Empresa de energia solar suspeita de pirâmide anuncia expansão internacional

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Empresa suspeita de prática de pirâmide anuncia expansão. Foto: Reprodução/Facebook.
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A Original Energy, empresa da área de energia solar suspeita de ser uma pirâmide financeira, está em processo de internacionalização.

Em um vídeo publicado no YouTube, o CEO do negócio, Rodrigo Mesquita, anunciou o lançamento de um novo empreendimento internacional, chamado YesMe Investment.

“A YesMe Investment nasce para captar recursos em prol da economia verde e direciona suas energias para fomentar o seguimento de energia limpa. Entendemos que esta é uma solução mundial sustentável e muito rentável”, disse.

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Além da nova empresa, também foi anunciada a abertura de uma filial da Original Energy nos Estados Unidos.

Nova empresa internacional é maneira encontrada para continuar crescendo, diz empresário

De acordo com Mesquita, a criação do novo empreendimento foi a maneira encontrada pela empresa – que oferecia rendimentos de até 16% ao mês em cima do capital aportado – para continuar crescendo.

Aqui no Brasil, a Original Energy vem encontrando dificuldades de lidar com a legislação e chegou a ser alvo de investigação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). De acordo com o órgão que regula o mercado de capitais, a empresa tem “fortes indícios de ser um esquema fraudulento”.

Isso porque, além da promessa de rendimento fora da realidade do mercado, a empresa não informa os possíveis riscos associados ao investimento; não passa informações suficientes sobre o modelo de negócio; e tem estrutura semelhante a esquemas de pirâmide.

O processo da CVM foi finalizado e encaminhado para o Ministério Público de Pernambuco. No Brasil, o órgão responsável por investigar empresas suspeitas de prática de pirâmide financeira é o MP.

Contatado, o MP informou que ainda analisa se abre ou não uma ação civil pública para averiguar o caso.

O que a YesMe Investment oferece exatamente?

O plano de negócio da YesMe Investment ainda não foi lançado. No site institucional, no entanto, há algumas informações preliminares sobre a nova empresa.

A YesMe Investment afirma que sua especialidade é “a captação de investimentos de qualquer porte – pequeno, médio ou grande – destinados a projetos da economia verde – a energia limpa”.

Entretanto, estes supostos “projetos da economia verde” não são mencionados.

O site diz também que a empresa busca “investimentos, ao redor do mundo, que proporcionem retorno financeiro atrativo e que, ainda, preservem o planeta”.

Informa ainda que conta com “um grupo de consultores com conexões em países estratégicos, como Estados Unidos, Canadá, Portugal, Itália, Índia, China, Japão e outros países da América Latina”.

Quais são estes fundos e grupos também não foram citados em nenhum momento.

Clientes da Original Energy reclamam no Reclame Aqui

Enquanto a empresa anuncia a internacionalização, dezenas de investidores relatam atrasos nos saques da Original Energy. No Reclame Aqui, por exemplo, há quase 60 reclamações.

Um dos investidores escreveu que a empresa está “parecendo pirâmide financeira, pois não paga” desde abril.

Outro cliente reclamou da falta de pagamento e de suporte.


A empresa, em todas as reclamações na plataforma, afirma que as dúvidas sobre os pagamentos foram esclarecidas em vídeo divulgado no mês passado pelo CEO Rodrigo Mesquita.

No material, Mesquita anunciou um novo cronograma de novos pagamentos. Quem tem parcela vencida em abril, por exemplo, deveria ter recebido em junho; quem tem parcela vencida em junho só vai receber em agosto; e assim por diante.

Os próprios relatos no Reclame Aqui, no entanto, mostram que o cronograma não está sendo cumprido em alguns casos.

Breve histórico

A Original foi fundada em 2018 na cidade de Petrolina (PE). O foco do negócio, que afirma ter usinas em três estados, é a locação de equipamentos fotovoltaicos. Cada um custa R$ 900.

Para quem alugava um equipamento, a empresa prometia 16% de lucro ao mês, em contrato de um ano. No começo deste ano, a Original afirmou que reduziu o pagamento mensal de 16% para 3,2%, pois o negócio teria sido impactado pelo coronavírus.

No mês passado, o CEO do negócio anunciou que suspenderia os pagamentos por 60 dias por causa da pandemia.

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Lucas Marins
Lucas Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).
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