Atlas Quantum é processada em R$ 10 milhões por vazamento de dados

Justiça acusa empresa de expor dados de mais de 264 mil clientes. "Não se descarta a possibilidade de um esquema de pirâmide financeira."

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Atlas. Foto: Renata Santos
Atlas. Foto: Renata Santos

Uma vulnerabilidade na plataforma Atlas Quantum terminou com um processo movido pelo Ministério Público. A empresa está sendo acusada de ter permitido o acesso a dados importantes de mais de 264 mil clientes. A ação movida sugere que a empresa pague R$ 10 milhões como indenização após o vazamento de informações sobre os usuários da plataforma.

A Atlas Quantum é uma empresa voltada para investimentos em criptomoedas. Criada em 2016, a empresa oferece ganhos a partir da arbitragem do Bitcoin. Isso significa que a Atlas Quantum consegue obter lucro comprando e vendendo a criptomoeda em diversas exchanges com preços diferentes. O sucesso do negócio fez com que em menos de três anos a empresa alcançasse mais de 250 mil clientes.

Até dados do CEO da empresa foram vazados

De acordo com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a empresa deve ser punida pelo vazamento de dados. Em agosto de 2018 uma vulnerabilidade no sistema da Atlas Quantum permitiu que informações sobre clientes fossem acessadas por terceiros. Nos dados estavam telefone, endereço e até a quantia de Bitcoin aplicada pelos clientes da empresa de arbitragem.

As informações chegaram a circular em listas compartilhadas nas redes sociais. Entre os dados estavam até mesmo do CEO da empresa, Rodrigo Marques, que também foi afetado pelo vazamento. Outros membros da empresa também tiveram informações divulgadas com o acesso aos dados armazenados. A condenação foi publicada na última terça-feira (23).

“O MPDFT pede a condenação das empresas do grupo econômico ao pagamento de R$ 10 milhões pelo vazamento de dados de mais de 260 mil clientes.”

Dados foram acessados de forma não autorizada

O MPDFT sugere que a Atlas Quantum pague R$ 10 milhões como indenização coletiva para seus clientes. A autarquia que investiga o caso determina que as informações acessadas indevidamente configura em danos morais. de acordo com a Atlas Quantum, os dados foram acessados de forma não-autorizada, em um suposto ataque à plataforma no dia 25 de agosto de 2018.

A Atlas Quantum está presente em quase 50 países e poderá fazer um acordo com o Ministério Público. De acordo com a denúncia, faltou cuidado necessário da empresa em relação a segurança das informações contidas na plataforma.

“Ainda segundo a ação, houve falta de cuidado e zelo da Atlas na proteção das informações pessoais dos cidadãos que confiaram na política de segurança da companhia.”

O MPDFT determinou ainda que a indenização seja revertida em verba para o Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD). Por outro lado, a Atlas Quantum apresentou defesa diante das acusações. A empresa não nega que os dados de milhões de clientes foram acessados de forma indevida. Porém, a organização reitera que nenhum usuário teve comprometimentos com as informações divulgadas.

“Possibilidade de esquema de pirâmide financeira”

De acordo com o documento publicado pelo ministério publico, não se descarta a possibilidade de um esquema de pirâmide financeira, “nos moldes de Madof“. O MPDF explica que o esquema de Madof atraía investidores oferecendo rentabilidade, então, o dinheiro de novos investidores era utilizado para pagar antigos clientes. “o esquema funcionava porque os rendimentos não eram pagos aos investidores todo mês, apenas acompanhando por eles.”

Não se descarta a possibilidade de que as empresas, ao contrário do que afirmam, operem um esquema de pirâmide financeira, nos moldes do
“investidor” Bernard L. Madof.

O MPDF afirma que a “Atlas Quantum pode estar utilizando-se do mesmo tipo de artifício, ao promoter rendimentos de 4,4% ao mês e 66,95% ao ano para os seus clientes, além de não haver indicação real de que o algoritmo de arbitragem de bitcoin exista e seja operável.”

O que a Atlas fala sobre acusações de ser pirâmide

Em março a equipe do Livecoins visitou a sede da Atlas, em São Paulo, e perguntou como a empresa responde a acusações de Pirâmide. A empresa afirmou que “não tem nada a ver”, e que nenhum rendimento é garantido.

“Mas é só olhar para as pirâmides que estão sendo pegas pelo Ministério Público e ver que não têm nada a ver com a gente”, afirma a Atlas. “Geralmente não dá para entender, são muito opacos com relação ao que eles [Pirâmides] fazem. Chame qualquer um que vem do mercado financeiro que ele entende o que nós estamos fazendo, entende que isso é possível”.

A empresa respondeu ainda que, geralmente, as pirâmides envolvem alguma forma de marketing multi nível, “coisa que não tem nada a ver com a gente, a gente nunca fez. E a gente nunca garantiu rendimento, pode ter prejuízo amanhã!”, afirma.

Resposta da empresa

Ao G1, a Atlas disse:

“O Atlas não foi informado sobre o processo do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), mas reafirma o compromisso com a transparência de todas as suas ações.

Reiteramos que o fato não ocasionou qualquer risco de perda dos investimentos, bem como adotamos todas as medidas necessárias para evitar prejuízos aos nossos clientes.

Além disso, o Atlas nega veementemente as acusações de pirâmide financeira, não prometendo rendimentos justamente por se tratar de uma operação de renda variável.

Através de um algoritmo que encontra as melhores cotações do Bitcoin, o Atlas Quantum realiza operações de arbitragem em mais de 10 exchanges.

A partir de variações de cotações entre as exchanges, operamos a compra e venda das moedas, gerando a rentabilidade que compartilhamos com nossos clientes.

Nosso modelo de negócio já foi avaliado pela CVM, que afirmou não ter encontrado nenhum indício de irregularidade.”

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Paulo Carvalho
Paulo Carvalho
Jornalista em trânsito, escritor por acidente e apaixonado por criptomoedas. Entusiasta do mercado, ouviu falar em Bitcoin em 2013, mas era que nem caviar, "nunca vi, nem comi, só ouço falar".

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