Cartão de criptomoedas Oobit vai encerrar contas de brasileiros e dá uma semana de prazo para saques, um dia após anunciar expansão internacional

Comunicado enviado por e-mail na quinta-feira (29) orienta clientes do país a retirarem fundos pelo aplicativo até o dia 6 de novembro

Gustavo Bertoluci
Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
4 min de leitura

A plataforma de pagamentos e cartões de criptomoedas Oobit informou na quinta-feira (29) que vai encerrar suas operações no Brasil e desativar as contas dos clientes locais no dia 29 de novembro de 2026.

Em comunicado enviado aos usuários, a empresa orientou a retirada dos saldos via contas bancárias diretamente pelo aplicativo até o dia 6 de novembro.

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Durante essa primeira janela de resgate, os correntistas conseguem transferir os valores para uma conta bancária, enviar os ativos para outra carteira digital ou gastar o montante restante no próprio cartão.

A partir do dia 7 de novembro, o envio dos recursos ficará restrito para carteiras externas mediante solicitação prévia nos canais de atendimento ao cliente.

Segundo o aviso oficial da companhia, a interrupção dos serviços atinge apenas as pessoas residentes em território brasileiro. Para os consumidores cadastrados em outros países onde a marca atua, o funcionamento dos cartões e das ferramentas financeiras segue sem alterações.

“A Oobit vai encerrar as operações no Brasil. Por isso, sua conta será encerrada no dia 29 de novembro de 2026.” — Equipe Oobit, em comunicado oficial enviado aos clientes brasileiros.

Saída ocorre um dia após anúncio de expansão global com suporte ao Pix

O anúncio do fim das atividades no mercado nacional chamou a atenção por ocorrer apenas 24 horas depois de a empresa celebrar uma expansão global com destaque para o sistema financeiro brasileiro.

Isso porque, na quarta-feira (28) um texto publicado no blog oficial da companhia havia anunciado a inclusão do real brasileiro (BRL) e do Pix na sua rede internacional de pagamentos.

Naquela divulgação anterior, o aplicativo prometia facilitar remessas entre fronteiras para famílias, trabalhadores autônomos e empresas por meio da integração de criptomoedas e stablecoins com sistemas locais.

Além do método instantâneo criado pelo Banco Central do Brasil, a lista de novidades reunia as redes SWIFT, SEPA na Europa, UPI na Índia, Alipay e WeChat Pay na China.

Para o setor corporativo, a ferramenta divulgava ainda o fornecimento de cartões empresariais, controle de despesas e pagamento de equipes distribuídas em diferentes países. Ao apresentar a atualização na véspera da saída do Brasil, o cofundador e diretor-executivo da plataforma, Amram Adar, havia defendido a eliminação de barreiras bancárias para o envio de dinheiro pelo mundo.

“O dinheiro deveria se mover com a mesma facilidade de uma mensagem. Esteja você enviando US$ 100 para sua família ou pagando uma equipe em cinco países, você não deveria precisar pensar em redes bancárias ou fronteiras.” — Amram Adar, cofundador e diretor-executivo da Oobit.

Prazos coincidem com calendário regulatório do Banco Central no país

Embora a mensagem enviada aos clientes brasileiros não detalhe o motivo da mudança repentina de planos, as datas escolhidas pela plataforma coincidem com o calendário regulatório do Banco Central para o setor de ativos virtuais.

Pela Resolução BCB 520, o prazo para que empresas de criptomoedas solicitem autorização de funcionamento no país termina nesta sexta-feira (30), com tolerância de trinta dias até 29 de novembro para a saída de quem não protocolar o pedido.

Outro marco idêntico aparece no dia 6 de novembro, data limite dada pela Oobit para saques bancários normais no aplicativo e dia exato em que entra em vigor a trava da Resolução BCB 589 que proíbe bancos e instituições de pagamento de operarem com plataformas sem licença no país.

Em caso de dúvidas sobre a retirada dos fundos antes do bloqueio definitivo no fim do mês que vem, a empresa orientou os usuários a acionarem a equipe de suporte dentro do próprio aplicativo.

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