Produtor de filmes lança criptomoeda para superar Netflix e é investigado

Gustavo Bertoluci
Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
4 min de leitura

Um produtor de filmes lançou uma criptomoeda afirmando aos investidores que seu projeto superaria a Netflix no futuro. Após o lançamento da iniciativa, ele foi investigado pelo FBI nos Estados Unidos, e agora é réu em um processo de fraude contra seus clientes.

Em 2017, o projeto foi divulgado pela primeira vez no Bitcoin Talk, com seus divulgadores informando que tal iniciativa seria a revolução do entretenimento. Naquele ano surgiram inúmeras promessas associadas com criptomoedas, na famosa febre das Ofertas Iniciais de Criptomoedas (ICOs).

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Entre os principais nomes do projeto estava Ryan Felton, um produtor de filmes de Atlanta nos EUA. Ele chegou a utilizar a imagem do ator e rapper Clifford Harris, conhecido por TI, vencedor de três Grammy Awards para promover a moeda, mesmo que o cantor não soubesse da associação de sua imagem.

O projeto logo chamou atenção de investidores, mas o que muitos não sabiam onde estavam entrando.

Produtor de filmes que lançou criptomoeda para superar Netflix confessa fraude contra investidores

Como a Netflix é um dos símbolos do atual entretenimento digital, ao lado de grandes empresas como Amazon Prime Video, Disney Plus, entre outros, esse é um setor que certamente chama atenção de investidores.

Para superar a Netflix então, o produtor Ryan Felton lançou a criptomoeda FLiK, que deveria conduzir os avanços do entretenimento. Contudo, ele acabou utilizando todo o recurso captado com investidores para sustentar uma vida de luxo e não realizou o que havia prometido.

Na última quinta-feira (21), o Departamento de Justiça dos EUA, em um julgamento contra o acusado, divulgou que ele confessou os crimes de fraudes contra os investidores, no quarto dia do seu julgamento.

Para o procurador dos EUA Ryan K. Buchanan, ele utilizou a tecnologia para cometer uma fraude antiga.

“O réu usou a tecnologia do século 21 para perpetrar uma fraude antiga: mentir para os investidores para roubar seu dinheiro e financiar seu próprio estilo de vida luxuoso. A convicção de Felton deve servir como um aviso para quem procura capitalizar a tecnologia emergente para vitimizar os outros”

A investigação conduzida pelo FBI descobriu que após o ICO da moeda, o golpista vendeu os tokens no mercado e causou queda que afetou inúmeros investidores. Transferindo o dinheiro para suas contas, ele comprou um Ferrari 599 GTB Fiorano Coupe e uma residência de luxo.

Outro ICO, outro golpe

Após prometer superar a Netflix e nada cumprir, o produtor lançou outra criptomoeda em 2018. Chamada CoinSpark, a nova moeda seria para o lançamento de uma corretora de negociação de moedas digitais, que angariou mais dinheiro de investidores.

Da mesma forma que a primeira, o golpista em série captou os recursos e desviou para suas contas bancárias, para manter sua vida de luxo. Com sua confissão agora em 2022, a justiça espera imputar uma dura pena a ele, que tem 12 acusações de fraudes para responder.

O caso ilustra os riscos de se confiar em criptomoedas novas, que normalmente não se sustentam por muito tempo.

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