Clientes da plataforma OnilX, vinculada ao Onil Group, compararam a retenção de seus saldos ao confisco da poupança ocorrido no governo Fernando Collor em 1990. Com o selo de Não Recomendada no portal Reclame Aqui, a empresa sediada em Curitiba já acumula 662 queixas de investidores que tentam recuperar os recursos aplicados em criptomoedas.
Em um desabafo publicado no domingo (1) por um morador de Ibiporã, no Paraná, o reclamante pediu que o caso ganhe repercussão nos jornais para forçar o pagamento dos valores retidos. Na mensagem, o investidor lembrou que o bloqueio financeiro da década de 1990 deixou cidadãos endividados e doentes por conta das quantias travadas.
Essa Onilx já tá na hora de aparecer em jornais etc. Está sendo igual na época do Collor, em 1990 pessoas se endividaram, ficaram doentes, muita grana em jogo, tem que ir pra cima deles, fazer pagar todos — Cliente de Ibiporã (PR), em queixa registrada no portal Reclame Aqui.
Outro relato registrado na segunda-feira (2) por um consumidor de Sombrio, em Santa Catarina, aponta que o acesso à conta de criptoativos desapareceu do sistema. Ao tentar entrar na página com suas credenciais, o cliente recebeu o aviso de e-mail não cadastrado e descobriu que teve o perfil apagado pela companhia.
Além da exclusão do login na plataforma, o investidor catarinense denunciou que a equipe de suporte bloqueou seu número no WhatsApp para impedir novas cobranças. Nas páginas oficiais do negócio no Instagram, os administradores desativaram a caixa de comentários nas publicações e deixaram de responder às mensagens diretas enviadas pelas vítimas.
Investi em criptomoedas com a Onil e agora nem meu login funciona mais. Apagaram meu cadastro e me bloquearam no WhatsApp. — Investidor de Sombrio (SC), em relato publicado no Reclame Aqui.
Reclamações dispararam após CVM emitir ordem contra OnilX
A enxurrada de reclamações ocorre após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) emitir uma ordem de parada (stop order) contra o negócio paranaense.
O órgão regulador agiu diante da captação irregular de clientes no mercado brasileiro com promessas de rendimentos mensais atrelados ao setor de criptoativos.
Atualmente, a OnilX e seu sócio Fábio Lino respondem a dezenas de processos judiciais movidos por clientes de diferentes estados que buscam reaver o capital investido. Em um inquérito na Polícia Federal do Paraná, eles são investigados, entre outras pessoas físicas e jurídicas.
Enquanto os pedidos de devolução tramitam nos tribunais, o espaço editorial permanece aberto caso os representantes do Onil Group desejem apresentar um posicionamento sobre os relatos dos usuários.