O Banco Central do Brasil estaria avançando na contratação da Hypernative, uma empresa de segurança especializada em monitoramento de transações de criptomoedas e detecção de fraudes. As informações foram publicadas pela própria empresa na última quinta-feira (20).
No texto, a Hypernative aponta que fundos ligados a fraudes estão passando cada vez mais por corretoras antes que os sistemas tradicionais consigam reagir. Indo além, também nota que eles geraram um alerta 14 horas antes da movimentação de recursos vinculados a uma fraude, algo que serviu como validação de seu modelo.
“O Banco Central precisava de uma forma de detectar sinais preparatórios antes que a execução de uma fraude chegasse ao setor financeiro.”
Seguindo, a empresa nota que o BCB já está utilizando a sua plataforma de Monitoramento On-chain e Resposta Automatizada e os recursos de sua ferramenta de Prevenção de Fraudes.
Portanto, é possível que os alertas resultem no bloqueio de transações suspeitas de forma rápida, evitando que esses fundos ilícitos escoem para as criptomoedas.
Empresa de segurança afirma ter calibrado sua ferramenta com base em incidentes passados do mercado brasileiro
Em junho de 2025, a C&M Software foi alvo de um ataque que desviou R$ 813 milhões de instituições financeiras conectadas à sua infraestrutura. Na ocasião, a Polícia Federal apontou que parte desse dinheiro foi convertido em criptomoedas, levando o Banco Central a reforçar o monitoramento de ameaças e fraudes no mercado.
O novo passo do BCB seria a contratação da Hypernative. Em nota, a empresa afirma ter desenvolvido uma metodologia de monitoramento específica para o BCB que monitora anomalias nos volumes de negociação nas principais corretoras brasileiras de criptomoedas.
O texto também cita sinais de sincronia entre essas corretoras, padrões de velocidade intradiária e indicadores comportamentais correlacionados com características de incidentes de fraudes conhecidos.
“A abordagem foi continuamente calibrada com base nos padrões de incidentes do mercado brasileiro, avançando gradualmente da detecção de anomalias de volume para a identificação antecipada de sinais preparatórios. A validação decisiva ocorreu quando a Hypernative gerou um alerta preparatório 14 horas antes da movimentação dos recursos em um incidente de fraude confirmado. Vários alertas preparatórios de alta confiança gerados durante a prova de valor foram posteriormente associados a atividades de incidentes confirmados, reforçando a hipótese de que a lavagem de dinheiro proveniente de fraudes por meio de criptoativos pode produzir padrões de preparação detectáveis antes da dispersão completa dos recursos. A prova de valor demonstrou a capacidade da Hypernative de desenvolver uma metodologia específica para a dinâmica do mercado brasileiro, combinando monitoramento de BRL e criptoativos, sinais comportamentais no nível das exchanges, inteligência on-chain e informações sobre incidentes.”
Em suma, o sistema enviará alertas para corretoras do mercado, permitindo que elas possam congelar fundos suspeitos antes que eles saiam do mercado tradicional.
Finalizando, o texto aponta que esses testes estão avançando para se tornarem uma operação contínua de inteligência regulatória.
Banco Central aponta que identificação de sinais é importante para a supervisão do mercado de criptomoedas
Em nota, o Banco Central afirma que suas ferramentas existentes não haviam sido desenvolvidas para monitorar o mercado de criptomoedas. Portanto, isso justifica a parceria com a Hypernative para cobrir esse ponto cego.
“No momento em que entendemos que precisávamos monitorar a Web3, enfrentamos um problema central: nossas ferramentas existentes haviam sido desenvolvidas para o sistema financeiro tradicional. À medida que os padrões de fraude financeira se cruzam cada vez mais com fluxos de criptoativos, a capacidade de identificar sinais oportunos e explicáveis se torna importante para o trabalho de supervisão e inteligência de mercado. A prova de valor com a Hypernative nos ajudou a avaliar como monitoramento em tempo real, inteligência on-chain e informações sobre incidentes podem ser combinados em uma metodologia específica para o mercado brasileiro.”
Dados do Mercado Cripto mostram que criptomoedas negociadas contra o real brasileiro tiveram um volume de R$ 932 milhões nas últimas 24 horas. A maior parte das negociações acontece contra as stablecoins USDT e USDC, e então contra o Bitcoin.
