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AnubisTrade e o silêncio sobre os problemas de saques na plataforma

Atualizado: Mateus Grijó enviou nota. Atlas Quantum fica em silêncio sobre os atrasos de saques na empresa que foi vendida.

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Silêncio sobre atraso em saque na AnubisTrade

Matéria atualizada com resposta do Matheus Grijó.

A AnubisTrade está vivenciando atrasos com pedidos de saques na plataforma. Segundo relatos de usuários em grupos do Facebook, o problema começou a acontecer logo após a venda da empresa para o Atlas Quantum. Sem respostas, os usuários esperam por bitcoins presos na AnubisTrade, que até então pertencia ao empresário Mateus Grijó.

O mercado de criptomoedas brasileiro vive um momento de impasse com empresas que operam no país. Incorporações, golpes e atrasos em pagamentos marcam 2019 como o ano em que o mercado experimenta grandes tensões. Após problemas com saques no Atlas Quantum, a AnubisTrade também enfrenta o mesmo problema. 

Prazo de nove dias úteis para sacar na AnubisTrade

Segundo informações de clientes da plataforma, a maioria dos pagamentos foram marcados para o dia 9 de outubro de 2019. Neste dia, supostamente os investidores deverão recuperar seus bitcoins retidos na plataforma. Os problemas coincidem com a venda da AnubisTrade para o Atlas Quantum.

Até então, o prazo da AnubisTrade era de apenas 24 horas úteis. Durante este pequeno intervalo, qualquer usuário podia sacar livremente seus bitcoins na plataforma. Mas, depois do anúncio da integração entre as duas empresas, problemas com saques passaram a ser relatados através das redes sociais.

A inesperada venda da AnubisTrade fez com que a maioria dos investidores pedissem seus bitcoins imediatamente após o anúncio da venda. Porém, existem relatos de atrasos que acontecem desde o dia do anúncio, feito na última quinta-feira (26).

Investidor espera para receber mais de R$ 15 mil

Um investidor de Piracicaba – SP espera para receber mais de R$ 15 mil da AnubisTrade. Esse valor corresponde a 0.46 (BTC) que estão em custódia da empresa. Segundo o contador que prefere não ter seu nome divulgado, ele começou a operar na AnubisTrade no final de novembro de 2018.

De acordo com o relato, foi solicitado um saque na plataforma na última quinta-feira (26). O pedido de saque aconteceu logo após o anúncio de venda da AnubisTrade para o Atlas Quantum. Temendo não receber, o investidor foi surpreendido ao ter o prazo do seu pedido de saque estendido naquele dia.

O usuário recebeu como resposta do suporte da AnubisTrade que seu prazo deveria durar 72 horas úteis, e não mais apenas 24 horas. Ou seja, no mesmo dia que a empresa foi vendida, o prazo para a liquidação de saques aumentou para três dias úteis. 

Mas, a informação é ainda mais inconsistente ao anunciar o dia 9 de outubro como prazo para o pagamento. Segundo a informação repassada pela empresa, o prazo de 72 horas úteis deveria ter terminado nesta quarta-feira (2). Para o usuário da AnubisTrade, o prazo de nove dias foi “inventado” com o intuito de “ganhar tempo”.

“Eles inventaram esse negócio de 72 horas ‘úteis’ igual a 9 dias de espera só para ganhar tempo”.

Investidores reclamam de venda para o Atlas Quantum

A AnubisTrade foi vendida há cerca de uma semana para o Atlas Quantum. Os investidores que confiaram seus bitcoins na plataforma não foram avisados previamente sobre o acordo firmando entre Mateus Grijó (CEO da AnubisTrade) e Rodrigo Marques dos Santos (Atlas Quantum).

Com um grupo de reclamações no Facebook e outro no Telegram, os investidores com saques em atraso buscam informações sobre o que devem fazer. O investidor entrevistado pelo Livecoins afirmou que Mateus Grijó deveria ter anunciado sobre a venda aos seus ex-clientes.

Isso permitiria que os investidores sacassem seus bitcoins antes de eles serem custodiados por outra empresa, que já enfrentava problemas no mercado. A medida não impediria a transferência de tecnologias entre as empresas, mas protegeria os bitcoins de investidores que enfrentam problemas com saques, como acontece agora.

“Não vejo problema nenhum em vender a plataforma, ou seja, seus algoritmos, robôs. O que discordo totalmente foi a entrega da custódia para o Atlas (Quantum), que vem demonstrando muitos problemas de liquidez no mercado brasileiro. No mínimo, teria que avisar seus clientes com antecedência para fazer o saque antes do início do Atlas.”

O silêncio da atual empresa e do ex-dono

A venda da AnubisTrade aconteceu em um momento de efervescência do mercado brasileiro de criptomoedas. Investidores com problemas de saques no Atlas Quantum viram na AnubisTrade uma oportunidade similar de rentabilizar bitcoins longe da plataforma com problemas com saques. Contudo, esses investidores não esperavam pela venda da empresa para essa plataforma.

