Bitcoin em El Salvador é um exemplo negativo, não algo a ser celebrado

Não existe passe de mágica para resolver a pobreza causada pelo próprio sistema ditatorial.

Não existe nada mais anti-Bitcoin que obrigar alguém (ou empresa) a aceitar o pagamento em determinado método ou moeda. A própria existência de um Estado, que tira dinheiro da população através de impostos e diluição da moeda, é contrária aos preceitos da criptomoeda.

Mesmo que a wallet “do governo”, a tal “Chivo”, ofereça a opção de converter automaticamente para dólar, na prática, está ocorrendo o curso forçado do Bitcoin. Não vou entrar no mérito da wallet ser custodial, ou seja, do usuário não ser detentor das 12 ou 24 palavras de segurança, algo que nem deveria ser discutido.

Por que é autoritária a decisão de El Salvador?

Se o Estado quer “obrigar” o curso forçado de uma moeda, caberia a ele oferecer um veículo para conversão, integrado com qualquer meio de pagamento digital.

Por exemplo, o comprador paga frações de Bitcoin para o intermediário do governo, que converte e entrega os dólares na conta do banco digital escolhido pelo vendedor. Não é tão diferente do PIX, onde o Banco Central é intermediário das transações.

O problema de El Salvador

Engana-se quem pensa que o problema por lá é do vendedor de coco na praia que não possui conta bancária. Qualquer PicPay ou MercadoPago resolveria estas questões, pois a conta digital não possui burocracia, nem taxas.

A questão lá são as remessas internacionais, e não vai ser uma wallet não-custodial Lightning Network que resolve isso. Para pensar: se 70% da renda de uma família depende de envios mensais dos EUA, como ela vai ter grana para manter os canais de LN abertos?

A quem interessa o problema do “cafezinho”?

Será que em Cuba, Venezuela, Uganda e Líbia o problema das pessoas é pagar o cafezinho? Ou mesmo no Canadá, Alemanha, e Holanda? Essa história quem quer empurra é promotor de shitcoin, seja de cripto ou moeda fiduciária.

O povo não está preocupado em ter que andar com moedas, ou ser obrigado a usar banco digital e cartão de débito VISA. Isso aí funciona muito bem. Quem quer fazer tempestade em copo de cafezinho é alguém que deseja lucrar com isso.

Quanto “vale” um imóvel?

Imóvel, na vasta maioria dos países, é sinônimo de investimento. Você acumula propriedades para alugar e viver de renda. Se possível, comprar, especular, e revender por um preço maior.

Tudo virou um “motivo” para fugir da inflação, e qualquer coisa virou um “investimento”. Não há como discutir o valor de um NFT, ou de um veículo Shelby Cobra 1988. Enquanto os governos continuarem imprimindo de forma desenfreada, quase tudo vai continuar subindo para sempre.

Se o Bitcoin for voluntariamente adotado, ótimo. No entanto, o problema do “cafezinho” é imaginário e Lightning Network não resolve a situação de El Salvador.

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Marcel Pechman
Marcel Pechman é trader e analista de criptomoedas desde 2017. Atuou como trader por 18 anos nos bancos UBS, Deutsche e Safra. Além de YouTuber em seu canal RadarBTC, foi reconhecido em diversas premiações como um dos maiores interlocutores do Bitcoin do país. Maximalista convicto, acredita na falência da moeda fiduciária, aquela emitida por governos.

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