PF deflagra operação contra empresa que criou criptomoeda supostamente lastreada em ouro

Crime ambiental grave em uma região de extração de ouro ilegal pode ter danos irreversíveis.

Agentes da Polícia Federal do Brasil são vistos durante ação em operação de repressão à extração clandestina
Agentes da Polícia Federal do Brasil são vistos durante ação em operação de repressão à extração clandestina

A Polícia Federal do Brasil (PF), deflagrou nesta quinta-feira (7) a Operação Ganância, contra uma organização criminosa que criou uma criptomoeda supostamente lastreada em ouro. Segundo as investigações, a moeda digital era uma fachada para um esquema de lavagem de dinheiro de um garimpo ilegal que causou tremendo dano ambiental no país.

Foram deflagradas pelo menos três operações pela PF na manhã desta quinta, contra garimpos ilegais instalados no Brasil para a mineração de ouro, metal precioso de grande valor.

As operações visam combater os crimes de extração ilegal principalmente na região Norte do país. Mesmo assim, agentes saíram as ruas em diferentes estados para cumprir os 82 mandados de busca e apreensão e mais 5 de prisão preventiva.

Além da extração ilegal de ouro, os investigados são acusados de comercializar sem autorização os metais preciosos. As informações são da própria PF, confirmadas pela reportagem.

PF cumpre mandados em operação contra empresa que criou criptomoeda supostamente lastreada em ouro

Investir em criptomoedas novas, ou um token criado em qualquer rede pública, é uma tarefa que exige dos investidores uma série de garantias.

No caso de se investir na extração de pedras preciosas então, o cuidado deve ser redobrado, visto que o token pode ser associado a garimpos ilegais.

E foi justamente essa situação que levou a PF a deflagrar a Operação Ganância nesta quinta, para apurar uma possível lavagem de dinheiro com uma criptomoeda lastreada em ouro. Nos Estados de Rondônia, Pará, Goiás, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Acre são cumpridos 65 mandados judiciais, sendo 5 de prisões preventivas e mais 60 de busca e apreensão.

Os mandados foram expedidos pela 3.ª Vara Criminal da Justiça Federal de Porto Velho (RO), que apura o caso.

A situação é apurada desde fevereiro de 2021, quando denúncias envolvendo empresas de Porto Velho da área da saúde chamaram atenção para uma possível lavagem de dinheiro de valores recebidos em licitações fraudulentas. Contudo, após o início das investigações, os agentes detectaram que os valores eram fruto da prática de garimpo ilegal, feitos desde 2012.

O grupo criminoso então se revelou movimentando bilhões de reais, com depósitos e saques milionários em espécie, além de empresas de fachada e transferência bancária entre os envolvidos.

O que chamou ainda mais atenção dos investigadores foi a criação de uma criptomoeda própria de uma das empresas, que seria lastreada em ouro, e foi utilizado para lavar dinheiro do crime de garimpo ilegal segundo a PF.

“Foram identificados diversos meios de lavagem de capitais praticados pela organização criminosa, com destaque entre os modus operandi, a criação de um criptoativo (token) próprio de uma das empresas, com a finalidade de justificar os valores advindos da extração ilegal do ouro nas empresas dos criminosos, como se fossem investimentos de terceiros interessados em receber dividendos.”

Crime causou dano equivalente a uma área de 212 campos de futebol

A PF estimou em análise bancária que o grupo movimentou mais de 16 bilhões de reais, apenas entre 2019 e 2021.

Na apuração, ficou evidenciado que os líderes da organização criminosa usavam até licenças ambientais inválidas, obtendo um rendimento de pelo menos R$ 1,1 bilhão.

O dano ambiental em apenas um dos garimpos ilegais foi avaliado em R$ 300 milhões, com uma área impactada, com danos potencialmente irreversíveis, equivalente a 212 campos de futebol.

A Justiça Federal de Porto Velho deferiu o bloqueio, sequestro e arresto dos bens imóveis e móveis dos líderes, até o valor de R$ 2 bilhões.

Outras duas operações são investigadas contra crimes de usurpação de bem mineral da União, receptação qualificada, falsidade ideológica, redução do pagamento de tributos federais, corrupção ativa e passiva, promoção de organização criminosa, crimes ambientais, entre outros.

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Gustavo Bertoluccihttps://github.com/gusbertol
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.

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