Ao ser consultado sobre a venda e os atrasos para saques na AnubisTrade, Mateus Grijó alegou que não responde mais pela empresa. Inicialmente, essa era a resposta do empresário, que até então era o proprietário da plataforma. Pouco tempo depois, Grijó enviou uma resposta, alegando que não poderia responder sobre o caso e deixando dezenas de investidores sem respostas.

“A assessoria de imprensa do grupos Atlas, assim como o setor jurídico, pediram gentilmente que eu não realizasse nenhuma entrevista, antes de um posicionamento prévio dos mesmos.”

O mesmo silêncio sobre o atraso em pagamentos é estendido ao representante da empresa Atlas Quantum. Ao ser indagado sobre o assunto, o profissional alegou que a empresa está verificando o problema, sem retornar com alguma resposta. Sendo assim, os clientes seguem sem saber o que está acontecendo, após o representante do atual dono da AnubisTrade também não se posicionar.

“Não posso roubar os bitcoins e entregar aos clientes na hora que eles querem”, diz Grijó

Em um áudio divulgado nas redes sociais, Matheus Grijó diz, rindo, que não é mais dono da empresa, e que a Atlas agora é detentora da empresa. Ele afirma que vai dar todo apoio técnico, mas que a gestão dos fundos é da Atlas. “Eu não tenho mais responsabilidade dos fundos, vou fazer o que posso fazer.”

Grijó também disse que jamais venderia a empresa sem avisar seus clientes. A promessa, no entanto, não foi cumprida.

Ex-dono responde até por um ano pela empresa

Quando uma empresa é vendida para outra pessoa, qual é a obrigação do ex-dono? Essa foi a pergunta que foi realizada para o advogado Rafael Souza, que possui o escritório R Souza Advocacia. Sem mencionar o caso de venda da AnubisTrade, o especialista jurídico revelou que existem obrigações que o ex-dono de uma empresa devem cumprir.

De acordo com Rafael Souza, o ex-dono de uma empresa pode ser responsabilizado por dívidas do negócio. Por mais que a empresa já não esteja em seu nome, a legislação brasileira prevê que essa obrigação possa durar por um ano.

“A venda de uma empresa para outra é enquadrada na lei como sucessão empresarial. Assim, segunda a lei brasileira o vendedor fica obrigado juntamente com o comprador ao pagamento das dívidas perante um ano, conforme prevê o art. 1.146 do Código Civil Brasileiro”.

Embora Mateus Grijó declare que não responde mais pela AnubisTrade, o empresário pode supostamente ser penalizado por possíveis dívidas. Isso pode implicar nos atrasos de pagamentos na plataforma e na promessa de que o prazo antigo seria mantido logo após a venda, algo que não se concretizou. Sem maiores respostas, os usuários da AnubisTrade esperam até a próxima quarta-feira (9).

Pode ser que neste dia que o tormento de alguns investidores chegue ao fim ao finalmente receberem seus bitcoins retidos pela empresa.

Resposta

Matheus Grijó entrou em contato com o Livecoins e enviou a seguinte nota:

A Anubis vinha sendo requisitada para diversas conversas desde cooperação técnica a eventuais aquisições. Como é normal nesse tipo de operação, todas exigiam acordos de confidencialidade, aos quais assinamos para iniciar as conversas e estes permanecem válidos.

A Transação está sob um contrato que requer uma série de confidencialidades e é regido pelas Leis do Brasil. Tudo foi feito conforme mandam as leis locais.

Transações desse tipo, que envolvem ativos financeiros e base de clientes, já ocorreram e ocorrem no Brasil e no mundo. Diversas transações no setor bancário seguiram exatamente o mesmo rito, início de conversa, acordo de confidencialidade, discussões e contrato final e somente a partir desse momento a divulgação, como pode ser observado em:
2017: Itaú compra pare da XP
2017: Itaú compra Citibank
2016: Bradesco compra HSBC
2009: Itaú funde com a Porto Seguro
2009: Banco do Brasil compra parte do Banco Votorantim
2008: Itaú funde com o Unibanco
2007: Santander compra Banco Real
2006: Itaú compra BankBoston
2003: ABN Amro compra o Sudameris
2003: Bradesco compra BBVA
2000: Santander compra o Banespa

O mercado de cripto moeda ainda está amadurecendo e a transação entre Atlas e Anubis é uma das primeiras no setor, porém seu formato no mundo de Fusões e Aquisições é corriqueiro.

Conforme comunicado da Atlas, “O objetivo das empresas é de unir as experiências em tecnologia e investimento para ampliar ainda mais a transparência das operações das empresas e oferecer oportunidades aos clientes.”, e este foi um dos meus maiores motivadores para seguir na transação.

Por força de contrato não posso dar mais detalhes no momento.

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Paulo José
Jornalista em trânsito, escritor por acidente e apaixonado por criptomoedas. Entusiasta do mercado, ouviu falar em Bitcoin em 2013, mas era que nem caviar, "nunca vi, nem comi, só ouço falar".

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