A Tether Investments, braço de alocação de capital da maior empresa do mercado de criptomoedas, anunciou nesta quinta-feira (5) um investimento de US$ 100 milhões no Anchorage Digital.
A operação financeira da emissora do USDT mostra compromisso com a conformidade regulatória nos Estados Unidos, consolidando uma parceria com a única instituição que detém uma carta patente federal de banco de ativos digitais no país.
O aporte de capital, contudo, não ocorre por acaso. Isso porque, o Anchorage Digital Bank N.A. já atua como peça central na nova estratégia da gigante das stablecoins, sendo o emissor oficial da recém-lançada USAT, moeda desenhada especificamente para operar sob as novas diretrizes da Lei GENIUS norte-americana.
Com esse movimento, a Tether deixa de ser apenas uma parceira comercial para se tornar acionista de uma infraestrutura bancária auditada e supervisionada pelos reguladores federais.
Busca por legitimidade e segurança jurídica
Segundo o comunicado oficial, embora o investimento seja de natureza financeira, ele reflete um alinhamento estratégico mais amplo.
Historicamente pressionada por questões de transparência, a Tether utiliza seus lucros excedentes — gerados a partir de suas massivas reservas em títulos do Tesouro dos EUA — para financiar empresas que operam na interseção entre a inovação blockchain e a segurança jurídica tradicional.
Paolo Ardoino, CEO da Tether, destacou que o objetivo é desafiar o status quo construindo uma infraestrutura global resiliente. Para o executivo, o Anchorage estabeleceu um “forte padrão de referência” para serviços institucionais, operando onde a tecnologia encontra a regulação.
Essa fundação permite que grandes corporações e até o setor público interajam com ativos digitais sem o risco de compliance que afasta o “dinheiro inteligente” (Smart Money).
Para o Anchorage Digital, receber um cheque de nove dígitos da empresa mais líquida do setor serve como uma validação de seu modelo de negócios conservador. Nathan McCauley, cofundador do banco, afirmou que a empresa escolheu o “caminho difícil” de buscar regulação desde o primeiro dia, apostando que os ativos digitais só ganhariam escala real através de fundações seguras.
