O 27º Workshop RNP (WRNP) encerrou suas atividades na última terça-feira (26) na Praia do Forte (BA). O encontro promovido pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) reuniu pesquisadores para traçar caminhos sobre a autonomia tecnológica do país.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) apoia a iniciativa que ocorreu de forma conjunta ao 44º Simpósio Brasileiro de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos (SBRC). Um dos grandes marcos do encerramento envolveu a apresentação dos avanços obtidos pelo Projeto Ilíada.
A iniciativa começou em outubro de 2023 com o financiamento do MCTI e a coordenação da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex). O gerente de pesquisa e desenvolvimento da RNP, Reinaldo Gomes, detalhou como a cooperação com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD) gerou frutos sólidos.
O plano principal consiste em demonstrar o valor da tecnologia blockchain além do mercado financeiro tradicional e da tecnologia das criptomoedas. Para isso, o projeto mobilizou treze grupos de trabalho e quatro startups em diversas frentes práticas.
Os pesquisadores focaram seus esforços em áreas como identidade digital descentralizada e auditoria de dados. O estudo também abriu espaço para o desenvolvimento de soluções voltadas à criptografia pós-quântica.
Infraestrutura distribuída simula condições reais de mercado
A RNP estruturou um ambiente de testes avançado que agora fica disponível para a comunidade acadêmica nacional. Gomes explicou que o sistema conta com oito servidores distribuídos por várias regiões brasileiras.
Essa descentralização geográfica permite que os cientistas avaliem o comportamento das aplicações sob latências e falhas reais de rede. A organização dividiu a estrutura em duas modalidades distintas de operação.
A primeira é uma rede dedicada para testes iniciais onde os técnicos possuem total liberdade de experimentação. A segunda funciona como um modelo de produção com a participação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e de outras autarquias.
Além disso, um portal web automatizado permite a configuração de redes personalizadas sem burocracia. O desenvolvedor preenche as características necessárias e obtém o ambiente pronto para a inserção de contratos inteligentes.
Observatório consolida difusão científica no setor
A coordenadora de disseminação científica da RNP, Larissa Turley, apresentou os resultados do Observatório Nacional de Blockchain. A plataforma completou um ano de existência e centraliza a produção de conhecimento sobre o tema.
O portal realiza o mapeamento de mais de 600 iniciativas espalhadas pelo território nacional. Turley destacou que o espaço já cataloga cerca de 160 casos de uso práticos fora do ecossistema de finanças.
Uma parceria com o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) ajudou a estruturar indicadores específicos. O sistema monitora mais de dois mil artigos científicos e cerca de 200 patentes registradas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
O observatório também mantém uma comunidade viva com encontros quinzenais e dinâmicas de incentivo em blockchain. Os participantes recebem tokens NFTs de presença e medalhas digitais registradas para comprovar o engajamento técnico.
