Uma recente cobertura do La Nacion no Paraguai apresentou uma nova crise monetária na América do Sul, desta vez envolvendo bolivianos que estão levando stablecoins para trocar por Dólar no Paraguai.
Com a situação, o Dólar disparou no país, e gera uma crise interna que apresenta uma grande fuga de capitais do Paraguai.
Mesmo assim, o banco central paraguaio tenta conter a alta no país, uma vez que o crescimento da divisa não ajuda a economia local. Contudo, especialistas acreditam que a intervenção do banco central pode piorar a situação, uma vez que ele coloca mais Dólar a disposição do mercado.
Bolivianos levam stablecoins para trocar por Dólar no Paraguai
A recente intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP), que injetou US$ 85 milhões no mercado apenas em janeiro, revela o esforço das autoridades para conter a valorização do dólar frente ao guarani.
Contudo, segundo Emil Mendoza, dirigente da Associação de Casas de Câmbio do Paraguai, essa ação tem alcance limitado diante de um problema mais complexo: a fuga de dólares para a Bolívia por meio de criptomoedas, em especial stablecoins.
Mendoza explicou, em entrevista à rádio 1020 AM, que a crise econômica severa na Bolívia está provocando uma escassez aguda de dólares no país vizinho.
A dependência histórica do petróleo e do gás natural foi abalada por uma queda de até 50% nas exportações, o que comprometeu seriamente as reservas cambiais bolivianas.
Diante disso, muitos bolivianos têm buscado comprar criptomoedas, atravessar a fronteira paraguaia e, já em solo paraguaio, convertê-las em dólares físicos no mercado paralelo.
Processo sofisticado de fuga de capitais, dizem especialistas que pedem investigação
O processo, embora informal, é cada vez mais sofisticado, sugerem os analistas paraguaios. Isso porque, a compra de stablecoins permite aos bolivianos contornar as limitações cambiais e acessar diretamente dólares em espécie, por fora do sistema bancário.
Esses dólares são então levados de volta à Bolívia, alimentando um fluxo financeiro que escapa ao controle dos bancos centrais e fortalece o mercado negro regional.
Segundo Mendoza, essa operação lembra os tempos de fuga de capitais da Argentina durante o governo de Cristina Kirchner, quando também se registravam movimentações intensas de moedas através de circuitos informais.
Ele alerta que o BCP, ao tentar conter a alta do dólar sem a atuação conjunta da Polícia Nacional e do departamento de delitos econômicos, acaba arriscando suas reservas internacionais, sem atacar a raiz do problema.
Estudos da associação Pro Desarrollo indicam que até metade da economia paraguaia funciona na informalidade, o que torna o país especialmente vulnerável a essas práticas.
É nesse ambiente que as stablecoins se tornam ferramentas eficazes para transitar entre economias, sendo trocadas por dólares com a ajuda de cambistas fora do circuito legal.
A situação evidencia como as stablecoins, apesar de projetadas como soluções para pagamentos e inclusão financeira, também se tornaram vetores de evasão cambial e circulação ilícita de divisas, especialmente em regiões com fragilidade institucional e fronteiras economicamente assimétricas.