Bitcoin é a primeira religião verdadeira do século 21, diz editor da Bloomberg

Criado por uma identidade misteriosa e oculta, o Bitcoin é considerado por muitos como uma religião, em especial pela fé de seus usuários.

Muitas pessoas, após estudarem e entenderem o Bitcoin, o promovem sempre que possível, criando algo que se assemelha a uma religião. Em outras palavras, uma salvação, que vai muito além da questão econômica.

Tanto por quem já adotou o Bitcoin quanto quem ainda não, já perceberam esta ligação. No entanto, um artigo da Bloomberg, publicado no início deste ano, aprofundou-se no tema. Apesar disso, essa associação é antiga e já foi estudado e elaborado por outros.

Mas afinal, o que há no Bitcoin para que tantas pessoas coloquem sua fé né nele? Bom, o Bitcoin é muito mais do que uma moeda digital e até hoje, apesar de poucas mudanças em seus 13 anos, continua sendo estudado por profissionais de diversas áreas.

Gênesis

Coincidentemente, o nome do primeiro bloco do Bitcoin é gênesis, que significa origem. Porém, pode muito bem ser uma referência ao primeiro livro da bíblia, onde é descrita a criação do mundo.

Já a identidade de seu criador, Satoshi Nakamoto, nunca foi revelada, sendo um rosto invisível assim como de vários deuses. Considerado como uma das pessoas mais ricas do mundo com uma fortuna de 1.000.000 BTC (R$ 200 bilhões), estima-se que ele nunca tenha movido nenhum destes bitcoins — a não ser quando enviou 10 BTC para Hal Finney —, portanto sua criação não teve ganhos pessoas como objetivo.

Com o Bitcoin funcionando, as primeiras pessoas que tiveram contato com o protocolo foram os Cypherpunks. Sendo este o primeiro grupo — talvez de apóstolos — que fizeram o Bitcoin manter-se vivo em seus primeiros anos, animados pela privacidade e liberdade desta criptomoeda.

Para convencer tal grupo, Satoshi precisou escrever um documento explicando como o Bitcoin funcionava, uma espécie de bíblia. Talvez a reação do brasileiro Narcélio Filho, citado abaixo, tenha sido a mesma de vários outros ao ler o whitepaper do Bitcoin.

“Quando eu li, foi como se ele estivesse escrevendo para mim. Todos aqueles problemas que eu tinha lido no passado, eles foram resolvidos por Satoshi. Passo a passo ele dá a explicação direitinho de como ele resolveu cada um dos problemas”

Propagação sem marketing

Além de ter sido criado sem orçamento, até hoje o Bitcoin segue sendo um projeto que não gastou nenhum centavo com marketing. O mesmo pode ser dito sobre o desenvolvimento de seu código, apesar de desenvolvedores receberem doações.

Contudo, treze anos após sua criação, é justo afirmar que grande parte da população já ouviu falar em Bitcoin. O caso mais notável talvez tenha ligação com o sumiço de Nakamoto, afinal, a popularização do Bitcoin teve início quando o WikiLeaks começou a aceitar a criptomoeda para doação, virando notícia em grandes sites como PC World em 2010

Isso resultou na famosa frase de Satoshi antes de interromper comunicações com a comunidade.

“O WikiLeaks chutou o ninho de vespas, e o enxame está vindo em nossa direção.”

Pouco depois, em 2011, algumas pessoas começaram a gastar dinheiro para promover o Bitcoin. Como exemplo podemos citar Roger Ver, que recebeu o apelido de Jesus do Bitcoin — apelido que cabe bem neste artigo sobre religião — devido ao seu empenho em levar o Bitcoin adiante.

Além de outdoors sobre o Bitcoin, quando a moeda ainda valia cerca de 1 dólar, Ver também pagou por anúncios em emissoras de rádio, como mostrado abaixo.

Falando em Roger Ver, isso também nos leva a divisão do Bitcoin, fato comum entre igrejas. Então em 2017 o Bitcoin separava-se em dois e o Jesus do Bitcoin transformou-se em um Judas após afirmar que o Bitcoin Cash (BCH), fork do BTC, era o verdadeiro Bitcoin.

Complementando, também existe o termo “Bitcoin maximalist” — maximalista do Bitcoin —, usado para definir pessoas que entendem que não há outra moeda melhor no mercado.

Datas comemorativas e falsos profetas

Como em toda religião, o artigo da Bloomberg nota que o Bitcoin também possui suas datas especiais. Como exemplo, a matéria cita o Dia da Pizza, usado para lembrar a importância de não vender seus bitcoins, afinal Laszlo trocou 10.000 BTC, hoje R$ 2 bilhões, por duas pizzas.

Além disso, também há o Proof-of-Keys, dia em que usuários realizam saques de exchanges para confirmar que a mesma possui liquidez. Por fim, também existem os halvings, onde a cada ~4 anos a recompensa por bloco diminui pela metade. O próximo acontecerá em 2024.

Já em relação aos falsos profetas, podemos citar os diversos casos de pessoas que afirmam ser Satoshi Nakamoto. O caso mais conhecido é o de Craig Wright, também chamado de Faketoshi (Falso Satoshi).

Quem estuda o Bitcoin percebe que ele tem valor

Avançando no tempo, gigantes marcaram o Bitcoin no ano de 2021. Entretanto, uma frase dita pelo diretor de operações do Bank of America, pode resumir bem o apelo que as criptomoedas possuem.

“Cheguei à conclusão de que [as criptomoedas] poderiam realmente ter valor e entendi por que podem ter valor para as pessoas. O conceito de armazenamento global de valor e transações globais fizeram sentido para mim.”

Embora Thomas Montag tenha se referido as criptomoedas de maneira geral, até mesmo a maior gestoras de ativos do mundo afirmou recentemente que o Bitcoin não pode ser comparado com outras moedas.

Além de ter conquistado os cypherpunks, em seus primeiros anos, por conta da criptografia e pseudo-anonimato, ao longo do tempo o Bitcoin provou ser muito mais do que uma moeda digital.

Não dependente de uma autoridade central ou de confiança, conseguiu atrair a atenção não apenas de economistas e empreendedores, mas também de pessoas comuns que confiam mais na matemática do que em políticos.

Outros pontos que fazem o Bitcoin ser o que é são a sua divisibilidade, o fácil transporte e armazenamento, bem como oferta escassa e criação controlada matematicamente.

Dito isso, sendo ou não uma religião, o fato é que aqueles que entenderam o Bitcoin não querem mais saber de outra moeda.

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Henrique Kalashnikov
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

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