A Binance, maior plataforma de criptomoedas do mundo em volume de negócios e número de usuários, divulgou um novo estudo sobre a utilização de stablecoins ao redor do mundo mostrando que o uso de stablecoins para pagamentos já supera outros meios tradicionais.
O estudo publicado pela Binance Research, braço de pesquisa da exchange, e intitulado “Stablecoins: Transformando o Cenário Financeiro” traz a evolução das stablecoins que deixam de ser apenas uma infraestrutura de negociação de criptoativos para um sistema financeiro.
A análise aborda esse movimento de adoção sob as três funções da moeda: reserva de valor, meio de troca e camada de liquidação.
O relatório aponta que as transferências de stablecoins nos fins de semana somam, em média, US$ 38 bilhões por dia.
Esse volume é comparável à média diária de transações da Visa aos sábados e domingo, que somam aproximadamente US$ 40 bilhões. Também representa 53% da média registrada nos dias úteis (US$ 71 bilhões).
O estudo da Binance Research aponta também que os rendimentos em dólares on-chain (na blockchain), variando entre 2% e 4%, superam amplamente a taxa nacional de depósitos de poupança dos EUA, de 0,38%.
Neste cenário, as stablecoins oferecem retornos mais de oito vezes superiores aos dos bancos. Como resultado, o Binance Earn distribuiu US$ 1,2 bilhão em recompensas em stablecoins desde 2022.
Paralelamente, produtos tokenizados de títulos do Tesouro dos EUA registraram um retorno diário anualizado médio de 3,42% no segundo trimestre de 2026, aproximando-se da taxa de referência soberana de 3,70%, sem exigir conta em corretora ou status de investidor qualificado.
A análise destaca ainda que 30% dos usuários da Binance atualmente alocam mais da metade de seus portfólios em stablecoins, crescimento considerável que partiu de 4% em 2020, sem apresentar correlação significativa com os ciclos do mercado de criptomoedas.
Em toda a base de usuários da exchange, 87% das moedas fiduciárias são negociadas com ágio ao serem usadas para comprar stablecoins.
Em economias com hiperinflação, os usuários chegam a pagar até 62% acima da taxa de câmbio oficial para adquiri-las, um comportamento que reflete a intenção de poupar, e não de realizar negociações ativas.
No Binance Pay, o volume de pagamentos cresceu 114% em relação ao ano anterior entre os 21 milhões de comerciantes cadastrados, com o valor médio das transações subindo de US$ 10 para US$ 18.
Esse é um sinal claro de que as stablecoins estão deixando de ser apenas um ativo de negociação para integrar os gastos cotidianos e o estilo de vida das pessoas.
Ainda segundo a divulgação, a Binance detém US$ 53 bilhões em reservas de stablecoins, superando a segunda colocada entre as corretoras em US$ 42 bilhões e ampliando sua participação de mercado de 54% para 57% desde o início de 2025, mesmo com a expansão de 61% nas reservas totais das corretoras.
No relatório, a Binance Research conclui: “As stablecoins entraram no setor financeiro como uma ferramenta para a negociação de criptomoedas. Elas estão saindo como a camada sobre a qual o restante do sistema financeiro realiza suas liquidações.”