Real digital deve chegar no segundo semestre de 2022, diz presidente do Banco Central do Brasil

"Criptomoedas podem evoluir para meio de pagamentos, mas ainda são investimentos".

Roberto Campos Neto em evento do Traders Club
Roberto Campos Neto em evento do Traders Club. Reprodução.

O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto disse em um evento na última segunda-feira (11) que, em seu entendimento, a lei Bitcoin deve entender as mudanças da tecnologia.

A fala mostra que o mandatário do BCB tem estudado melhor o cenário das criptomoedas e sua compreensão sobre o assunto é que a inovação tem caminhado rápido. Ou seja, mesmo que a regulação seja interessante, ela não pode sufocar o que está sendo criado.

Campos Neto participou do “O cenário econômico e a Agenda BC”, promovido pela Arko e Traders Club. Em sua apresentação ele falou sobre o Real digital também, que deverá chegar em breve com um projeto-piloto.

Campos Neto defende lei Bitcoin que entende as mudanças da tecnologia

Regular uma inovação em sua fase inicial é uma tarefa árdua para qualquer membro de um governo que tem que sentar e analisar o que pode ser feito. No caso das criptomoedas, essa situação não é diferente.

Isso porque, como uma inovação surgida nos últimos anos, as criptomoedas já levaram ao mundo vários casos de uso. O Bitcoin é o principal tecnologia deste setor, por ser a primeira moeda digital, com características de reserva de valor e meio de pagamento.

E ao comentar sobre a regulação, Campos Neto, presidente do Bacen, declarou que a lei Bitcoin sendo estudada no país tem que entender as mudanças da inovação.

É importante entender que esse movimento é irreversível. A gente não sabe muito o que vai acontecer daqui a cinco, seis anos. O crescimento é muito exponencial, por exemplo, tenho observado nos últimos meses protocolos diferentes que fazem com que de fato, quando eu olho para frente, algumas coisas mudem em relação à convergência que eu tinha imaginado. Mudem para melhor, mais eficiente, mais integrado.

Então assim, tem bastante coisa para acontecer e é importante bancos centrais estarem na fronteira disso. Tem um tema de regulação que é super complexo, porque quando o regulamento é um processo físico e linear, o regulamento hoje mais ou menos conseguiria observar o que acontecerá daqui a dois anos. Quando esse processo é não-linear, é exponencial, eu tenho que regulamentar hoje imaginando como que será o processo exponencial daqui a dois anos, é muito mais difícil. Então acho que os bancos centrais estão neste processo de entender como fazer a regulamentação hoje, para um ativo, um mercado, que tem essa mudança exponencial no formato digital“.

“Criptomoedas podem evoluir para meio de pagamento”

De qualquer forma, o tema das criptomoedas no Brasil é visto por Campos Neto como ativos e investimentos Mesmo assim, ele tem o entendimento que essa é a primeira fase da curva de adoção da tecnologia.

“Temos visto aumento na negociação de criptomoedas e por vários motivos. Em um ambiente de juros quase zero e governos despejando dinheiro, houve entendimento que a criptomoeda é uma moeda segura, tinha limite de emissão, um lastro, então cresceu.

Quando dividimos, temos uma demanda muito maior como investimento do que como meio de pagamento. Agora o que a gente pensa é que existe uma curva, que começa como investimento e em algum momento passa a ser meio de pagamento, porque tem um processo dos agentes financeiros aceitarem essa”.

Real digital deve chegar no segundo semestre, mas “pode dar uma atrasadinha”

Com relação ao Real digital, Campos Neto disse que a previsão do projeto-piloto é no segundo semestre de 2022. Contudo, esse prazo pode dar uma “atrasadinha”, segundo ele.

De qualquer forma, ele ponderou que os vários bancos centrais pelo mundo estão correndo para criar suas próprias CBDCs. Com essa correria, várias tecnologias estão surgindo, seja em blockchain ou não.

Desse modo, Campos Neto disse que a falta de consenso na tecnologia das moedas digitais de bancos centrais é o maior problema que ele vê neste campo hoje.

A explicação seria que, caso não seja possível utilizar as CBDCs para pagamentos transfronteiriços, as criptomoedas continuam melhores, visto que já são utilizadas em larga escala para remessas.

Adiantando o funcionamento do Real digital, Campos Neto disse que essa será uma stablecoin, em estudo há algum tempo.

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Gustavo Bertoluccihttps://github.com/gusbertol
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.

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