O Bitcoin foi a primeira das moedas digitais e continua sendo a mais relevante de todas. No momento em que este artigo é escrito, o coinmarketcap.com mostra que o Bitcoin tem valor de mercado de USD 116,97 bilhões de dólares em relação ao valor total do mercado de USD 269,93 bilhões de dólares, representanto 43,3% do total. Mas quem são estes outros 56,7% do mercado?

Altcoins representa a combinação das palavras alternative + coins (moedas alternativas), indicando qualquer moeda criada depois do Bitcoin. Atualmente já são contadas na ordem de centenas, sendo o mercado formado por 1567 diferentes moedas ou tokens, número que não para de crescer.

Geralmente uma altcoin é criada a partir de um desdobramento, uma bifurcação (fork) do código fonte de uma outra moeda, propondo melhorias ou modificações por um grupo de desenvolvedores que preferem seguir outro caminho ou lançar seu próprio projeto.

Eu não vejo espaço para todos no mercado, e é muito provável que a grande maioria dos projetos deixarão de existir ou cairão no esquecimento por não terem propriedades ou fundamentos que garantam a sua existência por muito tempo.

Uma maneira de representar esse mercado é criar uma espécie de classificação entre as moedas disponíveis. A primeira classe sem dúvida representa o reinado do Bitcoin, a mais robusta, com a rede mais ampla, mais difundida e mais consistente em todos os aspectos que se pode avaliar (tecnológicos, econômicos e de segurança).

Há uma segunda classe formada por moedas fortes, projetos promissores e que já alcançaram uma certa relevência, são conhecidas pelos investidores e bastante disponíveis nas principais exchangesdo mercado. Em geral estas moedas procuram resolver algum problema que o Bitcoin ainda não superou, ou atender a nichos específicos da criptoeconomia.

E, por fim, há uma terceira categoria de moedas menos conhecidas, que representam projetos menores, com menor liquidez no mercado e geralmente surfando a ondae explorando o potencial especulativo do mercado. A grande maioria destes projetos não vai alcançar um espaço privilegiado na segunda ou primeira classe desse mercado.

Importante entender que se trata de um mercado dinâmico e, portanto, esse cenário pode mudar e algumas moedas digitais podem trocar de posição nesse “ranking” que eu modestamente proponho como forma de enxergar o mercado.

Definir que uma moeda pertence à segunda classe ou ao restante do mercado é, sem dúvida, muito perigoso de minha parte.

No entanto, vejo poucas possibilidades no médio prazo de uma criptomoeda desbancar a posição de líder que o Bitcoin vem sustentando desde o surgimento deste mercado.

Mas de qualquer forma a história recente desse mercado mostrou que há algumas altcoins que merecem nosso respeito. As altcoins estão em alta e uma das razões é a grande valorização que ocorreu em algumas destas moedas no ano 2017.

Como mostra a imagem a seguir, mesmo com 1.318% de crescimento, o Bitcoin foi “apenas” a moeda com a décima quarta maior valorização entre todas as moedas, ranking liderado de forma espantosa pelo Ripple (36.018%), seguido pela NEM (29.842%) e pela Ardor (16.809%).

Os índices de valorização são realmente impressionantes se compararmos com os retornos de investimentos tradicionais.

Um outro aspecto bastante interessante é o preço de algumas destas altcoins em relação ao dólar. Vejam, por exemplo, que a altcoin Maker está cotada ao valor de USD 591,49 dólares, e mesmo assim ocupa apenas a posição de número 41 no ranking das criptomoedas, pois seu valor total de mercado alcança hoje apenas USD 365 milhões de dólares.

Há algo que chama ainda mais a atenção: ao analisarmos o ranking das moedas que mais valorizaram nos últimos 7 dias, a MaxCoin apresenta incríveis 522% em uma semana, e um preço por unidade de moeda de USD 0,18! Na sequência temos a Bubble com 437,88% e preço unitário de USD 0,087, e a Hexx com 369,72% e preço unitário de USD 3,11.

