Estudo do FMI inclui o Brasil e calcula custo de 2,18% em remessas com sanduíche de stablecoins

Pesquisa avaliou 4.005 rotas completas com USDT e USDC em 29 corretoras e cinco redes como Tron, Ethereum, Solana e Base

Gustavo Bertoluci
Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou um estudo técnico sobre o chamado sanduíche de stablecoins e calculou em 2,18% o custo médio para enviar US$ 200 entre fronteiras. Assinado pelos economistas André Reslow, Edona Reshidi, Andrew Usher, Jeanne Verrier e Marcello Miccoli, o levantamento bate a meta de 3% definida pelo G20 e fica bem abaixo da taxa média global de 6,36% cobrada pelos canais tradicionais de remessas.

Para medir o gasto real de ponta a ponta, os pesquisadores mapearam cinco etapas que começam no depósito bancário local e na compra do criptoativo na corretora de origem.

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Depois da transferência em blockchain para outro país, a operação passa pela venda da moeda digital na plataforma de destino e termina no saque para uma conta bancária.

Esse modelo recebeu o apelido de sanduíche porque a remessa em criptomoedas fica prensada entre duas pontas do sistema financeiro tradicional, sendo Banco – Stablecoins – Banco. Na coleta manual de dados públicos, a equipe avaliou 4.005 rotas completas em 270 corredores formados por 18 economias, entre elas o Brasil, os Estados Unidos e a Zona do Euro, através de 29 corretoras centralizadas.

Taxas de corretoras e bancos superam custo da transferência em blockchain

De acordo com a decomposição das cobranças para uma remessa de US$ 200, as tarifas de negociação nas plataformas lideram a conta com média de 0,85%.

Logo atrás aparecem as taxas de depósito e saque em moeda fiduciária, que consomem 0,67% quando o cliente escolhe o meio bancário mais barato disponível.

Já o envio das criptomoedas pela própria blockchain (onchain) representa 0,48%, fatia inferior a um quarto do custo total da operação internacional.

Como os saques de ativos digitais cobram valores fixos perto de US$ 0,80 na mediana, remessas pequenas de US$ 50 encarecem para 4,12%, enquanto transferências de US$ 5 mil caem para 1,54%.

Se o usuário trocar a transferência bancária comum por métodos de pagamento medianos ou pelos mais caros de cada plataforma, a despesa média do corredor salta de 2,18% para 3,04% e 4,07%.

Apesar da vantagem geral frente aos bancos e operadores clássicos na amostra analisada, o provedor tradicional mais barato ainda supera a rota cripto de menor preço em cerca de um terço dos 33 corredores comparados com dados do Banco Mundial.

Ágio cambial explica diferenças entre países e posição do Brasil no mapa

Outro fator decisivo apontado pelo documento do FMI reside no ágio cambial, diferença entre a cotação local da stablecoin e o câmbio oficial que faz o custo total variar de 2,18% negativos até 8,03%.

Mercados com forte demanda por dólar ou restrições cambiais, a exemplo do famoso ágio Kimchi na Coreia do Sul, encarecem o envio a partir desses locais, mas barateiam o recebimento para quem vende os tokens por mais moeda nacional na ponta final.

Por conta desse efeito nos preços locais, remessas que saem de economias avançadas rumo a países emergentes custam 1,61% na média, ao passo que o caminho inverso de emergentes para nações ricas cobra 3,05%.

Nos gráficos por país onde o Brasil aparece exemplificado na rota com Binance, USDT e rede Tron, o mercado brasileiro figura como a terceira origem mais barata de envio na amostra e registra taxas de 2,5% para remeter aos Estados Unidos contra 1,2% para receber do território norte-americano.

Toda a base da pesquisa concentrou os cálculos nas duas moedas atreladas ao dólar que dominam 95% do volume global em um mercado transfronteiriço estimado em US$ 6,3 trilhões em 2025.

Enquanto o USDT da Tether recebeu peso de 58,25% distribuído nas redes Tron, Ethereum e BNB Smart Chain, o USDC da Circle respondeu por 41,75% nas blockchains Ethereum, Solana e Base, em um ecossistema no qual a Circle repassou US$ 908 milhões (54% da receita de 2024) para a parceira Coinbase.

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