- O FSB alertou para riscos à estabilidade financeira ligados ao mercado de stablecoins, avaliado em US$ 300 bilhões, dos quais 99% estão atrelados ao dólar.
- A entidade afirma que uma onda de saques poderia forçar a venda das reservas das stablecoins, pressionando sua paridade e afetando o sistema financeiro tradicional.
- O órgão também destacou dificuldades para monitorar o mercado devido ao pseudonimato das blockchains e às diferenças entre os métodos de rastreamento usados por empresas privadas.
O Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla inglesa) publicou na segunda-feira (12) um pequeno documento de 5 páginas alertando sobre os riscos das stablecoins.
Embora afirme que o G20 reconheça o papel transformador dessas criptomoedas, o texto também diz ser preciso manter estruturas regulatórias e de supervisão eficazes para continuar promovendo essa inovação enquanto lidam com potenciais vulnerabilidades.
Outro destaque fica para a menção de que 99% dos US$ 300 bilhões do mercado de stablecoins está atrelado ao dólar americano.
Conselho alerta que possíveis problemas com stablecoins podem afetar diversos países
Vistas como um dólar digital, as stablecoins já se consolidaram no mercado de criptomoedas e, cada vez mais, passam a integrar o sistema financeiro tradicional, como em pagamentos diários e transações de remessa.
Em relação a esse ponto, o FSB destaca que, no futuro, as stablecoins podem viabilizar transações domésticas e internacionais em larga escala de maneira mais rápida, transparente e barata.
“A forma como serão utilizadas em cada jurisdição, seja como meio de pagamento, reserva de valor ou ambos, terá possíveis implicações para a natureza e a gravidade das vulnerabilidades que apresentam.”
Como exemplo, o texto cita que, embora as stablecoins possam circular globalmente, os ativos que dão lastro a elas tendem a ficar em um único país. Ou seja, é possível usar uma stablecoin no Brasil, mas o lastro dessa moeda pode estar nos EUA.
Portanto, um problema citado seria os horários em que essas reservas poderiam ser afetadas e exigências regulatórias.
“Em períodos de estresse, o acesso ininterrupto e a velocidade das negociações nos mercados secundários podem aumentar a rapidez e a magnitude das vendas em massa, pressionando a paridade da stablecoin caso os resgates não consigam acompanhar a demanda. Ao mesmo tempo, mercados secundários profundos e líquidos podem facilitar operações de arbitragem que ajudem a estabilizar os preços em torno da paridade.”
Como último alerta, o FSB afirma que uma crise de saques poderia afetar o sistema financeiro tradicional pela venda forçada dessas reservas.
Autoridade afirma ser difícil monitorar movimentações de stablecoins
Embora as transações de stablecoins possam ser vistas por qualquer pessoa, elas são pseudoanônimas, não sendo possível identificar, na maioria das vezes, as partes de uma transferência. Portanto, o FSB aponta para a dificuldade em obter dados confiáveis sobre o mercado.
Isso inclui a atribuição do uso de stablecoins por região.
“A atividade com stablecoins gera uma grande quantidade de dados, mas diversos desafios atualmente limitam sua utilização eficaz no monitoramento de vulnerabilidades à estabilidade financeira. Esses desafios não são igualmente fáceis de resolver. Algumas limitações são estruturais, como o caráter pseudônimo das blockchains públicas, e provavelmente persistirão sem mudanças significativas no ecossistema de criptoativos.”
O texto afirma que as autoridades dependem de empresas privadas especializadas em rastreamento. No entanto, aponta que cada empresa pode utilizar um método diferente, criando riscos ligados tanto à comparação quanto à credibilidade das informações.
A sugestão da autoridade seria que os próprios governos aprofundassem seus conhecimentos em análises. Além disso, também cita a possível exploração de práticas do setor para a coleta de dados tanto on-chain quanto off-chain.