O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25). Com 99,9% das urnas totalizadas, obteve 51,77% dos votos válidos, com Geraldo Alckmin (PSB) também reeleito vice. A apuração teve alternância na liderança: Lula começou à frente, Flávio Bolsonaro assumiu a dianteira e o petista depois retomou a liderança até a confirmação da vitória.
A reação do mercado foi imediata no exterior. Na CME, em Chicago, o real despencou mais de 11% no mercado futuro, com dólar implícito em torno de R$ 5,50 para segunda-feira (26). A moeda americana subiu cerca de 10% e chegou a R$ 5,52 antes da abertura da B3.
No Brasil, o câmbio à vista ainda não reflete o resultado. A última cotação do dólar à vista foi de R$ 4,9791, e o mercado volta a funcionar na segunda-feira (26). Na sexta-feira (23), a moeda havia encerrado o pregão a R$ 4,993.
Nas plataformas de criptomoedas, o USDT, stablecoin atrelada ao dólar, está sendo negociado a R$ 5,42. As stablecoins permitem negociar dólar contra real mesmo no domingo. A diferença em relação a Chicago reflete a menor liquidez e a impossibilidade de arbitragem com o câmbio oficial enquanto o mercado local está fechado.
As ações brasileiras também desabaram no exterior. O NEXT Funds Ibovespa Linked, principal ETF de ações brasileiras em Tóquio, despencou 13%, e o ETF de ações brasileiras caiu 18,6% em Nova York.
A Bridge, plataforma de infraestrutura para pagamentos com stablecoins, informou que seu parceiro brasileiro suspendeu temporariamente as operações de entrada e saída de reais (BRL). O comunicado foi divulgado neste domingo (25), após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais.
A empresa atribuiu a decisão às condições atuais do mercado e afirmou que a suspensão deve continuar pelo menos até segunda-feira (26 de outubro). A Bridge também informou que está monitorando a situação e divulgará atualizações quando houver novidades.

O anúncio ocorre após vitória de Lula no segundo turno, com investidores buscando por proteção contra oscilações do real. No mesmo período, o USDT, stablecoin emitida pela Tether e pareada ao dólar americano, é negociado a R$ 5,42.
USDT a 5,23 após vitória de Lula. pic.twitter.com/mbVBBBUqpc
— Livecoins (@livecoinsBR) October 26, 2026
O que é a Bridge e como a plataforma funciona?
A Bridge é uma empresa de infraestrutura financeira que permite a outras companhias integrar pagamentos e movimentações com stablecoins aos seus serviços. Em vez de funcionar necessariamente como uma corretora tradicional voltada diretamente ao consumidor, sua tecnologia pode ser utilizada por empresas que desejam oferecer transferências e conversões entre moedas fiduciárias, como o real, e ativos digitais.
Nesse modelo, parceiros locais podem ser responsáveis por etapas essenciais da operação no Brasil, como receber reais, processar pagamentos e viabilizar a conversão entre BRL e stablecoins.
Por isso, a suspensão anunciada não significa necessariamente que a Bridge tenha interrompido todos os seus serviços globalmente. O comunicado informa especificamente que seu parceiro brasileiro pausou as operações de entrada e saída de reais.
Na prática, enquanto a suspensão estiver em vigor, os serviços afetados podem deixar de permitir que usuários depositem reais para comprar ativos digitais ou convertam e retirem valores em reais. A empresa, porém, não informou qual parceiro tomou a decisão nem detalhou quais produtos, clientes ou transações foram afetados.
USDT a R$ 5,42 após resultado eleitoral
O USDT é uma stablecoin projetada para acompanhar o valor do dólar americano, com paridade de referência de US$ 1 por token. O ativo é utilizado no mercado de criptomoedas para negociações, transferências internacionais e manutenção de recursos digitais expostos ao dólar.
No Brasil, seu preço em reais depende principalmente da cotação do dólar, mas também pode variar conforme a liquidez, a demanda por stablecoins e os custos de negociação de cada plataforma.
Com o USDT cotado a R$ 5,42, cada 1 token equivale a aproximadamente R$ 5.420, antes de taxas e eventuais diferenças entre preços de compra e venda.
Em momentos de incerteza política ou econômica, investidores podem aumentar a procura por ativos vinculados ao dólar como forma de reduzir a exposição às oscilações do real. Esse movimento pode pressionar os preços das stablecoins negociadas em reais, especialmente em plataformas com liquidez limitada.
Os efeitos do resultado eleitoral também chegaram às plataformas que permitem a brasileiros manter dinheiro em dólar no exterior. Em contato com a reportagem, João Almeida, o CEO da Castle, fintech americana que oferece contas em dólar nos Estados Unidos a brasileiros, informou que a empresa recebeu um alerta da Bridge.
Segundo a Castle, a Bridge relatou dificuldade para converter novos volumes de reais em dólares por causa da instabilidade de preços. O mercado de stablecoins atreladas ao dólar, como o USDT, já reflete o resultado das eleições: na noite de domingo.
O que esperar da abertura
A reação oficial virá com a abertura do dólar futuro e do Ibovespa na B3, às 9h e às 10h de segunda-feira. Marcos Weight, diretor de Tesouraria da Travelex Bank, prevê dólar à vista abrindo acima de R$ 5,30 e espera leilões em dólar e na curva de juros futuros.
Projeções feitas antes do segundo turno indicavam estresse forte. Em pesquisa do Citi com 73 investidores, 79% esperavam queda de mais de 5% do Ibovespa com a vitória de Lula. Analistas estimam o dólar entre R$ 5,30 e R$ 6 nesse cenário, e um deles, da Armor, considera possível uma queda de 10% da Bolsa, o que acionaria o circuit breaker da B3.
Essa mudança desfaz o rali do primeiro turno, quando o dólar caiu 4,12%, para R$ 5,00, com o mercado apostando na vitória de Flávio Bolsonaro.
Com a disparada do dólar na noite eleitoral, cresce o interesse de brasileiros em manter parte do patrimônio em moeda americana como forma de proteção. Além das corretoras tradicionais e das exchanges de criptoativos, onde stablecoins como o USDT continuam sendo negociadas mesmo com o câmbio oficial fechado, fintechs como a Castle oferecem a possibilidade de abrir uma conta em dólar nos Estados Unidos sem sair do Brasil.