vigilância excessiva ou saúde?

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Pixabay

Para enfrentar a pandemia, diversos países já estão monitorando a saúde de seus cidadãos. Na Coréia do Sul, por exemplo, o governo está usando dados de localização de smartphones e registros de compras com cartão de crédito para rastrear movimentos de pacientes com coronavírus.

Na China, epicentro do vírus, o Estado tem milhões de câmeras de reconhecimento de rostos e obriga as pessoas a verificar temperatura corporal e condição médica. Já na Lombardia, região da Itália que mais sofre com a disseminação do Covid-19, os governantes estão analisando os dados de localização transmitidos pelos telefones dos italianos.

Essa vigilância, segundo Harari, tem dois lados. O aspecto positivo, falou, é que as cadeias de infecção pelo vírus podem diminuir drasticamente e até serem cortadas por completo em questão de dias por causa do monitoramento. Por outro lado, falou o escritor, isso daria legitimidade a um “novo e aterrador sistema de vigilância”.

“Se as empresas e os governos começarem a coletar nossos dados biométricos em massa, eles podem nos conhecer muito melhor do que nós mesmos, e podem não apenas prever nossos sentimentos, mas também manipular nossos sentimentos e nos vender o que quiserem – seja um produto ou um político. O monitoramento biométrico faria as táticas de hackers de dados da Cambridge Analytica parecerem algo da Idade da Pedra”.

Solidariedade global versus desunião

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Outro ponto abordado por Harari no texto é a questão da colaboração entre as nações. Os países deveriam, falou o escritor, compartilhar informações de maneira aberta e humilde, tanto na área médica como na área econômica. Dessa forma, falou, uma descoberta de saúde feita na China ou na Itália, por exemplo, poderia contribuir com o combate do vírus no Brasil e em outros países.

No entanto, disse Harari, atualmente os países dificilmente agem dessa forma. “Uma paralisia coletiva tomou conta da comunidade internacional. Parece não haver adultos na sala. Esperávamos ver, há algumas semanas, uma reunião de emergência de líderes globais para elaborar um plano de ação comum. Os líderes do G7 conseguiram organizar uma videoconferência apenas nesta semana, e não resultou em nenhum plano desse tipo”, falou.

Ele exemplificou a falta de união citando os Estados Unidos, que geralmente ocupam o posto de liderança em crises globais. O presidente dos EUA, Donald Trump, falou Harari, deixou todos na Alemanha espantados ao supostamente oferecer US$ 1 bilhão a uma empresa farmacêutica do país, com o objetivo de comprar os direitos de monopólio de uma nova vacina contra o Covid-19.

Diante desse cenário de competição global mesmo no meio de uma pandemia, disse o escritor, a sociedade precisa escolher entre o caminho da desunião, exemplificado pelas atitudes do governo norte-americano, ou o caminho da solidariedade global.

“Se escolhermos a desunião, isso não apenas prolongará a crise, mas provavelmente resultará em catástrofes ainda piores no futuro. Se escolhermos a solidariedade global, será uma vitória não apenas contra o coronavírus, mas contra todas as futuras epidemias e crises que possam assaltar a humanidade no século XXI”, finalizou.

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Lucas Gabriel Marins
Lucas Gabriel Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).

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