No entanto, estas moedas apresentam um volume de transação muito pequeno se comparado com as principais moedas do mercado, uma liquidez bem mais baixa, e não são moedas negociadas em muitas corretoras pelo mundo (vamos falar um pouco mais sobre isso).

Em um mercado com mais de 1.500 moedas diferentes, a dificuldade reside em conhecer as características e o potencial de uma delas alcançar valorização BEM acima da média, e saber a hora certa de comprar e vender estas moedas.

Algumas ferramentas podem ajudar nessa avaliação. O próprio coinmarketcap.com apresenta informações importantes sobre as criptomoedas que podem servir como um ponto de partida para conhecer melhor as altcoins. Vamos utilizar a moeda EOS para conhecer um pouco estas ferramentas.

Há pelo menos três aspectos essenciais que precisam ser estudados para se conhecer melhor uma altcoin:

  • Conhecer o website do projeto: analisar o histórico dos desenvolvedores e empreendedores envolvidos no projeto, avaliar a proposta de valor, qual problema é resolvido, a quem se destina, qual o público é impactado pela solução e qual o potencial de mercado que representa;
  • Analisar o mercado (e exchanges): em quais exchangesessa moeda pode ser negociada, qual a liquidez do mercado, qual o volume de transações diárias são realizados e qual a concentração. A EOS, por exemplo, é negociada em mais de 100 exchangespor todo o mundo, sendo que a Bithumb (Coréia do Sul) concentra mais de 25% do volume de transações dessa moeda.
  • Mídia social e fóruns: analisar os comentários em fóruns de discussão especializados é não menos importante. Acompanhar as publicações em mídia social, os anúncios feitos pelo projeto, bem como qualquer indício de aspectos positivos ou negativos em torno da moeda. Tudo e qualquer notícia vai influenciar o mercado, e o preço pode subir ou cair muito rapidamente. Esteja preparado!

Por fim, há algumas propriedades das altcoinsque precisam ser levadas em consideração:

  • Volatilidade: tende a ser maior do que a do Bitcoin. É muito mais provável que uma destas moedas valoriza ou desvalorize 50% em um mesmo dia, ou poucas horas;
  • Liquidez: tende a ser menor do que o Bitcoin, e é possível que você tenha dificuldade de vendas suas moedas em determinado momento na sua corretora;
  • Exchanges: a moeda que você escolher pode não estar disponível na sua corretora, e talvez você não tenha tempo para transefrir fundos ou abrir conta em uma outra corretora para aproveitar um movimento de alta ou baixa no mercado;
  • Tempo de projeto: uma moeda que tem pouco tempo de projeto pode apresentar vulnerabilidades que ainda não foram descobertas, e portanto falhas podem surgir. Nenhuma altcoin foi tão testada e validada quanto o Bitcoin durante os anos em que este mercado surgiu.

Aproveitar as oportunidades de investimentos com as altcoins pode ser interessante, desde que os riscos sejam avaliados e os movimentos sejam feitos de forma consciente. Apostar em moedas com base em vídeos de deos de youtubers definitivamente não é a melhor alternativa.

(Este artigo não deve ser considerado como um estímulo ao investimento em Bitcoins ou em outras criptomoedas. A recomendação, antes de qualquer investimento, é conhecer o mercado das moedas digitais e aprender sobre seus riscos, oportunidades e ameaças).

Fabio Junges
Certified Bitcoin Professional (CBP) pelo CryptoCurrency Certification Consortium. Doutor em Administração de Empresas, empreendedor na área de TI, professor em cursos de pós-graduação em transformação digital, blockchain e criptoeconomia, especialista em gestão estratégica, finanças corporativas, transformação digital e tecnologias disruptivas. Entusiasta de blockchain e de cenários em que as novas tecnologias mudam as organizações e as tornam melhores.