Gerente do Banco do Brasil abre conta fraudulenta em nome de delegado e faz empréstimo de R$ 883 mil

Segundo processo que corre na Justiça da Bahia, o funcionário da instituição bancária movimentava desde 2017 a conta aberta em nome do policial

Siga no
Imagem: Arquivo/Agência Brasil

O juiz Glaucio Rogerio Lopes Klipel, da 4ª Vara Cível de Itabuna (BA), condenou o Banco do Brasil a indenizar um delegado de polícia que foi vítima de golpe.

Segundo a decisão, publicada nesta sexta-feira (22) no Diário de Justiça do estado, um gerente de relacionamento da instituição bancária abriu uma conta em nome do policial – sem o conhecimento dele – e fez empréstimos que somam R$ 883 mil.

Além da devolução do valor emprestado, o Banco do Brasil também terá que pagar R$ 15 mil por danos morais para a vítima e arcar com as custas processuais.

É o segundo caso nesta semana envolvendo a instituição bancária. Na terça-feira (19), a Polícia Civil do Paraná apontou que um gerente do Banco do Brasil pode ter cometido fraude de R$ 60 milhões. 

Conta aberta em nome de delegado era movimentada desde 2017

O delegado de polícia Josemar Batista Chianca é titular da Delegacia Territorial de Itabuna, município no sul da Bahia.

Em setembro, de acordo com o processo, ele descobriu que uma conta bancária havia sido aberta em seu nome em uma agência do Banco do Brasil de João Pessoa (PB).

Duas pessoas desconhecidas, segundo o delegado, estavam vinculadas a essa nova conta. Por meio dela, disse o policial, quatro empréstimos foram feitos no CDC automático do Banco do Brasil. O valor foi de R$ 883 mil.

Consta no processo que a conta fraudulenta estava sendo movimentada – sem conhecimento do policial – desde 2017.

Banco do Brasil diz que delegado pegou empréstimo e não quis pagar

Nos autos, o Banco do Brasil afirmou na primeira contestação que foi o próprio delegado que fez os empréstimos e não quis pagá-los.

“A parte autora firmou alguns contratos de adesão aos serviços fornecidos pela Instituição financeira, não podendo vir a Juízo ao seu bel prazer, após e alegar desconhecimento acerca do negócio jurídico entabulado entre as partes”.

O banco disse também que “diante do inadimplemento das obrigações assumidas, a cobrança e negativação do valor questionado é legítima e devida, não havendo, assim, que se falar em restituição do indébito ou indenização por danos morais”.

No entanto, de acordo com o juiz responsável pelo caso, a contestação do banco “veio acompanhada apenas dos atos constitutivos e instrumentos de procuração” e “sem qualquer documento que comprovasse a assinatura do autor nos contratos por ele questionados através deste processo”.

Banco do Brasil muda versão e culpa gerente de relacionamento afastado pelo INSS

Em uma segunda petição encaminhada à Justiça, o Banco do Brasil mudou a primeira versão de sua defesa e informou que, assim como o delegado, também teria sido vítima de uma fraude.

De acordo com o banco, um gerente de relacionamento da instituição bancária – que, segundo a empresa, estaria afastado por motivos de saúde pelo INSS – seria o responsável pelo golpe.

“Na época da apresentação da defesa, o setor jurídico do réu (banco) não detinha conhecimento da realidade fática, eis que primeiramente pela dificuldade em decorrência dos inúmeros departamentos existentes dentro da Empresa Banco do Brasil; segundo, porque quando da apresentação de defesa a apuração de fraude acontecia sobre sigilo, até porque envolve funcionário (a) que está afastado (a) por licença saúde (pelo INSS), com vencimento previsto para 31/05/2020”.

O Banco do Brasil reconheceu, portanto, que o delegado não abriu a conta na agência de João de Pessoa. Nos autos, a instituição bancária informou que cancelou todas as operações contratadas em nome do policial. Disse também que vai arcar com todo o prejuízo.

Justiça determinou cancelamento de empréstimos e indenização por danos morais

O juiz, além de dar ganho de causa para o delegado, informou que o banco deve pagar R$ 15 mil por causa dos danos morais gerados à vítima.

“Ante o exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTES os pedidos formulados pelo autor contra o réu para DETERMINAR que este CANCELE, no prazo de 05 (cinco) dias, todos os contratos objetos do presente processo, bem como as cobranças neste processo mencionadas; para CONDENAR o réu no pagamento de R$15.000,00 (quinze mil reais) em favor do autor, a título de indenização por danos morais.”

A Justiça também determinou que o Banco do Brasil pague as custas processuais, bem como os honorários dos advogados do delegado, já fixados em 20% sobre o valor atualizado da condenação.

Siga o Livecoins no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.
Lucas Gabriel Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).
Bitcoin em ratoeira problema

Michael Burry critica alavancagem do mercado de criptomoedas

O lendário trader de Wall Street, Michael Burry, criticou nos últimos dias a alavancagem do mercado de criptomoedas. Em sua fala, o problema é...
MicroStrategy Bitcoin

MicroStrategy aproveita queda e compra mais 13 mil bitcoins

O mercado de Bitcoin começa a semana com uma queda nos preços, isso faz as baleias se movimentarem para comprar tudo que podem, e...
Preço da Dogecoin em queda no mercado

Carro Dogecoin na NASCAR quebra, preço da moeda também

O carro patrocinado pela comunidade Dogecoin na NASCAR quebrou, e o preço da criptomoeda também despencou no último final de semana. Essa coincidência chamou...

Cotação do Bitcoin por TradingView

Últimas notícias